Huawei perde liderança em Portugal. Trump penaliza vendas de smartphones

A guerra comercial interrompeu o crescimento das vendas de smartphones da Huawei em Portugal, que caíram 4,1%. A Samsung acelerou e ultrapassou a marca chinesa.

É uma reviravolta no marcador. As medidas do Presidente Donald Trump contra a tecnológica Huawei penalizaram as vendas da marca em Portugal, o que permitiu à concorrente Samsung ganhar a liderança do mercado nacional. No segundo trimestre, marcado pelas restrições impostas pelos EUA ao abrigo da guerra comercial com a China, a Huawei Portugal vendeu menos 7.462 smartphones do que no mesmo período do ano passado. Já a Samsung vendeu quase mais 32 mil telemóveis.

Os dados recolhidos pela consultora independente IDC, divulgados esta sexta-feira, mostram uma inversão da tendência de crescimento da Huawei no mercado nacional. Depois de dois anos a subirem, as vendas da empresa chinesa em Portugal, incluindo as da marca irmã Honor, caíram 4,1% entre abril e junho, para 173.437 smartphones vendidos.

Em causa, um período particularmente conturbado para a Huawei. Acusada de servir de veículo de espionagem do regime comunista chinês, a empresa privada, que nega as acusações, viu-se colocada na lista negra norte-americana das exportações. Uma medida da Administração Trump que tornou praticamente impossível que empresas como a Google, fornecedora do Android, mantivesse relações comerciais com a Huawei.

Os dados confirmam, assim, uma notícia avançada pelo ECO em maio, que apontava para uma mudança no mercado português devido às restrições norte-americanas. Desde logo, porque a hipótese de a Huawei vir a perder o acesso a algumas funcionalidades do Android fez tremer o mercado como um todo. As vendas totais de smartphones no segundo trimestre caíram 7,7% em relação ao período homólogo, com as empresas a venderem 593.372 smartphones neste período, numa altura em que os consumidores tiveram dúvidas em relação às implicações da decisão no funcionamento dos aparelhos.

Apesar da contração nas vendas, a quota de mercado da Huawei subiu de 28,1% para 29,2%. Sobretudo devido à perda de quota de mercado por parte da TCL, que comercializa marcas como a Alcatel. Além disso, no cômputo geral, fonte oficial da IDC explicou que, no semestre, as vendas da Huawei até subiram, mas fruto do bom desempenho da empresa registado entre janeiro e março.

Samsung acelera vendas. Xiaomi conquista fãs

Sem grande surpresa, a Samsung acabou por ser a principal beneficiada pelos problemas com a concorrente. As vendas da marca sul-coreana dispararam 19,4%, para 196.210 smartphones vendidos, contra os 164.288 comercializados no mesmo trimestre de 2018. Um desempenho que permitiu à marca consolidar a posição de líder de mercado em Portugal, seguida de perto pela Huawei.

No que toca à Apple, o iPhone continua a ocupar o terceiro lugar em quota de mercado no país, tendo vendido 66.351 smartphones. Trata-se de uma subida de 14,9%, com a quota de mercado da marca a subir de 9% no ano passado para 11,2% este ano.

No campo das marcas em crescimento, o destaque vai para a Xiaomi. A marca chinesa tem conquistado cada vez mais fãs em Portugal, tendo registado um disparo nas vendas na ordem dos 24,7% em termos homólogos. No último trimestre, os portugueses compraram 22.964 telemóveis da empresa.

Huawei já lançou o “plano B”

Com a perspetiva de vir a perder o acesso à versão comercial do Android, o que seria devastador para o negócio na Europa, a Huawei apresentou esta sexta-feira o tão falado “plano B”: um novo sistema operativo desenvolvido pela própria companhia para substituir o sistema da Google.

Chama-se HarmonyOS, ou HongmengOS no mercado asiático. E, segundo Richard Yu, líder do segmento de consumo da empresa, está preparado para ser usado numa gama alargada de aparelhos, desde os smartphones às televisões, passando pelas colunas inteligentes e até pelos sensores. A notícia foi avançada pela CNBC.

O novo sistema operativo vai ser lançado na Ásia, nesta primeira fase, e surge num momento de incerteza em torno da relação entre a Huawei e a Google. Perspetiva-se que os EUA clarifiquem em breve se as fornecedoras norte-americanas vão ou não continuar proibidas de comercializar tecnologia à Huawei, um passo que será decisivo para determinar qual vai ser o destino da empresa.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Huawei perde liderança em Portugal. Trump penaliza vendas de smartphones

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião