Peritos europeus antecipam publicação de relatório sobre apagão para 3 de outubro
O painel de peritos europeu antecipa em quase um mês a entrega do relatório sobre o apagão que deixou Portugal e Espanha sem eletricidade cerca de dez horas a 28 de abril.
O painel de peritos europeus que investiga o apagão ibérico de 28 de abril prevê publicar o relatório factual sobre o incidente no próximo dia 3 de outubro, quase um mês antes do prazo legal fixado em 28 de outubro. A decisão foi anunciada em comunicado pela Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) após a quinta reunião do grupo, realizada a 18 de agosto, na qual foi feito o ponto de situação da investigação.
A fase de recolha de dados está “quase concluída” e permitirá avançar para a investigação aprofundada e consecutiva elaboração do relatório final que deverá ser publicado até 30 de setembro de 2026.
Apesar de reportarem algumas dificuldades em obter informação “relevante e de qualidade” junto de alguns operadores de distribuição e empresas de produção de eletricidade, os peritos sublinham que a análise estará pronta antes do calendário inicialmente previsto. A confirmação da data de 03 de outubro será feita na próxima reunião do painel, a 02 de setembro.
O apagão, classificado pela ENTSO-E como “excecional e grave”, deixou Portugal e Espanha praticamente sem eletricidade durante mais de 10 horas. Aeroportos encerrados, congestionamento nos transportes e falta de combustíveis estiveram entre as consequências imediatas.
Até agora, o aumento de tensão em cascata, um fenómeno técnico inédito na Europa, tem sido a causa apontada para o incidente. Esta foi a conclusão da anterior reunião de 15 de julho do grupo de peritos, cujo painel integra a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), bem como operadores e reguladores de vários países europeus.
Segundo a ENTSO-E, os aumentos de tensão em cascata – observados no sul de Espanha na fase final do incidente – foram seguidos de desligamentos súbitos de produção, sobretudo em instalações renováveis, e conduziram à separação elétrica da Península Ibérica em relação ao sistema continental, com perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão.
Este tipo de perturbação nunca tinha sido identificado como causa de apagão em nenhum ponto da rede europeia. A confirmar-se esta conclusão, será necessária “uma análise e investigação aprofundadas por parte de todos os especialistas em sistemas elétricos da ENTSO-E”, bem como a adoção de novas medidas para reforçar a resiliência, como tinha alertado o grupo de peritos.
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