Líder sul-africano lamenta tarifas dos EUA “altamente punitivas”

  • Lusa
  • 4 Agosto 2025

O governador do banco central sul-africano alertou que o aumento das tarifas aduaneiras norte-americanas pode custar 100.000 empregos, num país já afetado por uma taxa de desemprego de 33%.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, lamentou esta segunda-feira as taxas aduaneiras norte-americanas “altamente punitivas”, a poucos dias da entrada em vigor das tarifas de 30%, a percentagem mais elevada aplicada na África subsaariana.

Pretória tem sido alvo, há meses, de críticas da administração de Donald Trump, que acusa o país de alegadas perseguições a agricultores brancos, bem como da apresentação de uma queixa contra Israel por genocídio junto do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ). “A África do Sul enfrenta a aplicação de tarifas punitivas e prejudiciais anunciadas pelos Estados Unidos”, afirmou o chefe de Estado à imprensa, apelando ao Governo para “agir com urgência e determinação para limitar o impacto destas tarifas extremamente punitivas”.

Embora as discussões com os Estados Unidos continuem para “normalizar as relações comerciais”, Ramaphosa apelou, no final de uma reunião do seu partido político, à “diversificação dos mercados de exportação” das empresas. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial da África do Sul.

O governador do Banco Central alertou que o aumento das tarifas aduaneiras norte-americanas pode custar 100.000 empregos, num país já afetado por uma taxa de desemprego de 33%. O Ministério do Comércio e da Indústria, por seu lado, apontou esta segunda-feira para 30.000 empregos em risco.

O impacto no crescimento poderá ser de 0,2%, estimou esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ronald Lamola, numa conferência de imprensa, numa altura em que o PIB (Produto Interno Bruto) aumentou apenas 0,1% no primeiro trimestre. Segundo o Governo sul-africano, os novos direitos aduaneiros deverão entrar em vigor na sexta-feira.

Em maio, o Presidente norte-americano recebeu cerca de 50 agricultores brancos afrikaners (descendentes dos colonos europeus) como se fossem refugiados, afirmando, sem fundamento, que eram perseguidos na África do Sul. Durante um encontro no Salão Oval, Donald Trump mostrou, diante de um Cyril Ramaphosa surpreendido, uma montagem em formato de vídeo repleta de erros e alegadamente destinada a comprovar as suas acusações.

Para evitar as tarifas elevadas, a África do Sul propôs importar gás natural liquefeito e alguns produtos agrícolas dos Estados Unidos, bem como investir nas suas indústrias mineira e de reciclagem de metais, indicou o Ministério do Comércio na semana passada. Segundo Pretória, os novos direitos aduaneiros afetarão particularmente os setores agrícola, automóvel e têxtil da África do Sul.

Cerca de 35% das exportações sul-africanas escapam, no entanto, às sobretaxas, nomeadamente o cobre, semicondutores, produtos farmacêuticos e certos minerais críticos. As exportações da África do Sul – país vizinho de Moçambique – representam apenas 0,25% do total das importações dos Estados Unidos, segundo Lamola.

Pretória defende que as suas exportações não concorrem com a indústria norte-americana, mas antes a apoiam. O Governo sul-africano criou um gabinete de apoio que ajudará os exportadores e produtores a explorar outros mercados no resto de África, na Ásia e no Médio Oriente, declarou Ramaphosa.

O Presidente acrescentou que será dado seguimento ao projeto de zona de comércio livre para o continente africano. “Temos de avançar com a implementação da zona de comércio livre continental africana”, exortou Ramaphosa. Os Estados Unidos anunciaram, na semana passada, tarifas de 15% sobre as exportações de vários países da África subsaariana, incluindo o pequeno reino montanhoso do Lesoto, dependente das exportações, que inicialmente estava ameaçado com tarifas de 50%.

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