Venda de seguros por Bancos cai para quase metade

  • ECO Seguros
  • 20 Setembro 2020

Os bancos venderam menos 43% em seguros, 2 mil milhões de euros, nos oito primeiros meses deste ano em relação a igual período de 2019. No entanto, mediadores e corretores apenas quebraram 1%.

A quebra de vendas do ramo Vida tem provocado a queda do mercado total dos seguros em Portugal, tendo atingido -45% nos primeiros oito meses de 2020 em relação a igual período de 2019. Estes valores são agora revelados no relatório “Produção Emitida de Seguro Direto”, realizado mensalmente pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que constata que os bancos venderam metade dos produtos Vida em relação a 2019. A pandemia pouco pesará neste cenário.

O fenómeno já se notava desde o final do final do ano passado e várias explicações têm sido adiantadas: Baixas taxas de juro nos mercados financeiros levando a menores rendimentos e menor atratividade dos produtos financeiros vida; Por esse motivo, descontinuação de seguros com rendimentos garantidos na oferta das seguradoras; Falta de incentivos fiscais ou outros à poupança em produtos como PPR, que só por si, sofreu uma quebra de 70% de vendas no mercado. Só esta diferença significa que em oito meses de se venderam menos 1,6 mil milhões de euros em PPR, num Ramo Vida que produziu menos 2,2 mil milhões de euros de janeiro a agosto de 2020.

Produção de seguros em Portugal

Neste cenário adverso, que nos primeiros oito meses levou a um decréscimo 45% no ramo Vida, foram os canais comerciais bancários os que mais contribuíram para a descida. Os bancos, tradicionalmente responsáveis por cerca de 65% das vendas do ramo Vida, tiveram uma quebra para metade nos prémios emitidos. Já os outros canais, cerca de 30% dos produtos Vida são vendidos por mediadores e corretores, tiveram uma quebra de apenas 22%, neste ramo, em relação aos oito primeiros meses de 2019.

Segundo fonte do mercado, a juntar aos fatores externos negativos, também a oferta dos bancos de produtos Vida aos seus clientes tem sido muito volátil e inconstante, sempre em concorrência com outros produtos de investimento não seguradores. Já o mercado profissional tem sido mais diligente no combate às condições adversas que o ramo Vida está a enfrentar.

Crescimento em Não Vida não compensa quebra no mercado total

Depois de um crescimento robusto no primeiro trimestre do ano, os ramos Não Vida entraram em período de comportamento incerto quanto a vendas já no tempo dos efeitos Covid-19. Em agosto este conjunto de ramos estagnou o seu crescimento, embora o acumulado dos oito primeiros meses 2020 ainda registe uma evolução positiva de 4%.

Neste último mês divulgado pela APS a produção de seguros do ramo transportes obteve uma subida de 35% nas vendas, relativamente a igual mês do ano passado, depois de meses em que as vendas baixaram drasticamente devido à paragem da economia. O ramo saúde está a manter uma subida de 8,6% desde o início do ano. O ramo automóvel teve um pequeno crescimento em agosto de 0,3%, mas mantém – apesar das consequências da pandemia na venda de automóveis novos – uma subida de 3,2% desde o princípio do ano.

A venda de seguros de incêndio e outros danos, que inclui os multirriscos para habitações e empresas, tem conservado crescimentos entre 4 e 6% em 2020. Os acidentes de Trabalho tiveram uma quebra de 3% em agosto, mantendo ainda assim uma subida de 4,4% desde o princípio do ano, impulsionado pelos crescimentos atingidos no primeiro trimestre do ano.

O relatório apresentado pela APS agrega informação de quase todas as seguradoras do mercado significando mais de 99% da produção do setor em Portugal.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Venda de seguros por Bancos cai para quase metade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião