Marca CTT entra em Espanha para acabar com “história triste”

Correios vão investir 12 milhões na espanhola Tourline para dar a volta a um negócio que João Bento considerou ser uma "história triste". Plano prevê nova gestão, mais equipamento e mudança de marca.

Carteiro dos CTT.CTT

Os CTT CTT 1,67% vão investir 12 milhões de euros na espanhola Tourline nos próximos três anos, num esforço para dar a volta a um negócio que o próprio CEO do grupo, João Bento, descreveu como uma “história triste” para os Correios. O plano de turnaround prevê um reforço de equipamento, uma nova equipa de gestão e um rebranding da marca: desaparecerá a marca Tourline para dar lugar aos CTT Express. Tudo com o objetivo de chegar a 2021 com a operação no mercado vizinho a dar lucros.

O plano de dar uma segunda vida ao negócio em Espanha foi apresentado aos investidores juntamente com os resultados do último trimestre. João Bento começou por ilustrar a “triste história” da Tourline, uma empresa adquirida pelos CTT em 2005 especializada no serviço de courrier e transporte de correio urgente em Espanha, com os prejuízos que vem registando nos últimos anos.

“É um pouco uma história triste, no sentido de que estamos a perder dinheiro há algum tempo”, referiu o CEO dos Correios. “Houve uma clara trajetória de recuperação que foi repentinamente travada pela perda de um grande cliente, a Amazon. Mas isto também nos permite perceber que não estávamos provavelmente a atacar o mercado da maneira correta”, explicou João Bento na conference call com os analistas que acompanham a ação dos CTT.

Entre 2016 e 2020, a Tourline registará prejuízos operacionais na ordem dos 25 milhões de euros, isto antes de atingir o breakeven, em que as receitas serão iguais às despesas, em 2021, segundo prevê o plano de turnaround.

Tourline atingirá breakeven em 2021

Fonte: CTT. Dados 2019 referentes aos primeiros nove meses.

Nova gestão, mais equipamento e nova marca

O negócio espanhol tem sido uma das pedras no sapato dos CTT há muito tempo. Mas a nova gestão dos Correios vai dar outra oportunidade a Espanha pela dimensão e velocidade de crescimento do mercado espanhol e também pela relação de proximidade com o mercado português.

“O mercado de Expresso e Encomendas em Espanha tem oito vezes o tamanho do mercado português, a economia espanhola é seis vezes maior e tem cinco vezes mais população do que Portugal. O mercado de encomendas está a crescer mais rápido do que a economia espanhola, existindo um forte potencial, impulsionado pelo e-commerce”, dizem os CTT em respostas ao ECO sobre o plano de investimento na Tourline.

“Além disso, uma presença relevante em Espanha é importante para reforçar o negócio dos CTT em Portugal, uma vez que os fluxos transfronteiriços são muito significativos e estão a crescer quer em Portugal quer em Espanha”, acrescentam.

Neste cenário, contratou-se uma nova equipa para levar a cabo este plano de turnaround. E não é uma equipa qualquer, segundo João Bento. “Temos uma nova equipa de gestão, em plenas funções desde setembro. Atrevo-me a dizer que é a equipa mais experiente em Espanha no negócio de encomendas, com uma história significativa de turnaround“, sublinhou aos analistas. “Estamos a falar de SEUR e Correos Express”, frisou ainda.

Mais concretamente, João Bento falava de Manuel Molins, que liderou o turnaround da SEUR, primeiro, e da Correos Express mais recentemente. Agora, vai tentar executar novo plano na Tourline. “Os CTT têm muita confiança na nova equipa de gestão, com forte conhecimento e experiência no setor e para realizar o turnaround necessário”, responde a empresa ao ECO.

A receita para dar a volta à operação em Espanha passará por uma aposta no “crescimento orgânico junto das empresas que atuam no segmento B2C”. Vão ser investidos 12 milhões de euros ao longo do período de execução do plano, com o investimento a ser direcionado sobretudo para a aquisição de “equipamento de sorting de média dimensão, de sistemas de informação, sistemas track & trace e sistemas de order management & fulfillment”, detalha a empresa ao ECO.

Aos analistas, João Bento disse que quer “otimizar o modelo de negócio” através de “maiores níveis de automação e, por conseguinte, de eficiência e de controlo da distribuição”. “É muito difícil ter controlo sobre a distribuição”, reconheceu o gestor que lidera a empresa desde maio.

Está também previsto uma mudança de imagem. Vai desaparecer a marca Tourline e nascerá, no primeiro trimestre do próximo ano, os CTT Express. “Queremos renovar a marca, imagem e o reconhecimento da Tourline. Vamos mudar o nome da marca Tourline, que vai passar a chamar-se CTT Express. Isto vai acontecer brevemente”, disse João Bento.

Os CTT estão em profunda reestruturação perante a quebra acentuada do tradicional negócio postal. Além do Banco CTT, o grupo está a apostar no segmento de Expresso e Encomendas para crescer. A empresa fechou os primeiros nove meses do ano com lucros de quase 23 milhões de euros, o dobro do que tinha alcançado há um ano.

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