Isabel Almeida e Brito: “Queremos educar os alunos para serem livres”

  • ECO
  • 20 Outubro 2025

Licenciou-se em Direito, mas acabou por dedicar-se a um projeto de educação - o Colégio de S. Tomás. Isabel Almeida e Brito detalhou esta decisão no último episódio do podcast "E Se Corre Bem?".

Isabel Almeida e Brito, Reitora do Colégio de S. Tomás, um colégio católico fundado em 2003 pela Associação para a Educação, Cultura e Formação (APECEF), é a 48ª convidada do podcast “E Se Corre Bem?”. O episódio decorreu ao vivo, no auditório da escola, e contou com a presença de vários alunos, bem como com a participação especial de Paulo Padrão, Diretor Geral do ECO.

Com um percurso iniciado na área do Direito, na qual se licenciou, Isabel Almeida e Brito acabou por encontrar na formação do Colégio de S. Tomás a sua verdadeira vocação. Neste episódio, contou como tudo aconteceu e qual o seu principal objetivo com a criação deste projeto educativo.

“Desde pequena que gostava do mundo da educação. Ainda assim, é miraculoso perceber como é que um grupo de amigos se junta e é usado e capaz de fazer isto. Nós começamos em Sete Rios com 120 alunos, mas hoje temos Sete Rios, Vendas Novas, Beja, Ramalhão, etc… São cinco colégios e um instituto de formação de professores. Quase três mil alunos“, começou por dizer.

Este grupo de amigos foi, de acordo com a Reitora, o que realmente tornou a ideia de criar um colégio numa realidade: “Aquilo que fez com que isto fosse possível foi o facto de não estar sozinha e de encontrar uma companhia de pessoas que encorajam, sustentam e contribuem para uma obra que é mais do que qualquer um de nós. Embora tudo o que eu sou esteja envolvido naquilo que faço, é verdade que aquilo que faça não é só fruto daquilo que eu sou, é muito mais. Por isso, o fator determinante foi o encontro com uma companhia de amigos motivados pelo mesmo desejo de fazer uma obra educativa“.

Ainda assim, também destacou a formação em Direito como “muitíssimo importante” para materializar este passo, já que se sentiu inspirada pelos “excelentes professores” que teve na licenciatura e pela sua exigência “em relação ao rigor do pensamento”. “Não bastava inventar uma resposta, era preciso ser rigoroso face ao que enfrentávamos. E o Direito tem essa grande vantagem de nos pôr diante de todos os aspetos da vida dos homens e diante do desejo de justiça. Portanto, adquirimos aqui alguma sensibilidade, o que me trouxe um amadurecimento muito grande daquilo que eu era e que já me tinham desafiado a fazer”.

Mas, ainda dentro do que motivou a materialização da ideia de um colégio, Isabel Almeida e Brito explicou que ela surgiu depois de um “encontro com o carisma de Dom Giussani”. “Não havia nenhum colégio em Portugal que brotasse desse carisma e nós tínhamos o desejo, e temos, de fazer uma escola em que aquilo que nos é dado seja vivo e possa ser oferecido aos nossos filhos e àqueles que quiserem vir connosco”, explicou.

 

Dentro desse carisma, a reitora especificou o que distingue o Colégio de S. Tomás: “Nós somos muito ortodoxos, ou seja, temos para oferecer aquilo que a doutrina e a tradição cristã dão, mas o nosso foco é este binómio da comunhão e da liberdade. Nós queremos educar os alunos para serem livres e pensamos que única maneira de o fazer é trabalharmos sobre a nossa própria liberdade como adultos. Para isso, precisamos de estar numa companhia e numa comunhão que nos ajude a ser livres e a não perdermos de vista quem somos”.

Por essa razão, e tendo por base esta ideologia, Isabel Almeida e Brito não reconhece o colégio como sendo “duro” se isso significar inflexibilidade. No entanto, se ser duro significar ser firme, a reitora já considera “bom” e justifica: “Estas vidas não são para serem desperdiçadas, por isso é uma responsabilidade muito grande a que temos com estes alunos e é preciso mesmo ser firme enquanto proposta. As capacidades dos alunos são muitas e devem ser tratadas com exigência para serem estimuladas e desenvolvidas, então gosto que seja duro“.

Esta responsabilidade é sentida não só pela confiança que os pais depositam no colégio, mas também por todos os benfeitores que contribuem para manter esta instituição funcional, acreditando na sua mais-valia para a sociedade. Para Isabel Almeida e Brito, esta parceria é fundamental precisamente por abonar “a favor da exigência e do rigor”. “Quando eu sei que conto com dinheiro de pessoas que se esforçaram para o ganhar e que depois nos dão porque querem investir na educação, a maneira como gerimos os nossos recursos torna-se ainda mais sóbria, austera e realista e rigorosa”, completou.

Quando questionada sobre o colégio ser ou não um bom negócio, a reitora não hesitou em responder que é “um ótimo negócio”, justificando que, tendo recursos escassos, isso obriga a uma “ponderação contínua entre a qualidade do que se quer oferecer, o custo dessa qualidade e soluções para não extorquir dinheiro às famílias, ou seja, aquilo que as famílias pagam deve ser o custo da proposta. Como o custo da proposta está a crescer porque os salários dos professores estão a aumentar, é muito difícil resolver esta equação. E quanto mais difícil é uma equação, mais engenho convoca. Portanto, este é o nosso grande dilema: como podemos propor uma coisa que tenha um custo que não afaste dos colégios a classe média“.

Acima de tudo, o principal objetivo do colégio é conseguir chegar a todas as pessoas interessadas no seu método, expondo os ideais em que acredita, mas aceitando o que vem de fora também. “Esperamos que haja total permeabilidade. Estimando e amando todos, em geral, todas as tendências, descobertas e invenções que as pessoas fazem, relacionamo-nos com elas com grande capacidade de contribuir, de dialogar, e de ter tolerância porque merecem respeito”, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.

Assista ao vídeo aqui:

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