PIB per capita português encolheu. É o quarto mais baixo da Zona Euro

Portugal fica à frente da Eslováquia, Grécia e Letónia. A redução acontece no ano em que o PIB cresceu ao nível mais alto desde 2000 e com uma política de devolução de rendimentos do Governo.

O PIB per capital português (PPC) registado em 2017 ficou na sombra do valor europeu. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a riqueza gerada por habitante encolheu, sendo agora a quarta mais baixa da Zona Euro.

Em Portugal, no ano passado, o PPC situou-se em 76,6%, valor inferior em 0,6 pontos percentuais ao que foi verificado em 2016 (77,2%). Uma quebra que não é, contudo, exclusiva, já que outros países registaram a mesma evolução, mas deixa Portugal no fundo da tabela. Entre os 19 da Zona Euro, ocupava, em 2017, a 16.ª posição.

Apresentava, portanto, o quarto valor mais baixo do conjunto da moeda única, atrás da Estónia (78,8) e da Lituânia (78,4), ficando apenas à frente destes três países: Eslováquia, Grécia e Letónia.

Esta descida acontece precisamente no ano em que Portugal registou o maior crescimento do PIB desde o ano de 2000. Em 2017, o país registou um crescimento de 2,8% no PIB. Isto significa que apesar do aumento do bolo total da riqueza produzida, na hora de a distribuir, cada habitante ficou com uma fatia mais pequena. O PIB per capita medido em Paridades de Poder de Compra compara a riqueza por habitante produzida nos vários países face à União Europeia, descontando as diferenças de evolução de preços em cada uma das economias.

Além disso, nesse ano, o Governo continuou a desenvolver uma política de devolução de rendimentos. Entre as principais medidas estão o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN), que passou de 530 para 557 euros, entre 2016 e 2017. A sobretaxa de IRS desapareceu, começando a baixar primeiro para as famílias de rendimentos mais baixos e passando depois para as de rendimentos mais elevados. Em agosto desse ano, as pensões até quase 630 euros tiveram aumentos de 10 euros. E houve manuais escolares gratuitos para todos os alunos do 1.º ciclo.

Algarve cresce mais, mas Área Metropolitana de Lisboa é o motor

Olhando para o conjunto de riqueza produzido pelo país, os números mostram que o Algarve foi a região que mais cresceu (3,5%), ficando acima dos 2,8% (variação real do país). Segue-se o Alentejo, que somou 3,2%, a Região Autónoma da Madeira, que registou uma variação de 3,1%, e, por fim, a Área Metropolitana de Lisboa (AML), que cresceu 3,0%.

Apesar de a AML ficar em quarto lugar no que toca aos líderes do crescimento, esta continua a ser a região que apresenta a maior produção de riqueza (36%). Este valor permite concluir que mais de um terço da riqueza do país vem da AML. O Norte segue a tendência e ocupa o segundo lugar do pódio, registando 29,9%, de acordo com o INE.

As discrepâncias na Europa

De um extremo da tabela ao outro — ou seja, de Luxemburgo à Bulgária — vão 203,7 pontos percentuais. O Luxemburgo é o país que aparece no primeiro lugar do pódio quando o assunto é distribuição de riqueza por habitante. O PIB per capita considerando paridade dos poderes de compra neste país é 253% da média da União Europeia (UE).

“O Luxemburgo apresenta o maior índice de volume entre todos os 37 países incluídos nesta análise, mais de duas vezes e meia acima da média da UE28”, pode ler-se na nota informativa do INE.

Já a Bulgária, por outro lado, é o país da União Europeia (UE) que apresenta o maior distanciamento da média da UE, com 49,3%. O valor registado no Luxemburgo é, para ter uma ideia, cerca de cinco vezes superior ao da Bulgária.

Conforme explica o INE, a despesa de consumo individual per capita “é um indicador mais apropriado para refletir o bem-estar das famílias”, enquanto o PIB per capita é sobretudo um indicador “do nível da atividade económica”.

 

(Notícia atualizada com mais informação às 12h05)

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