CTT duplicam lucros com “efeito extraordinário” e contributo da 321 Crédito

A empresa liderada por João Bento viu o resultado líquido quase duplicar entre janeiro e setembro, para 22,9 milhões de euros.

Os lucros dos CTT CTT 1,47% quase duplicaram entre janeiro e setembro. O resultado líquido da empresa cresceu 99,7% neste período, para 22,9 milhões de euros, fruto da “melhoria operacional”, do contributo líquido adicional da 321 Crédito e de um efeito positivo ao nível fiscal, de caráter “extraordinário”.

Estes efeitos positivos, que puxaram pelas contas do grupo, foram mais expressivos no terceiro trimestre. Entre julho e setembro, os lucros os CTT mais do que triplicaram, tendo crescido 245,1%, para 13,9 milhões de euros, informou a empresa num comunicado enviado à CMVM.

Segundo os CTT, a 321 Crédito gerou um contributo líquido para a empresa de 4,3 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Trata-se de uma empresa de crédito especializado cuja aquisição por parte do grupo CTT foi concluída em maio. Relativamente ao “efeito extraordinário”, tratou-se de um reembolso de IRC relacionado com a compra da Tourline.

Os lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) também melhoraram até setembro. Cresceram 12,7%, para 73,3 milhões de euros. A melhoria é explicada com o “crescimento orgânico e inorgânico do Banco CTT (mais 9,4 milhões de euros) e dos serviços financeiros (mais sete milhões de euros) que compensaram o decréscimo verificado no correio e outros (menos 4,3 milhões de euros)”. Ou seja, a estratégia de diversificação de áreas de negócio pelos CTT começa a dar frutos.

No plano das receitas, os rendimentos operacionais aumentaram 2,8% face aos mesmos nove meses de 2019, cifrando-se em 539,6 milhões de euros. A empresa registou crescimentos no negócio do Expresso e Encomendas (com um crescimento de 1,3%, para 110,1 milhões de euros), nas receitas com o Banco CTT (que subiram 73,1%, para 42,9 milhões) e nas dos serviços financeiros (que aumentaram 30,3%, para 24,6 milhões).

Contudo, perdeu receitas em quase toda a linha do segmento de correio, que é o principal negócio do grupo. Em causa, uma queda de 2,8% nestes rendimentos, para 362 milhões de euros. Enviam-se menos cartas trimestre após trimestre e a queda no tráfego do correio endereçado chegou a 9,5%, para um total de 467 milhões de objetos entregues.

Em relação aos custos operacionais, também aumentaram 1,4%, para 466,3 milhões de euros. Desta vez, a empresa conseguiu reduzir o montante pago em indemnizações pelas rescisões contratuais feitas ao abrigo do plano de reestruturação até 2020, uma queda de 6,1 milhões de euros nos custos. Mas este alívio nas despesas foi ofuscado por novas contratações em áreas de crescimento, contratações sazonais durante o verão e aumentos salariais negociados com os sindicatos.

Na expectativa destes resultados, os títulos dos CTT estiveram em alta esta quarta-feira. A ação da empresa valorizou 3,14%, para os 2,76 euros.

Cotação das ações dos CTT em Lisboa

CTT fazem mira a Espanha para “proteger” negócio em Portugal

Em abril, os Correos espanhóis anunciaram a entrada no mercado português para concorrerem com os CTT. Agora, a empresa portuguesa assume o interesse no mercado espanhol como forma “proteger” o negócio em Portugal.

Numa apresentação das contas, a empresa afirma que “uma presença relevante em Espanha é importante para proteger o negócio dos CTT em Portugal”. Na visão da empresa, é um mercado atrativo por ter “oito vezes o tamanho do mercado português” e por estar “a crescer mais rápido do que a economia espanhola”.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h37)

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