Raspadinha é melhor que a Amazon. Negócio rende 4,5 milhões aos CTT

CTT vão distribuir raspadinhas e lotarias nos próximos dois anos, após falência da Urbanos Express. Contrato com Santa Casa vale 4,5 milhões de euros. "É mais importante que a Amazon", diz CEO.

Os CTT CTT 1,53% vão distribuir raspadinhas e lotarias nos próximos dois anos, isto após a fecho da Urbanos Express ter provocado uma rotura na distribuição dos jogos sociais do Estado. O contrato com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai render cerca de 4,5 milhões de euros à empresa de correios. “É mais importante que a Amazon”, assinala o CEO João Bento.

“É um contrato [com a SCML] muito significativo, não apenas pelo valor que tem em si, mas também pelas oportunidades de valor que abre na nossa relação com a Santa Casa. Essa relação é muito mais importante que a Amazon, por exemplo”, referiu o presidente executivo dos CTT na conference call onde explicava aos analistas os resultados dos primeiros nove meses do ano. Os CTT chegaram a setembro com lucros de quase 23 milhões de euros, o dobro do que tinha alcançado há um ano.

Segundo o contrato publicado no Portal Base, publicado no mês passado, o contrato da Santa Casa foi feito por ajuste direto com a CTT Expresso, uma empresa do grupo CTT, pelo valor de 4,49 milhões de euros. Visa a “aquisição de serviços de transporte de correio expresso entre o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e cada um dos estabelecimentos da rede de mediadores dos jogos sociais do Estado” nos próximos dois anos.

A SCML avançou para os CTT depois de o encerramento da Urbanos Expresso ter provocado falhas na distribuição e roturas de stock de raspadinhas e lotarias em alguns dos mais de 5.000 pontos de venda em todo o país, tendo afetado sobretudo a região Norte, segundo adiantou na altura o Dinheiro Vivo (acesso livre).

Os jogos sociais da SCML são muito populares. Os portugueses apostaram mais de três mil milhões de euros em 2018, cerca de 8,5 milhões de euros por dia. As raspadinhas correspondem a metade das vendas.

Amazon vale 400 mil encomendas

Na mesma conferência de analistas, João Bento revelou dados sobre sobre o acordo assinado com a Amazon. Os CTT vão distribuir 400 mil encomendas feitas através do gigante mundial do e-commerce, em regime de não-exclusividade. “A relação está a evoluir muito bem, diria. Apenas para dar alguma noção sobre os números, estamos agora com cerca de 3.500 encomendas por dia”, sublinhou o CEO.

João Bento acrescentou depois que, embora esteja “muito feliz” com a parceria, a “Amazon não é um vendedor online tão importante em Portugal como é em Espanha”, prometendo uma avaliação mais exaustiva sobre a parceria com a empresa de Jeff Bezos mais à frente.

Os CTT continuam em profunda reestruturação perante a quebra acentuada do tradicional negócio postal. São duas as alavancas com as quais a empresa espera dar a volta à crise: o Banco CTT, que atingiu pela primeira vez o break-even operacional este ano, quatro anos depois do seu lançamento, conforme adiantou o ECO; e ainda o segmento de Expresso e Encomendas.

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