Vem aí uma surpresa no rating da S&P para Portugal?

Spoiler alert: analistas não esperam novidades no rating de Portugal. Ainda assim, S&P pode abrir a porta para uma revisão em alta no futuro. Prudência deve-se ao abrandamento económico e eleições.

Não se esperam grandes novidades da decisão da Standard & Poor’s relativamente ao rating de Portugal, depois de em março a agência de notação financeira ter melhorado a notação de risco da República em um nível.

Para o início da noite desta sexta-feira está reservado um comunicado daquela agência para informar o mercado sobre qual a avaliação que faz do desempenho económico e financeiro do país, isto é, sobre qual o grau de risco que os investidores devem ter em conta quando adquirem dívida portuguesa.

Da última vez que a S&P atualizou o rating de Portugal, a 15 de março, as notícias foram positivas: o rating subiu um degrau na escala, para “BBB”, afastando-se um pouco mais do patamar considerado “lixo”. Desta vez, Portugal não deve esperar muitas surpresas no que deverá ser a ação da S&P, com os analistas a anteciparem mudanças apenas na perspetiva de evolução (o chamado outlook), de “estável” para “positivo”, o que abriria a porta a nova revisão em alta nos próximos meses.

“A decisão da S&P deverá ser a de manter o rating e possivelmente melhorar o outlook para uma revisão futura”, refere Filipe Silva, diretor de Gestão de Ativos do Banco Carregosa, ao ECO. “Estamos numa fase do ciclo económico mundial em que se assiste a um ligeiro abrandamento de algumas economias, na Europa em especial na Alemanha, que até poderá entrar em recessão, por isso a decisão mais prudente será a de manter o rating”, explicou o gestor.

A proximidade das eleições legislativas também deve condicionar a decisão da S&P, que não deixará, porém, de fazer avisos. Na anterior revisão, os analistas da agência frisaram sobretudo dois pontos que poderia impactar negativamente o rating da República: “se deixasse de haver progressos na descida da dívida pública em percentagem do PIB ou se as autoridades revertessem reformas que beneficiaram a flexibilidade do mercado de trabalho e do produto”.

Um ponto importante: o atual contexto da decisão de rating não tão urgente como foi num passado recente. Sobretudo por duas razões: Portugal já está qualificado como “investimento de qualidade” nas três principais agências de notação financeira; depois, o Banco Central Europeu (BCE) tem sido decisivo na compressão dos juros da dívida portuguesa para mínimos impensáveis. Esta quinta-feira, a yield associada às obrigações a 10 anos estava nos 0,24%, negociando em baixa após Draghi ter anunciado uma nova ronda de estímulos.

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