Bial reforça “compromisso” com Parkinson com venda de novo medicamento em Portugal
Já com um fármaco próprio para Parkinson no mercado e outro em desenvolvimento, empresa da Trofa vai agora comercializar uma terapêutica para alívio de sintomas após acordo com farmacêutica americana.
Na sequência do acordo de licenciamento exclusivo com a norte-americana Sumitomo Pharma America para a comercialização do medicamento para a doença de Parkinson Kynmobi na União Europeia e no Reino Unido, a Bial anunciou esta quarta-feira o lançamento em Portugal e em Espanha desta película que os doentes já medicados colocam sob a língua sempre que a medicação principal perde efeito.
A farmacêutica portuguesa, que tem um medicamento de investigação própria para esta doença – o Ongentys já chega a mais de 100 mil doentes em vários países, dos EUA ao Japão e Austrália –, sublinha que este lançamento “reforça o compromisso com a comunidade de Parkinson”, estimando que a doença de Parkinson possa afetar cerca de 20 mil pessoas em Portugal e 160 mil em Espanha.
Em paralelo, como o ECO noticiou em janeiro, a empresa sediada na Trofa tem em desenvolvimento um novo tratamento para a doença de Parkinson (BIA 28), que recentemente atingiu um “marco fundamental” com um primeiro doente a completar o ensaio clínico de fase 2 (activate). É o composto em fase mais avançada no pipeline da farmacêutica nortenha, que emprega 800 pessoas e em 2023 gerou receitas de quase 340 milhões de euros.
“Agora, com o lançamento do Kynmobi damos mais um passo importante na nossa estratégia de desenvolvimento e de expansão na Europa, onde ambicionamos ser a empresa de referência na área da doença de Parkinson. Estamos muito satisfeitos por poder disponibilizar esta opção de tratamento e, potencialmente, poder contribuir para ajudar os doentes a lidarem com sintomas tão difíceis e incapacitantes como podem ser os episódios off na sua vida quotidiana”, aponta António Portela.
É mais um passo importante na nossa estratégia de desenvolvimento e de expansão na Europa, onde ambicionamos ser a empresa de referência na área da doença de Parkinson.
Antes do lançamento em Portugal e Espanha, a Bial já tinha iniciado a comercialização desta película sublingual na Alemanha em maio de 2024, prevendo que chegue também a Itália ainda este ano. Entre os medicamentos próprios – lançou o Zebinix (epilepsia) em 2009 e o Ongentys (Parkinson) em 2016 – e acordos de licenciamento, em que assenta a estratégia de internacionalização da empresa, os produtos Bial estão presentes em mais de 50 países.
Fundada em 1924, a Bial tem atualmente unidades de produção e de investigação e desenvolvimento (I&D) em Portugal e conta com filiais em Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália, Suíça e nos EUA.
O que são episódios off no Parkinson?
Cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com Parkinson. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum em todo o mundo e a doença neurológica com maior crescimento, estimando-se que a sua prevalência possa duplicar até ao ano de 2050.
O que são os episódios off, para os quais os doentes podem recorrer ao Kynmobi como complemento da medicação antiparkinsónica habitual? Explica a Bial que ocorrem quando a medicação se torna insuficiente ao longo do dia, levando ao reaparecimento de sintomas, que podem ser motores (como rigidez, tremor e dificuldade de locomoção) ou outros que afetem a atividade diária e a autonomia dos pacientes, visando este tipo de terapêuticas on-demand aliviar estes sintomas.
“Apesar dos contínuos avanços no tratamento da doença de Parkinson, ainda não é possível garantir que os doentes com flutuações motoras não apresentem momentos de bloqueio (off). Desta forma, a disponibilização de um medicamento de fácil administração, que permita melhorar os doentes rapidamente (on), é de fundamental importância. Aguardamos assim com grande expectativa a chegada deste novo medicamento, que oferecerá aos doentes mais autonomia e independência na gestão da sua doença”, comenta Joaquim Ferreira, Professor de Neurologia e Farmacologia Clínica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
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