Vírus custa mais de mil carros por dia às fábricas nacionais

Praticamente de um dia para o outro, Autoeuropa e PSA Mangualde, mas também a Renault Cacia e Toyota Caetano, fecharam portas por causa do vírus. Perde-se a produção de mais de mil automóveis por dia.

Depois do recorde no passado, a produção de automóveis arrancou o novo ano em quebra. Encolheu com o abrandamento da procura, fruto da desaceleração da economia mundial, mas agora vai travar a fundo. Com o Covid-19 a parar a maioria dos países europeus, Portugal incluído, as fábricas nacionais vão desligar os motores das linhas de produção. Uma decisão que irá certamente contagiar a economia.

Portugal produziu, em 2019, 345.688 veículos automóveis. Foi o melhor ano na história da indústria automóvel nacional, permitindo ao país entrar na primeira liga do setor. Conquistou o direito a entrar no estrito clube dos “países produtores de automóveis”, mas 2020 não está a correr bem. Primeiro foi o abrandamento da economia, levando a produção a recuar, nos primeiros dois meses, em 4,3% — para 60.108 unidades. Agora, no mês que fecha o trimestre, veio o verdadeiro travão.

Praticamente de um dia para o outro, Autoeuropa e PSA Mangualde, mas também a Renault Cacia e a Toyota Caetano, fecharam portas para se protegerem dos riscos do coronavírus. Só com a fábrica do Grupo Volkswagen perdem-se 890 automóveis por dia. A estas juntam-se mais cerca de 270 veículos produzidos diariamente na fábrica da Peugeot, Citröen e Opel, em Mangualde, isto além dos veículos da Toyota e dos componentes da unidade de Cacia.

Todas estas unidades, que contam com milhares de trabalhadores, suspenderam a produção, efetivando-se o desligar das máquinas, na maioria dos casos, esta quarta-feira, 18 de março. E a paragem vai durar. Para já, avançam as várias unidades, deixam de produzir até ao final deste mês, mas o retomar da produção poderá ficar em risco, isto caso se confirmem as expectativas para a evolução do surto que já infetou mais de quatro centenas de portugueses.

Motores tiram força à economia

Este travão à produção é particularmente negativo num contexto em que a atividade económica em praticamente todo o país está a desligar-se, com cada vez mais negócios fechados e famílias em confinamento. E é-o por causa do crescente peso que o setor automóvel tem assumido na economia portuguesa.

Com a produção a disparar nos últimos anos, muito em resultado do sucesso do T-Roc, produzido na Autoeuropa, esta indústria tem ajudado a puxar pelo PIB, colocando-o a cima da média da Zona Euro. “97,3% dos veículos fabricados em Portugal [em 2019] têm como destino o mercado externo, o que, sublinhe-se, contribui de forma significativa para a balança comercial portuguesa”, salientou, recentemente, a ACAP.

A crescente produção de automóveis, e consequente exportação destes, levou mesmo a que no ano passado, a Autoeuropa tivesse passado a ser a maior exportadora do país, destronando a Petrogal, que liderava o ranking há dez anos.

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