Dia 3: O desafio às negociações e o “acordo histórico”

O terceiro dia de greve dos camionistas foi marcado pelo desafio às negociações pelo sindicato dos motoristas de matérias perigosas, mas também pelo "acordo histórico" da Antram e da Fectrans.

Os ânimos subiram de tom esta quarta-feira, com mais motoristas a serem identificados por não cumprirem a requisição civil do Governo. Uma medida que o Executivo decidiu manter nos mesmos termos ao final do dia, uma vez que, apesar de os motoristas terem ameaçado não trabalhar, os serviços mínimos acabaram por ser “genericamente cumpridos”.

Houve avanços nas negociações para o fim da greve, com o lançamento de um desafio dos trabalhadores aos patrões para voltarem à mesa das negociações, e um acordo assinado entre a Antram e a Fectrans, do qual ainda não se conhece o teor, mas que é considerado “histórico” pelas duas entidades.

As próximas horas poderão ser decisivas. Mas, até serem conhecidas novidades, o melhor é consultar a terceira edição deste Diário da Greve.

Notícia do dia 📰

Motoristas recusam cumprir serviços mínimos e requisição civil

O país acordou esta quarta-feira com a notícia de que os motoristas iam fazer finca-pé à requisição civil parcial, que foi interposta pelo Governo no primeiro dia da greve. Em causa estiveram as declarações do ministro João Pedro Matos Fernandes, que disse que 14 motoristas já tinham sido identificados por não cumprirem a requisição civil.

O apelo, pela voz do advogado dos motoristas de matérias perigosas, Pedro Pardal Henriques, levou a associação dos patrões a acusar os trabalhadores de falta de responsabilidade. “É uma irresponsabilidade recusar uma requisição civil. Falamos de hospitais que estarão em causa a partir de hoje [quarta-feira]”, afirmou André Matias de Almeida, porta-voz da Antram.

Mas, apesar da ameaça, o Governo veio garantir ao final do dia que os serviços mínimos foram “genericamente cumpridos”, à exceção dos transportes de combustível para os aeroportos de Lisboa e de Faro. Nestes casos, previstos nos serviços mínimos, as forças de segurança e as forças armadas já entraram em cena para substituir os camionistas.

Frase do dia 💬

“Sabemos quem eles são, temos a lista dos trabalhadores. Já foram identificados pelas empresas e vão ser notificados do incumprimento.”

Perante a decisão dos sindicatos de não cumprirem os serviços mínimos e de ignorarem a requisição civil, o Governo endureceu o discurso e recordou que o incumprimento de uma requisição civil acarreta consequências. Por isso, ao início da tarde, o ministro João Pedro Matos Fernandes veio frisar que o Governo já tem a lista dos desobedientes e que os mesmos irão ser procurados pelas autoridades.

Imagem do dia 📷

Agentes da Unidade Especial de Polícia junto à Petrogal, onde se concentraram os motoristas de matérias perigosas no terceiro dia de greve.ESTELA SILVA/LUSA

O Governo identificou pelo menos 20 motoristas que não cumpriram a requisição civil. Por isso, procura notificá-los de que estão a incorrer em desobediência. Apesar de alguns já terem sido notificados pelas autoridades, uma parte desses trabalhadores encontram-se por localizar pela polícia, que tem mantido uma forte presença no terreno.

Ponto de situação nas bombas ⛽

A par dos problemas no abastecimento dos aeroportos de Lisboa e Faro, confirmados pelo Governo, a plataforma não oficial #JáNãoDáParaAbastecer pinta um cenário ligeiramente mais gravoso do que o registado esta terça-feira.

Por volta das 20h35, num universo de 2.955 postos de abastecimento, 830 não tinham gasóleo (vs. 794 na terça-feira) e 601 não tinham gasolina (vs. 550 na terça-feira). No que toca à REPA, 69 de 331 postos disponíveis aos cidadãos não tinham gasóleo e 42 não tinham gasolina. Na REPA apenas disponível para os meios de socorro e veículos equiparados (como as carrinhas de valores), 4 em 55 não tinham gasolina e 7 não tinham gasóleo.

Ponto de situação nas negociações 🤝

Apesar dos ânimos mais exaltados, este foi também o dia em que se viram mais avanços nas negociações. Os motoristas fizeram um “desafio público” à Antram para reunir esta quinta-feira, às 15h00, na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho e o Governo abriu as portas a uma nova tentativa de mediar o conflito laboral que se arrasta há meses.

À hora de publicação desta terceira edição do Diário da Greve, André Matias de Almeida, porta-voz da Antram, ainda não tinha respondido diretamente ao apelo dos sindicatos. Mas disse que novidades sobre este aspeto poderiam ser dadas ainda esta quarta-feira.

No entanto, a associação dos patrões também marcou o dia com a negociação de um acordo com a Fectrans, que considerou “histórico”. Esse acordo foi apresentado ao Governo esta quarta-feira e ainda não se conhece o teor do documento. O acordo com a Fectrans, que decidiu não aderir à greve, poderá ameaçar o protesto dos dois sindicatos em greve.

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