Portugueses quase duplicam aposta na emissão da CGD. Reino Unido fica com 33%

  • Rita Atalaia
  • 21 Junho 2018

Na segunda emissão de dívida equiparada a capital da CGD, o Reino Unido voltou a ser a principal destino dos títulos. Contudo, o interesse dos portugueses quase duplicou face à primeira operação.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi ao mercado para concluir o plano de capitalização. Colocou 500 milhões de euros com um juro de 5,75% que atraiu o interesse de “largas dezenas de investidores”. Apesar de continuarem a ter origem sobretudo no Reino Unido, os investidores portugueses reforçaram o interesse na dívida do banco estatal, quase duplicando o peso nesta operação em comparação com a primeira emissão.

“Na distribuição geográfica do montante final alocado aos investidores desta emissão destacaram-se o Reino Unido (33%), Portugal (26%), Espanha (8%), França (8%) e Suíça (7%)”. refere o banco estatal num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Na primeira emissão, os investidores portugueses representaram 14%, enquanto os do Reino Unido eram 59%.

Quanto ao tipo de investidores, “são de salientar os gestores de ativos, que tomaram cerca de 76% do total da emissão”, nota a CGD. Ou seja, conta com investidores que tendem a comprar títulos para os manter durante longos períodos, o que dá estabilidade à dívida do banco estatal.

De acordo com a Bloomberg, a procura superou os 800 milhões de euros, tendo a CGD colocado 500 milhões de euros com uma taxa substancialmente inferior à de 10,75% registada na primeira operação. “O custo financeiro é substancialmente inferior”, afirmou José de Brito, o administrador financeiro do banco público, há um mês.

Estas duas emissões não são, contudo, diretamente comparáveis já que na primeira o instrumento utilizado (obrigações Additional Tier 1) é mais arriscado do que nesta operação (AT2).

Apesar de não serem comparáveis, o facto de a CGD ter obtido autorização de Bruxelas para emitir este tipo de dívida permite à instituição financeira poupar cerca de 25 milhões de euros por ano. De acordo com Paulo Macedo, estava prevista uma descida entre 3,5 e 4 pontos em juros, o que permitia poupanças de 17,5 a 20 milhões de euros.

(Notícia atualizada às 17h45 com mais informação)

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