Draghi vê mais crescimento na Zona Euro, mas teme a guerra comercial. É “perigosa”

O BCE está mais otimista em relação à economia na Zona Euro este ano e já prepara terreno para retirar estímulos. Mario Draghi considera "perigoso" decisões comerciais unilaterais.

Mario Draghi confirmou otimismo do BCE em relação à evolução da economia da Zona Euro. E já prepara fim dos estímulos.Flickr BCE

Pouco depois de ter deixado cair a promessa de aumentar os estímulos da Zona Euro, abrindo caminho à normalização da política monetária para breve, o Banco Central Europeu (BCE) mostrou-se mais otimista em relação às perspetivas de crescimento da economia da região da moeda única. Mario Draghi foi o porta-voz dessa confiança na conferência de imprensa que se seguiu após conhecida mais uma decisão do Conselho de manter os juros. Ainda assim, apesar do otimismo, há um risco que não pode ser negligenciado: a guerra comercial que o italiano vê como “perigosa”.

Estamos convencidos que as disputas devem ser discutidas e resolvidas dentro de um enquadramento multilateral e que decisões unilaterais são perigosas“, declarou Draghi em Frankfurt esta quinta-feira.

O presidente do BCE estava a ser confrontado pelos jornalistas sobre o impacto que os planos de Donald Trump e a sua Administração de criar taxas nas importações de aço e alumínio pode ter na economia, sobretudo no caso de esta decisão americana desencadear uma guerra comercial e… diplomática.

Estamos convencidos que as disputas devem ser discutidas e resolvidas dentro de um enquadramento multilateral e que decisões unilaterais são perigosas.

Mario Draghi

Presidente do BCE

“Também há o receio em torno do estado das relações internacionais, porque se se impõem taxas alfandegárias contra aqueles que são aliados, quem serão então os inimigos?“, questionou Draghi. “O efeito na confiança é muito difícil de avaliar. Mas existindo um efeito negativo na confiança, isso será negativo tanto para a inflação como para as perspetivas de crescimento”, frisou ainda.

Muitos analistas consideraram que a iminência de uma guerra comercial poderia apertar a margem para o BCE dar início à retirada dos estímulos monetários que nos últimos três anos tem ajudado a economia da moeda única a crescer e a superar os problemas do passado com as crises das dívidas soberanas.

Ainda assim, o banco central deu hoje mais um passo naquilo que é a normalização da sua política monetária. Está em curso um programa de compras de dívida pública até setembro, a um ritmo mensal de 30 mil milhões de euros. Mas, ao contrário dos anteriores comunicados oficiais, desta vez o BCE já não fala em aumentar estes estímulos, seja em montante de compras ou de duração.

Se se impõem taxas alfandegárias contra aqueles que são aliados, quem serão então os inimigos?

Mario Draghi

Presidente do BCE

Ao deixar cair a promessa de uma extensão deste programa, numa decisão que foi “unânime”, Draghi e os governadores dos bancos centrais mostram-se mais confiantes em relação à solidez da economia.

“A informação que estamos a receber, incluindo as projeções do nosso staff, confirma o forte e amplo crescimento na economia da Zona Euro, cuja projeções apontam para uma expansão no curto prazo mais rápida do que o esperado”, disse o presidente do BCE.

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