Vodafone pede suspensão do leilão do 5G por causa do confinamento

A Vodafone pediu à Anacom a suspensão temporária do leilão do 5G por causa dos riscos de contaminação de Covid dos que participam no processo. Operadoras preocupadas com riscos de saúde pública.

A Vodafone Portugal pediu à Anacom a suspensão temporária do leilão do 5G, depois de decretado o novo confinamento em Portugal por causa da evolução desfavorável da pandemia, apurou o ECO junto de fontes do mercado de telecomunicações. A Vodafone é acompanhada, nesta preocupação, pelas outras operadoras, a Altice e a Nos, porque está em causa a segurança e a saúde de todos os que integram as equipas que participam no concurso. E a Direção-Geral de Saúde também já terá sido notificada do que se está a suceder.

Apesar de o processo assentar numa plataforma eletrónica na internet, é necessário que as equipas das operadoras estejam fisicamente presentes para coordenarem a licitação, o que gera constrangimentos e dúvidas do ponto de vista da saúde pública. E, numa altura em que o leilão caminha para o 11.º dia de licitação, Portugal volta a registar recordes de mortes e de novas infeções por Covid-19.

No ano passado, a Anacom subcontratou o desenvolvimento de uma plataforma eletrónica, onde têm hoje lugar as licitações. Esta plataforma funciona na internet, mas há a necessidade de as equipas das operadoras estarem fisicamente presentes para coordenarem a operação, em modo de reunião permanente. Até porque estão em causa licitações de centenas de milhares de euros, ou mesmo de milhões nas frequências mais importantes e apetecíveis.

Teoricamente, as operadoras poderiam promover a realização do leilão remotamente. Mas tal não é possível na prática, por várias ordens de razão: por um lado, é necessária confidencialidade na estratégia; por outro, é preciso assegurar que as ligações à plataforma da Anacom não falham. A presença física é, por isso, vista como essencial, dada a “relevância e complexidade” do processo, comentou ao ECO uma fonte do setor. “Não seria possível estar a utilizar uma rede doméstica por parte de um funcionário no momento do leilão, por razões de segurança e fiabilidade, menos ainda quando não há aulas e muitos deles têm filhos em casa”, acrescenta.

Como tal, o ECO sabe que as operadoras criaram autênticas war rooms — salas desenhadas especificamente para o efeito do leilão, apetrechadas com potentes ligações à internet e redundâncias, de forma a mitigar a possibilidade de ocorrência de falhas. Tal exige, portanto, a presença física das equipas, que podem ser compostas por mais de uma dezena de pessoas.

Mas toda a segurança é pouca. Basta um desses funcionários testar positivo à Covid-19 para todos os elementos poderem ter de ficar em casa em isolamento profilático. É esta questão na base da preocupação das operadoras, que procuram agora orientações e esclarecimentos do regulador do setor.

Contactada oficialmente, a Vodafone escusa-se a fazer quaisquer comentários. O ECO também questionou a Anacom sobre o pedido de suspensão e sobre o impacto do confinamento no procedimento do leilão em curso, bem como se foi dada alguma indicação às empresas que estão a competir pelas frequências, concretamente sobre a crise sanitária e estes novos constrangimentos. Também se encontra a aguardar resposta.

Novo confinamento não travou 5G

No ano passado, após decretado o estado de emergência em meados de março, o dossiê do 5G foi suspenso e a consulta pública sobre o regulamento foi interrompida, tendo sido retomada mais tarde, quando a situação epidemiológica estava mais estabilizada. Desde então, a Covid-19 voltou a propagar-se no país e uma terceira vaga da pandemia colocou Portugal no topo das piores estatísticas sobre o vírus a nível mundial.

Desta vez, contudo, o leilão, que já tinha começado formalmente no final do ano passado para os chamados “novos entrantes”, não foi interrompido e a fase principal de licitação — a que abrange empresas como a Meo, Nos e Vodafone — acabou por ter mesmo início a 14 de janeiro. Ainda decorre, com cerca de seis rondas a terem lugar por dia, apesar do confinamento generalizado decretado em todo o território nacional.

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