Avaliação bancária acelera há 12 meses. Em julho subiu 18,7%
Em julho, o valor mediano da avaliação bancária na habitação voltou a bater um novo máximo, alcançando 1.945 euros por metro quadrado, um aumento homólogo recorde em mais de uma década.
O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu em julho 1.945 euros por metro quadrado, estabelecendo um novo recorde nacional e prolongando a trajetória imparável de crescimento dos preços imobiliários em Portugal.
Segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), trata-se de um aumento homólogo histórico de 18,7%, que compara com uma aceleração face aos 18,1% registados em junho. Desde pelo menos janeiro de 2012 (início da série do INE) que não se assiste a um crescimento tão expressivo, confirmando que o mercado da habitação continua numa escalada sem precedentes, mesmo num cenário de taxas de juro historicamente elevadas.
Os dados do INE revelam que, em julho, o valor das avaliações bancárias cresceu 34 euros face ao mês anterior, numa variação mensal de 1,78%, somando assim o 20.º mês consecutivo de subidas mensais. Além disso, os dados revelam ainda que “o número de avaliações bancárias considerado foi de cerca de 33,8 mil, representando uma subida de 3,8% face ao mês anterior e um aumento de 3,7% em termos homólogos”, lê-se no comunicado.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Os números revelam que os apartamentos continuam a ser o motor da valorização imobiliária do mercado residencial nacional, com o valor mediano das avaliações a fixar-se nos 2.254 euros por metro quadrado em julho, que se traduz numa subida anual de 24%. Esta tipologia habitacional regista consistentemente os valores mais elevados do mercado, refletindo a pressão da procura nos centros urbanos.
A Grande Lisboa mantém-se como a região mais cara do país para apartamentos, com o valor mediano das avaliações bancárias a situar-se nos 2.990 euros por metro quadrado (crescimento homólogo de 24,1%), seguida pelo Algarve com 2.642 euros por metro quadrado (mais 21% face a julho do ano passado). No extremo oposto, o Alentejo apresenta os valores mais baixos, com 1.419 euros por metro quadrado, ilustrando as assimetrias territoriais que caracterizam o mercado habitacional português.
A Península de Setúbal destacou-se em julho com o crescimento homólogo mais expressivo nos apartamentos (25,6%) em julho — não se tendo registado correções em nenhuma região –, enquanto a Região Autónoma dos Açores registou o maior aumento mensal (3%). Em termos de tipologias, os apartamentos T1 subiram para 2.866 euros por metro quadrado, os T2 para 2.317 euros e os T3 para 1.942 euros por metro quadrado.
Disparidades regionais acentuam-se
As moradias também não ficaram imunes à espiral inflacionista, registando um valor mediano de 1.414 euros por metro quadrado em julho, o que representa um acréscimo de 10,4% face a julho de 2024. Embora inferior ao crescimento dos apartamentos, esta subida confirma que a valorização das casas se estende a todos os segmentos habitacionais.
Também no “campeonato” das moradias a região da Grande Lisboa voltou a liderar, com o valor mediano das avaliações bancárias a situar-se nos 2.707 euros por metro quadrado, segundo dados do INE, seguida pelo Algarve com 2.505 euros por metro quadrado. As regiões do Centro e do Alentejo mantêm-se como as regiões mais acessíveis, com valores de 1.053 euros e 1.149 euros por metro quadrado, respetivamente.
A Região Autónoma dos Açores apresentou, em julho, o maior crescimento homólogo nas moradias (17,8%), enquanto o Alentejo registou a subida mensal mais significativa (4,2%). As tipologias T2, T3 e T4 das moradias, que representaram 88,6% das avaliações, fixaram-se nos 1.392, 1.390 e 1.484 euros por metro quadrado, respetivamente.

Os dados do INE expressam ainda que as diferenças regionais continuam a aprofundar-se, com a Grande Lisboa a apresentar valores superiores 52% acima da mediana nacional, seguida pelo Algarve (mais 34,5%) e Península de Setúbal (mais 18,8%). No polo oposto, as Beiras e Serra da Estrela, Beira Baixa e Terras de Trás-os-Montes registam valores inferiores à mediana nacional em cerca de 50%, evidenciando um país a duas velocidades no acesso à habitação.
Esta polarização territorial reflete não apenas as dinâmicas económicas regionais, mas também os fluxos migratórios internos e a concentração da procura habitacional nas áreas metropolitanas e regiões turísticas.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Avaliação bancária acelera há 12 meses. Em julho subiu 18,7%
{{ noCommentsLabel }}