Empresas da Feira entram em projeto de 80 milhões em Angola para criar complexo industrial de saúde

  • Lusa
  • 9:17

As portuguesas Medika e a Gazcorp vão construir, equipar e ficar o gerir o complexo industrial de 80 milhões de euros em Luanda para a produção de medicamentos, soros e gases medicinais.

Duas empresas de Santa Maria da Feira começam esta sexta-feira a construir em Luanda um complexo industrial de 80 milhões de euros para produção de medicamentos, soros e gases medicinais, revelaram as entidades envolvidas no projeto.

Em causa estão a Medika e a Gazcorp, que, a partir do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto, aceitaram o convite da angolana VitalFlow para construir e equipar o referido complexo farmacêutico e gerir a sua posterior operação.

O projeto prevê quatro unidades distintas no mesmo terreno de 60.000 metros quadrados: uma fábrica com capacidade para produzir anualmente 1,7 mil milhões de comprimidos em forma de pastilha ou cápsula, outra apta a criar no mesmo período 50 milhões de envases para medicamentos injetáveis, uma terceira para assegurar em cada ano 17,5 milhões de litros de soro e uma última para fabricar no mesmo prazo 4.745 toneladas de gases como oxigénio e azoto.

“O Complexo Farmacêutico da VitalFlow vai ter a primeira fábrica de Angola de soro hospitalar e aumentar drasticamente a capacidade nacional de produção de medicamentos, reduzindo de forma significativa a dependência do país face ao mercado estrangeiro, já que, neste momento, uns 99% dos produtos de saúde angolanos são importados”, declara Nuno Andrade à Lusa, diretor-geral da Medika e da Gazcorp.

Injetando na VitalFlow cerca de 20 milhões de euros a título pessoal, o empresário defende que é pela “relevância estratégica” do projeto que esse conta com uma “comparticipação significativa” do Fundo Soberano de Angola. Diz que, ao suportar parte do custo total da obra, o Governo angolano quer “aumentar a mão-de-obra especializada no país e reforçar as suas exportações” para territórios como o Congo e São Tomé e Príncipe.

Com esse objetivo em vista, os promotores do projeto vão apostar em “tecnologia de ponta, ao nível do que de melhor existe na Europa e nos Estados Unidos”, e recorrer a profissionais com “alta qualificação” em domínios especializados – procurando corresponder aos elevados padrões da oferta hospitalar do país, já que, para Nuno Andrade, “atualmente Angola tem hospitais equiparados aos de Portugal”.

A estrutura a construir na Zona Económica Especial de Luanda, junto ao Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, vai assim criar 160 postos de trabalho diretos, entre os quais apenas 10 afetos a profissionais portugueses.

Nuno Andrade realça que essa equipa beneficiará de formação contínua e usufruirá ainda de “condições particularmente agradáveis de trabalho”, já que, em paralelo a mais de 17.000 metros quadrados de produção coberta e a uma estação própria para tratamento de água, o complexo VitalFlow também vai integrar auditório, cantina, ginásio, campo de futebol e um consultório médico apto a realizar ecografias e eletrocardiogramas – tudo entre 4.500 metros quadrados de jardins.

A atividade das quatro fábricas deverá arrancar em novembro de 2026 e o diretor da Medika e da Gazcorp prevê atingir nos primeiros cinco anos da operação conjunta um “volume de negócios acumulado de 560 milhões de euros”.

Criada em 2016, a Medika – Tecnologia Medicinal registou um grande aumento de produção no período da Covid-19, sofreu uma quebra de procura na fase posterior e fechou 2024 com uma faturação de 8,4 milhões de euros, 98% dos quais em vendas para o mercado externo.

Já a Gazcorp, por sua vez, foi fundada em 2023 e no final de 2024 somava um volume de negócios de 5,5 milhões, no que as exportações representaram 70%.

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