Candidatos ao Montepio querem abrir capital do banco e divergem no apoio público

O que defendem Virgílio Lima (Lista A), Pedro Corte Real (Lista B), Eugénio Rosa (Lista C) e Pedro Alves (Lista D) para a maior mutualista do país? Montepio vai a eleições na próxima semana.

O futuro do Banco Montepio deverá passar pela abertura do seu capital a outros investidores. Pelo menos é essa a posição defendida pelos quatro candidatos à liderança da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), a dona do banco e que vai a eleições na próxima semana. Se neste tema há consenso, já a eventual necessidade de o grupo precisar de apoio do Estado divide opiniões.

As eleições para os órgãos sociais da maior mutualista do país para o mandato 2022-2025 arrancam esta segunda-feira com o voto eletrónico na aplicação M24 ou site MyMontepio ou Montepio.org (tem de pedir código numa máquina Chave 24) e também com a abertura de três mesas de voto em Lisboa (no Espaço Atmosfera M, na Rua Castilho; e no Espaço Mutualista – Rua do Carmo) e no Porto (Espaço Atmosfera M, na Rua Júlio Dinis) e também na sede. As urnas fecham na sexta.

Nas últimas semanas, o ECO entrevistou os cabeças-de-lista ao conselho de administração: Virgílio Alves (Lista A), Pedro Corte Real (Lista B), Eugénio Rosa (Lista C) e Pedro Gouveia Alves (Lista D).

O que defendem Virgílio Lima (Lista A), Pedro Corte Real (Lista B), Eugénio Rosa (Lista C) e Pedro Alves (Lista D) para a maior mutualista do país? Montepio vai a eleições na próxima semana.

Banco à espera de investidores

Em relação à abertura da estrutura de capital do Banco Montepio a outros investidores, os quatro candidatos admitem essa possibilidade, mas alertam para a atual desvalorização do banco, que pode acarretar perdas para os associados em caso de uma venda parcial de ações a um parceiro.

“Se entrasse um parceiro agora, iria apropriar-se-ia na proporção da sua entrada [de capital] da recuperação das imparidades”, avisou Virgílio Lima, atual presidente da AMMG e líder da Lista A, uma posição com a qual os outros candidatos concordam. Lima admite, ainda assim, a entrada de um acionista, mas vê isso a acontecer apenas a médio prazo.

Pedro Corte Real (Lista B) foi no mesmo sentido e traçou o perfil do parceiro ideal para o banco: “Que queira sentar-se connosco à mesa e ajudar a gerir o banco num cenário de longo prazo, a 40 anos, 50 anos ou 60 anos”.

Já Eugénio Rosa (Lista C) defendeu que deve ser um parceiro da área social e não um qualquer investidor. “Terá de ser da área mútua e cooperativas. Na Europa, nomeadamente na Bélgica e França, há mútuas muito poderosas”, apontou.

Pedro Alves (Lista D) considerou que a venda de parte do banco só será possível “a partir do momento em que haja uma proposta de valor e em que se possa apresentar o Banco Montepio com uma estratégia sólida, consolidada e com um horizonte de rendibilidade que permita atrair esses investidores”.

Grupo Montepio vai precisar de apoio público?

Apenas Virgílio Lima afastou o cenário de ajuda pública ao grupo Montepio, sendo que os outros candidatos deixaram a sua visão sobre os moldes como um apoio do Estado poderia ajudar.

A AMMG gere poupanças de cerca de 3.000 milhões de euros de 600 mil associados, mas o balanço mostra um cenário desafiante ao nível da valorização do banco (o principal ativo) e dos ativos por impostos diferidos, na ordem dos 800 milhões, e que estão a mascarar uma situação líquida deficitária.

Eugénio Rosa, por exemplo, defendeu que o Estado devia dar apoio não em dinheiro, mas em garantia. “Foi aquilo que o ministro Mário Centeno disse uma vez na Assembleia da República que o Governo não deixaria cair o Montepio”.

Por seu turno, Pedro Corte Real disse que tem “o formato dessa ajuda em aberto, se é capital ou garantias. “Temos primeiro de compreender integralmente o que os auditores nos dizem” sobre a situação financeira do grupo.

Sobre este tema, Pedro Alves defendeu uma garantia pública para os ativos tóxicos do Banco Montepio: “Pode ser por via do Estado diretamente ou através de um veículo do Estado, seja o Banco de Fomento ou outra entidade que possa ajudar nesse sentido. Estamos a falar de poucas centenas de milhões de euros, não é nada de extraordinário em relação a outras coisas que já vimos no mercado com outros bancos”.

Cortar salários da administração da mutualista?

De acordo com Eugénio Rosa, o presidente da AMMG ganha 31 mil euros por mês e os restantes administradores cerca de 26 mil euros mensais – mais algumas regalias. O candidato da Lista C defende que é preciso moralizar a instituição e dar o exemplo de cima: “Da outra vez, quando me candidatei, disse que se fossemos eleitos que iria reduzir as remunerações do conselho de administração para metade”. Propõe o mesmo agora.

Pedro Alves e Pedro Corte Real defendem também uma redução dos salários. “Iremos rever em baixa os salários atualmente auferidos pelos membros dos órgãos de administração e fiscalização, e também regulamentar sobre eventuais acumulações de salários auferidos com outras fontes de rendimento dentro do grupo”, disse Pedro Alves.

“Não vou exigir nada aos trabalhadores que não imporei ao conselho de administração. Há aqui uma questão de moralização”, observou Pedro Corte Real. “Se chegarmos lá, entendemos que os salários, quer dos órgãos da Associação Mutualista, mas também de algumas das suas participadas, sendo situações que não se justificam, isso será corrigido de imediato”.

Já atual presidente da AMMG defendeu que a política salarial no grupo tem em conta a “concorrência do mercado”. “Também ao nível das competências de gestão temos de ter essa qualidade. O preço dessa qualidade é o preço do mercado. Naturalmente que isso tem de ser observado. Esses são os critérios”.

Fim à vista para o Banco Empresas Montepio?

Para Pedro Alves, que lidera uma participada do banco, a Montepio Crédito, “vale a pena repensar” o Banco Empresas Montepio (BEM). “Há necessidade de termos um banco específico para empresas ou um serviço robusto, específico e autónomo dentro da própria estrutura do banco”, questionou.

Já o candidato da Lista B, Pedro Corte Real, defendeu que “se o BEM acrescenta valor (…), claro que é para continuar”. O banco lançado por Carlos Tavares não “justificará a sua continuidade” se se conseguir “atingir os mesmos ou melhores resultados com o negócio do BEM integrado do Banco Montepio”, acrescentou.

Sobre este ponto, Virgílio Lima considerou que “sem prejuízo de se manter sempre o know how de todas as áreas, o grupo pode encarar soluções de simplificação”. “Mas só o banco dirá”, disse.

Eugénio Rosa, por seu turno, quer passar a carteira de ativos tóxicos na ordem dos 1,2 mil milhões do Banco Montepio para o BEM para depois vendê-lo. “Não se justifica uma Associação Mutualista ter dois bancos, um concorrente do outro”.

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