Mariana Mortágua anuncia saída da liderança do Bloco de Esquerda

Mariana Mortágua abandona o comando do Bloco de Esquerda e reconhece falhanço na recuperação política e na renovação interna do partido. A sucessão será decidida já em novembro.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, anunciou este sábado que irá abandonar a liderança do partido e que não se irá recandidatar à liderança do partido, assumindo que a direção por si encabeçada foi “incapaz de inverter a excessiva centralização da estrutura do Bloco e gerar um novo impulso político e eleitoral”.

A decisão foi comunicada numa carta enviada aos militantes bloquistas e conhecida a menos de uma semana da realização da XIV Convenção Nacional do partido, marcada para os próximos dias 1 e 2 de novembro, em Lisboa.

A saída de Mortágua acontece num momento particularmente difícil para o Bloco de Esquerda, que sofreu o pior resultado de sempre nas eleições legislativas de 18 de maio último, elegendo apenas uma deputada — a própria coordenadora — após ter conseguido cinco mandatos nas legislativas de março de 2024. Nas autárquicas de 12 de outubro, o partido voltou a registar um desempenho “modesto”, numa continuidade do “ciclo de viragem à direita”, segundo as palavras da própria Mortágua.

Na missiva enviada aos militantes, a economista de 39 anos faz um balanço autocrítico dos dois anos e meio em que liderou o partido, desde maio de 2023. “Há dois anos e meio quando decidi candidatar-me à coordenação do Bloco de Esquerda conhecia as difíceis condições políticas da esquerda do nosso partido. Depois do colapso da maioria absoluta do PS e com o reforço da direita e da extrema-direita era preciso de facto encontrar novos e outros caminhos”, escreve Mortágua, reconhecendo que “esse objetivo não foi cumprido”, não apenas pela contínua redução do espaço eleitoral do Bloco “mas também porque a renovação que então fizemos não se revelou suficiente para relançar a nossa intervenção social”.

A coordenadora do Bloco aponta como fatores que prejudicaram a transformação do partido “a precipitação de sucessivas campanhas eleitorais” que “tirou espaço e tempo à nossa reflexão interna e prejudicou uma transformação efetiva do funcionamento do Bloco”. Mortágua admite ainda que, apesar das “empenhadas campanhas de ódio dos nossos adversários”, a verdade é que a direção “não conseguimos neutralizá-las”.

“Face a este balanço, e agora que termino o mandato que me foi conferido na última Convenção, comunico-vos que decidi não me candidatar a um novo mandato de coordenadora do Bloco que Esquerda”, afirma na carta, garantindo que toma “esta decisão com a tranquilidade que me deu o constante apoio de todos os meus camaradas ao longo de todo este tempo”.

A líder bloquista justifica a decisão por acreditar “que o Bloco beneficiará de ter na coordenação e no Parlamento pessoas com melhores condições do que aquelas que hoje tenho para dar voz ao partido”. Mortágua sublinha que “caberá a cada uma das moções presentes à próxima convenção apresentar as suas alternativas de direção”, rematando que “a pluralidade reforça-nos”.

A XIV Convenção Nacional, que decorrerá nos dias 1 e 2 de novembro no Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso, em Lisboa, será agora palco da escolha de uma nova liderança para o partido fundado em 1999. Mariana Mortágua, que sucedeu a Catarina Martins na coordenação do Bloco em maio de 2023, com 83% dos votos na sua moção de estratégia global, deixa o cargo depois de ter sido a deputada única do partido nas legislativas que elegeram o parlamento mais fragmentado da história democrática portuguesa, com a ascensão do Chega ao estatuto de segunda força política.

Na parte final da carta, Mortágua garante que continuará a fazer “parte desse caminho, como sou há quase vinte anos”, sublinhando que confia “neste partido, na gente que o faz”.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Mariana Mortágua anuncia saída da liderança do Bloco de Esquerda

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião