Nos pode comprar a SIC? “Não vamos especular sobre cenários hipotéticos”

A Nos garante que a possibilidade de avançar para a compra do grupo Impresa, para fazer frente à compra da Media Capital pela Altice, é um "cenário hipotético" ainda "por confirmar".

Miguel Almeida, presidente executivo da Nos.Paula Nunes/ECO

O presidente executivo da Nos NOS 1,68% disse esta segunda-feira que a compra da Media Capital por parte da concorrente Altice “põe em causa a concorrência no setor” das telecomunicações e também “o pluralismo em Portugal”. No entanto, sobre a possibilidade de avançar para uma operação semelhante, como por exemplo a compra do grupo Impresa, o gestor afirmou: “Nesta fase, não vamos especular sobre cenários hipotéticos que estão ainda por confirmar.”

“A nossa posição sobre essa operação é conhecida, está publicada, é bastante clara e não a alteramos de forma nenhuma. Mantemos a mesma opinião, que temos vindo a dar conta aos reguladores. Compete-lhes decidir o destino desta operação”, disse Miguel Almeida. A hipótese da compra da dona da SIC foi um cenário posto em cima da mesa por parte de alguns analistas financeiros, depois de o gestor ter dito que se a compra fosse aprovada, iria haver “guerra”, com uma resposta na mesma medida.

Dividendo acima do lucro? “Estrutura de capitais é sólida”

A Nos apresentou resultados antes da abertura da bolsa de Lisboa que surpreenderam o mercado. A operadora viu o resultado líquido no ano de 2017 subir 37% para mais de 124 milhões de euros e propôs um aumento do dividendo na ordem dos 50%, de 20 para 30 cêntimos por ação. É um payout de 125%.

Para justificar a subida do dividendo e o facto de a Nos dar aos acionistas 25% mais do que o que a empresa lucrou em 2017, Miguel Almeida garantiu que a Nos tem uma estrutura de capitais “sólida”. José Pedro Pereira da Costa, administrador financeiro da operadora, acrescentou ainda: “Pensamos ter as bases para esta remuneração acionista progressiva e sustentada. Temos uma estrutura de capitais sólida e um nível de geração de cash flow muito forte.”

O presidente executivo comentou ainda uma notícia do ECO, indicando que o BPI considera que o dividendo é baixo, referindo: “Nós achamos que é o adequado para permitir uma distribuição do valor aos acionistas. Acreditamos que este nível de dividendos é sustentável, e sustentável no sentido de que acreditamos que poderá aumentar.” Isso, explicou, depende dos resultados deste ano.

“Preferia que se falasse de futebol de forma positiva e não por outros motivos”

A Nos é também uma empresa bastante associada ao futebol, o desporto-rei em Portugal. No entanto, a modalidade tem vindo a estar associada a casos na Justiça, como a operação “e-Toupeira”. Questionado sobre se a Nos pode rever a sua forma de estar no futebol português, como por exemplo o patrocínio da “Liga Nos”, Miguel Almeida deixou aquilo que considerou ser “um desabafo”.

“A parceria com o futebol nasce do pressuposto de que o futebol é uma fonte de emoções positivas para as pessoas e queremos associar-nos a essa festa. É relativamente óbvio perceber que, a partir do momento que se discute menos esse tipo de emoções e outro tipo de problemas, não é motivo de regozijo para nós. [Mas] nós temos um compromisso. Não vamos sair do compromisso a meio. Apenas é um desabafo de que preferia que se falasse do futebol de forma positiva e não por outros motivos”, criticou o presidente executivo da operadora.

(Notícia atualizada às 12h29 com mais informações)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Nos pode comprar a SIC? “Não vamos especular sobre cenários hipotéticos”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião