João Vieira de Almeida prepara a sucessão

Managing partner da Vieira de Almeida & Associados (VdA) e filho do fundador admite que já pensa a quem entregará os destinos da gestão do escritório. Tem 56 anos.

João Vieira de Almeida, managing partner da Vieira de Almeida & Associados, uma das sociedades do top 3 do mercado português, está já a preparar a sua sucessão na gestão do escritório fundado pelo seu pai, Vasco Vieira de Almeida. Aos 56 anos, é o rosto da liderança do escritório que já tem presença em 12 jurisdições, com mais de 270 advogados e que está presente, consecutivamente, nos diretórios internacionais especializados de renome.

Uma passagem de testemunho que não acontecerá no imediato, nem tão pouco este ano mas sim a médio prazo, daqui “a uns três, quatro anos”, segundo fonte do escritório explicou à Advocatus.

João Vieira de Almeida falava na sessão de encerramento do QSP Summit — que teve lugar a semana passada — na Exponor, no Porto, num painel em que se discutia liderança e comunicação, perante uma plateia de algumas centenas de pessoas.

“A principal dificuldade de gestão? A médio prazo diria que é o de levar a cabo o processo de sucessão na liderança, estamos todos a aprender, diria que esse é o desafio a médio prazo com mais exigência”, explicava.

O ainda managing partner ficará com o cargo de senior counsel do escritório. Quem o sucederá ainda está a ser pensado mas será um sócio na casa dos 40 anos. “A minha vida na VdA passa por defender a cultura da casa e para isso divide-se em três coisas: ouvir, transmitir a mensagem e viver essa mensagem. Estamos já a trabalhar na nossa própria sucessão”, acrescentava.

"A principal dificuldade de gestão? A médio prazo diria que é o de levar a cabo o processo de sucessão na liderança, estamos todos a aprender, diria que esse é o desafio a médio prazo com mais exigência.”

João Vieira de Almeida, managing partner da VdA

Contactada oficialmente, fonte oficial da Vda prefere não comentar: “é um assunto que está a ser tratado internamente, com ponderação e analise cuidada, pelo que não há nada a acrescentar no momento”.

O escritório foi fundado há 40 anos, por Vasco Vieira de Almeida. Atualmente, assessoram serviços jurídicos ao Banco de Portugal, Brisa, United, Trust Energy, Exxon Mobil e a Johnson & Johnson. Esteve em primeira linha, como representante do Banco de Portugal (BdP) no momento da resolução do BES e do Banif e da venda do Novo Banco. Acompanharam igualmente inúmeras instituições na emissão de dívida e ainda no processo de oferta pública de venda de ações correspondentes a 5% do capital da TAP e em representação da empresa estatal Parpública. Além de apoiar o Conselho de Administração da Sonangol no processo de reestruturação da petrolífera angolana.

A VdA protagonizou ainda uma das mais relevantes transferências de advogados no verão de 2015, com a entrada de 24 advogados ‘roubados’ à Miranda para o departamento de Oil & Gas. Os novos sócios Rui Amendoeira, João Fialho, Rui Andrade, Paulo Costa, Raul Cerveira e Samuel Almeida e o consultor Matthieu Le Roux foram os protagonistas do grupo que em Julho deixou a sociedade concorrente Miranda e integrou a VdA. O anterior managing partner da Miranda, Rui Amendoeira, passou também a integrar o conselho de administração do escritório.

Contratações que permitiram a João Vieira de Almeida apostar ainda mais na internacionalização do escritório e apontar baterias para os mercados de influência francófona no continente africano. João Vieira de Almeida admite que essa internacionalização do escritório representa 20% da faturação total do escritório.

“O nome do escritório não é o meu, é o do meu pai e isso não me traz mais responsabilidade porque é como se fosse outro nome qualquer”, disse ainda João Vieira de Almeida na conferência, no Porto. “Gosto de acreditar que a comunicação é gerida por mim, mas isso é uma ilusão hoje em dia. Preferencialmente a comunicação está nas mãos do líder. Somos 40 sócios, todos têm um voto e isto exige permanentemente um esforço de motivação. A minha função é tanto a de comunicar como a de ouvir, aliás até me posso transformar em psicólogo”, concluiu.

Em novembro, a sociedade mudou-se para um novo escritório, um edifício na zona de Santos, propriedade da Fidelidade Property Europe. O atual escritório – que inaugura oficialmente só agora a 19 de abril – ocupa na totalidade cerca de 8.330 m2 de área bruta acima do solo e 3.192 m2 de área bruta abaixo do solo e resulta de um projeto de reabilitação de um conjunto de naves industriais em Santos, da propriedade da Fidelidade Companhia de Seguros, e a sua conversão num moderno edifício de escritórios.

O edifício, uma referência de estilo em edifícios do tipo industrial da primeira metade do século XX, mantinha a sua arquitetura original de grande interesse, embora em avançado estado de deterioração. A intervenção conservou as fachadas originais do edificado.“Este movimento representa também o nosso compromisso para com a cidade de Lisboa, a quem retribuímos com este projeto de reabilitação, num ambiente cultural e de inovação, e com uma tecnologia que nos prepara para os desafios futuros dos escritórios de advocacia empresarial. Este é também um espaço de proximidade, em que a forte cultura VdA se faz sentir em todo o conceito”, referiu na altura João Vieira de Almeida.

 

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