Santos Pereira critica autarquias e governos: “A crise habitacional é muito grave e é preciso aumentar a oferta”
"É essencial aumentar a oferta e isso muitas vezes esbarra nas autarquias e nos governos e o que o banco central vai fazer é alertar e mostrar os dados e o impacto na economia", diz Santos Pereira.
O próximo governador do Banco de Portugal alertou para a “crise habitacional”, considerando que é “muito grave”. Por isso, é preciso “aumentar a oferta”, o que, muitas vezes, “esbarra nas autarquias e governos”, afirmou esta quarta-feira, numa audição no Parlamento, passo obrigatório para tomar posse como governador do Banco de Portugal, onde liderará a supervisão bancária e intervirá no BCE em decisões como taxas de juro.
“O que o banco central pode fazer é registar os dados e estudar o impacto na economia, vamos fazer mais porque acho que é muito importante, tem de ser oferta, oferta, oferta, neste momento”, sublinhou.
Resolver o problema do acesso à habitação é, no entanto, “uma competência do governo e das autarquias”. “O que se passa é que temos construído menos e a procura tem aumentado. Temos de garantir que vai aumentar a oferta, o que passa pelas autarquias e pelos governos”.
“O que se passa em Portugal, construíamos 60 mil casas há 25 anos e agora construímos cerca de 15 mil e a procura tem aumentado”, indicou.
No início da sua intervenção Santos Pereira já tinha chamado a atenção para a crise no mercado imobiliário. “Os bancos estão bem capitalizados, mas não há espaço para complacência” tendo em conta os riscos que existem, em particular os associados à forte valorização dos preços das casas nos últimos anos. Construir mais casas deve ser uma prioridade para “retirar pressão” sobre os preços das casas.
O Governo anunciou a 24 de julho que seria o economista Álvaro Santos Pereira, economista-chefe da OCDE -Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e que foi ministro da Economia de 2011 a 2013, no Governo PSD/CDS-PP de Passos Coelho, o próximo governador do Banco de Portugal (BdP), não renovando o mandato de Mário Centeno.
Centeno ainda se mantém como governador pois Santos Pereira tem de passar pela inquirição parlamentar antes de ser indigitado, o que ficou para depois das férias parlamentares.
(Notícia atualizada às 13h17)
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