Costa e Silva diz que aposta no SNS deve abranger carreiras médicas

  • Lusa
  • 21 Fevereiro 2021

O gestor que elaborou o programa de recuperação do país até 2030 defendeu num evento que a aposta do Governo no SNS não pode ser só em infraestruturas e deve abranger as carreiras médicas.

O gestor António Costa e Silva elogiou a “aposta forte no Serviço Nacional de Saúde (SNS)” feita pelo Governo no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas defendeu que deve abranger as carreiras médicas.

O professor universitário e gestor da petrolífera Partex, que o primeiro-ministro, António Costa, escolheu para preparar um programa de recuperação económica e social do país até 2030, denominado “visão estratégica” e apresentado no ano passado, pronunciou-se este sábado sobre o PRR do Governo, que está desde terça-feira em consulta pública.

Numa intervenção por videoconferência num fórum promovido pela Juventude Socialista (JS) intitulado “Vencer o futuro – Faz ouvir a tua voz”, António Costa e Silva sustentou que “a crise pandémica mostrou que nestas alturas, quando há uma crise exógena brutal”, a salvação “não são os mercados, é o Estado, o SNS”.

“Eu fico muito contente que o Governo tenha contemplado, no âmbito do PRR, uma aposta forte no SNS, no sistema nacional de saúde. E penso que essa aposta se deve fazer não só ao nível das infraestruturas, mas também nos profissionais, nas carreiras médicas, na valorização e na criação de condições para respondermos às crises futuras”, acrescentou.

Fico muito contente que o Governo tenha contemplado, no âmbito do PRR, uma aposta forte no SNS […]. Penso que essa aposta se deve fazer não só ao nível das infraestruturas, mas também nos profissionais.

António Costa e Silva

O professor e gestor advertiu que Portugal tem de estar preparado para enfrentar “não só risco da próxima pandemia, mas também das catástrofes naturais, dos incêndios, o risco sísmico”.

No seu entender, por isso, “no âmbito do PRR”, deve-se procurar “criar uma espécie de internet do território”, que consiste na “capacidade de recolher dados com fotografia aérea, imagens de satélite, drones, sensores, e a capacidade de tratar esses dados”, para “depois se definir as políticas adequadas”.

Por outro lado, nesta intervenção, António Costa e Silva insistiu na ideia de “sediar em Beja ou em Mértola a capital europeia ou a capital mediterrânica da luta contra a desertificação, para mobilizar os fundos europeus, mobilizar a capacidade científica, as universidades, os politécnicos, as autarquias, as empresas, para fazer face a esse fenómeno”. “Há fundos europeus destinados à luta contra a desertificação”, assinalou.

Segundo Costa e Silva, esta “é uma área em que Portugal pode desempenhar um papel muito importante, porque pode pôr o seu papel geopolítico ao serviço da geoeconomia”, aproveitando o seu softpower “para lutar contra aquilo que é um dos grandes desafios deste século, a luta contra a desertificação, contra a ameaça ambiental”.

O professor do Instituto Superior Técnico ressalvou que o PRR não é o único instrumento que dará sequência à “visão estratégica” que apresentou, destacando a importância do quadro financeiro plurianual da União Europeia. “E é evidente que existe no PRR pouco daquilo que estava na visão estratégica em termos do mar, mas o mar é uma das apostas fundamentais para o futuro, não só em termos dos portos, das plataformas logísticas, mas também da investigação de tudo aquilo que se passa em termos dos oceanos”, apontou.

António Costa e Silva deu como exemplo a Noruega e a sua participação num projeto com sensores e sistemas de inteligência artificial no fundo do mar: “Usando a ciência, o conhecimento, intervêm ao nível da gestão dos cardumes, da definição dos tempos de pesca e subitamente o que estamos a ver é uma pesca sustentável, reavivar dos cardumes, é o uso inteligentemente dos recursos”.

O Plano de Recuperação e Resiliência, que Portugal apresentou para aceder às verbas comunitárias para fazer face às consequências da pandemia de Covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, correspondentes a um total de 13,9 mil milhões de euros de subvenções.

Depois de um primeiro esboço apresentado à Comissão Europeia, em outubro passado, e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou a versão preliminar e resumida deste plano em consulta pública, na passada terça-feira.

Segundo o executivo, foram definidas três “dimensões estruturantes” de aposta – resiliência, transição climática e transição digital -, às quais serão alocados 13,9 mil milhões de euros de subvenções a fundo perdido das verbas europeias. No documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros através de empréstimos.

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