Zuckerberg vai ao Congresso. Seis perguntas para o líder do Facebook

O criador do Facebook responde ao Congresso em duas audições distintas, perante o Senado e a Câmara dos Representantes. Seis questões a que Mark Zuckerberg devia responder esta terça e quarta-feira.

Mark Zuckerberg vai estar debaixo de fogo esta terça e quarta-feira no Congresso dos Estados Unidos. Pode haver margem para regular a rede social.Y Combinator

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, aceitou enfrentar o Congresso norte-americano em duas audições distintas que terão lugar esta terça e quarta-feira. É uma rara oportunidade para os senadores e congressistas poderem questionar o gestor acerca da cultura da empresa e, sobretudo, das práticas da rede social no que toca aos dados pessoais dos utilizadores.

Mas “rara” porquê? Porque Zuckerberg, que criou o Facebook quando tinha 19 anos, tem mostrado resistência em apresentar-se perante órgãos de soberania. Aliás, antes de surgir o escândalo do uso indevido de dados pela consultora Cambridge Analytica, eram igualmente raras as entrevistas do gestor. E, já depois de ser conhecida a polémica, Zuckerberg deu uma nega ao Parlamento britânico, mesmo sabendo que o Facebook poderá ter tido um papel de relevo no referendo do Brexit.

Esta terça-feira, ao final da tarde, Mark Zuckerberg vai responder perante o Senado e, na quarta-feira, depois da hora de almoço, responde perante a Câmara dos Representantes. Duas sessões que estão a ser amplamente antecipadas pela imprensa internacional, com vários artigos que propõem conjuntos de questões que devem ser colocadas ao presidente executivo do Facebook. Abaixo, o ECO reuniu algumas das mais pertinentes.

Seis perguntas para Mark Zuckerberg

  • Quem é o proprietário dos dados na posse do Facebook? É a empresa ou continuam a ser os utilizadores? Contexto: Enquanto a titularidade dos dados pessoais partilhados com o Facebook mantém-se nos utilizadores, não é certo que estes continuem a ser proprietários de toda a informação na posse da rede social. Isto porque muitos desses dados são recolhidos com recurso a algoritmos avançados e resultam da atividade dos utilizadores na plataforma, ao invés de terem sido introduzidos manualmente. Esta questão, proposta pela ABC News, permitiria apurar qual a posição da empresa em relação a quem detém os dados que o Facebook usa para segmentar publicidade.
  • De que formas é que o Facebook pode ficar menos dependente dos dados dos utilizadores para gerar receita? Contexto: É uma questão sugerida pela Bloomberg. Em causa está o modelo de negócio da rede social, que abre a porta a potenciais abusos à privacidade dos utilizadores. Funciona assim: a rede social mantém-se gratuita; os utilizadores partilham informação na plataforma; a plataforma usa algoritmos para mostrar aos utilizadores publicidade mais eficaz; a empresa cobra mais aos anunciantes por essa publicidade. Parece não haver outra alternativa a este modelo do que passar a cobrar diretamente aos utilizadores, embora seja pouco provável que esse cenário alguma vez tenha estado em cima da mesa. Esta questão permitirá averiguar precisamente isso.
  • Como é que o Facebook vai garantir que a segurança dos dados dos utilizadores não volta a ser posta em causa no futuro? Contexto: Mark Zuckerberg fala muito em aprender com os erros. No entanto, os últimos anos têm sido de sucessivos pedidos de desculpa por parte do presidente executivo do Facebook. Por isso, é importante que o fundador da maior rede social do mundo preste algum tipo de garantia de que situações deste género não se vão repetir no futuro, como nota a ABC News. Mark Zuckerberg tem de estar confiante nas medidas que tem vindo a tomar para mitigar este problema. Até porque já veio garantir que continua a ter condições para se manter à frente da companhia.
Mark Zuckerberg criou o Facebook quando tinha apenas 19 anos.Caricatura por DonkeyHotey/Flickr
  • O Facebook vai agora simplificar os seus termos e condições e o painel de privacidade. Porque é que isso não ficou feito das vezes anteriores? Contexto: É uma questão proposta pela ABC News, que lembra que o Facebook já atualizou sete vezes as suas definições de privacidade nos últimos dez anos. O objetivo é sempre o mesmo: tornar o painel mais simples de usar. Mas isso também mostra que, das últimas vezes que essas funções foram atualizadas, continuaram a deixar margem para melhorias. Que garantia dá Zuckerberg de que desta vez é que tudo fica certo?
  • Porque é que recusou já por três vezes responder perante o Parlamento britânico? Contexto: O Reino Unido é um importante mercado para o Facebook. No entanto, apesar das audiências desta terça e quarta-feira, Mark Zuckerberg nunca respondeu perante a soberania britânica, mesmo face aos indícios de que o Facebook também terá sido usado para manipular os eleitores no referendo do Brexit. Na opinião de Carole Cadwalladr, jornalista do The Observer, que ajudou a expor o uso indevido de dados por parte da Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg deve ser confrontado e questionado sobre o porquê de ter rejeitado, já por três vezes, responder perante os deputados britânicos. Sobretudo depois de o Facebook ter decidido suspender a consultora AIQ, por alegadas ligações à Cambridge Analytica. A AIQ terá tido um papel preponderante no referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia.
  • A ideologia política dos candidatos a empregados no Facebook tem algum peso no processo de seleção? Contexto: O Facebook evita a todo o custo assumir posições fraturantes. Tomar uma posição num assunto como o frente a frente entre Democratas e Republicanos poderia ter efeitos indesejáveis para a empresa. Ainda assim, a rede social esteve envolta em polémica por causa disso mesmo, quando pôs um grupo de jornalistas a escolherem as notícias que apareciam destacadas nas zona das tendências na plataforma. Esta questão, sugerida pela Bloomberg, deverá pôr Mark Zuckerberg à prova.

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