Banca portuguesa diz que cobra comissões mais baixas do que a espanhola nos serviços básicos

A associação que representa os bancos considera que o estudo da Deloitte que diz que as comissões bancárias em Portugal são o dobro de Espanha foi assente em pressupostos errados.

A Associação que representa os bancos portuguesa já reagiu ao estudo da Deloitte que aponta Portugal como tendo comissões mais altas do que em Espanha. São várias as críticas da Associação Portuguesa de Bancos (APB) que vão desde a falta de “rigor” à seleção da amostra de bancos que diz “comporta limitações essenciais”. A entidade liderada por Faria de Oliveira diz ainda que a banca portuguesa, no que respeita aos serviços mais básicos, tem comissões mais baixas do que a espanhola.

Num comunicado publicado no seu site, a APB começa por dizer que “as conclusões do estudo são relativas a um conjunto de comissões e de custos de serviços muito diversos, com expressão bastante diferenciada nos diferentes mercados”, criticando a metodologia utilizada.

“Ao não focalizar a análise num número limitado de serviços de grande relevo para os consumidores e efetivamente comparáveis, o estudo resolve mal as dificuldades de pertinência e rigor no benchmark comparativo sobre comissões”, especifica a entidade liderada por Faria de Oliveira.

O alvo das críticas da APB é um estudo da Deloitte encomendado pelos bancos espanhóis no qual é dito que a banca portuguesa cobra o dobro das comissões da banca espanhola, apesar de continuar a cobrar abaixo da média de outros países europeus.

“A APB estima que nos serviços bancários básicos e de utilização generalizada (como Comissões de Manutenção ou Operações com Cartão de Débito), Portugal apresenta custos abaixo daqueles que são praticados em Espanha“, diz acrescentando que “a grande desproporção entre Portugal e Espanha que o estudo da Deloitte sugere não nos parece corresponder à realidade“, diz o estudo.

Mas há mais críticas. Nomeadamente relativas ao universo de instituições consideradas no estudo. “A seleção da amostra de bancos analisados comporta limitações essenciais. Por um lado, comparam-se onze bancos espanhóis com cerca de três nos outros Estados-Membros e, por outro lado, a tipologia dos bancos selecionada comporta desequilíbrios (a Caixa Geral de Depósitos, maior banco nacional, por exemplo, fica de fora em Portugal) e é apenas considerado um “banco digital” por país”, especifica a APB. O estudo da Deloitte considerou, em Portugal, apenas o Novo Banco, Santander Totta, BCP e ActivoBank.

Outro alvo das críticas incide sobre a falta de diferenciação das características das plataformas disponíveis nos diferentes mercados. No que respeita a Portugal, a associação de bancos dá o exemplo do Multibanco que “permite a utilização generalizada e gratuita de uma gama muito mais vasta de serviços que não se encontra habitualmente disponível noutros países da Europa”. “É uma distorção negativa muito significativa em relação a Portugal”, acrescenta a APB que diz ainda que encomendou um estudo comparativo sobre comissões bancárias cujas conclusões “serão oportunamente apresentadas”.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h45)

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