Governo admite novo sistema de avaliação focado em prémios de desempenho
Secretária de Estado da Administração Pública compromete-se com uma reforma do SIADAP e até assume a possibilidade de um novo sistema de avaliação focado em prémios de desempenho.
O Governo admite avançar com um novo sistema de avaliação da Função Pública (SIADAP), focado em prémios de desempenho, assumiu esta sexta-feira a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, durante o seminário “Reformar o Estado Valorizando os Salários e os Trabalhadores”, na UGT, promovido pela Federação dos Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesap).
“Falo em evolução de SIADAP, mas até posso ponderar mesmo um novo SIADAP, com prémios relevantes, focados em mérito e resultados atingidos”, afirmou o governante, que considera que o sistema tem sido “olhado muito do ponto de vista administrativo, com muita controvérsia, com bastante protesto laboral”.
A revisitação do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública (SIADAP) já constava do programa do segundo Governo de Luís Montenegro. Marisa Garrido fez questão de salientar novamente a importância da sua reformulação durante o seminário que precedeu à eleição de José Abraão para um terceiro mandato como secretário-geral da Fesap.
“Nós temos que olhar para o sistema de avaliação. O sistema de avaliação é um sistema muito importante, mais do que um sistema de avaliação, é um sistema de gestão de desempenho”, frisou. “É o que liga o plano estratégico ao plano anual de atividades e orçamento e depois aos indicadores de desempenho das equipas. Porque se nós ficarmos só com o orçamento, se não houver todos os indicadores de quem é que está a contribuir para quê, não se vai executar muito bem“, argumentou.
Neste sentido, defende que há “muitas oportunidades para melhorar, simplificar, ou seja, trazer o SIADAP para outro sistema de gestão de desempenho, com prémios relevantes, focados em mérito e resultados atingidos”. “E isso hoje não acontece”, lamentou. Marisa Garrido lembrou que, ainda assim, “há prémios por decisão gestionária”, sinalizando que “isso não é suficiente”.
Ainda no âmbito da reforma do SIADAP, a secretária de Estado indicou que está a ser “trabalhada uma plataforma única de recursos humanos” que, para já, foi implementada de forma transitória por via da eSPap (Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública).
O SIADAP já foi alvo de uma reformulação durante o anterior Governo de maioria absoluta socialista de António Costa: o sistema de avaliação passou de bianual a anual, os trabalhadores conseguem progredir com oito pontos em vez de 10, como anteriormente, e foram aumentadas as quotas para quem pode ser avaliado como adequado, regular, bom e muito bom. Mas, todos os anos, as estruturas sindicais têm reivindicado um novo sistema sem o espartilho das quotas, que deixa muitos trabalhadores de fora, sem poderem progredir.
Ainda a propósito da avaliação dos funcionários públicos, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sublinhou que “o Governo está empenhado em garantir a equidade na progressão, pelo que ficou acordada a avaliação do impacto dos regimes de recuperação do tempo de serviço congelado e do regime especial de aceleração do desenvolvimento das carreiras, esperando as respetivas conclusões no início do próximo ano”. O governante referia-se às auditorias que estão a ser realizadas pela Inspeção-Geral de Finanças.
Outra das metas do Governo para a legislatura passa pela revisão das carreiras gerais da Função Pública, tal como está estabelecido no acordo plurianual para a valorização dos trabalhadores do Estado. “As carreiras gerais também estão incluídas neste acordo, reconhecendo que este é o universo de trabalhadores basilar da Administração Pública, exige, por isso, uma reforma profunda, pelo que o processo de reavaliação, reestruturação e valorização destas carreiras está previsto para 2027”, salientou o ministro das Finanças, antes da intervenção da secretária de Estado da Administração Pública.
De recordar que, no âmbito das negociações para a atualização salarial anual, o Governo não quis ir mais além nos aumentos salariais, mantendo a proposta, para 2026, nos 56,58 euros para ordenados até cerca de 2.600 euros e de 2,15% para vencimentos superiores. Também não se comprometeu com a reposição dos três dias de férias, como reivindicam as federações sindicais. Mas, em contrapartida, propôs um aumento do subsídio de refeição ao ritmo de 10 cêntimos a partir de 2027 e até 2029.
Esta proposta ainda não está fechada, tendo em conta que as estruturas sindicais exigem muito mais. Frente Comum reivindica um aumento para 12 euros por dia trabalhado, enquanto a Fesap e o STE pedem 10 euros por dia.
Com a atualização do subsídio de alimentação apresentada pelo Executivo, o valor isento de IRS também irá subir para 6,10 euros, em 2027, para 6,20 euros, em 2028, e para 6,30 euros, em 2029, se for pago por transferência bancária. Se o abono for atribuído em cartão, o montante livre de imposto é superior em 70%: passando para 10,37 euros, em 2027, 10,54 euros em 2028, e para 10,71 euros por dia, em 2029.
A última vez que o subsídio de refeição dos trabalhadores da Administração Pública foi aumentado foi em 2023 no Governo de António Costa, tendo subido para seis euros.
Já o subsídio de refeição pago em cartão isento de IRS e de contribuições para a Segurança Social subiu de 9,60 euros em 2024 para 10,20 euros em 2025, sendo esta uma medida que resultou do acordo tripartido de Concertação Social.
(Notícia atualizada às 17h48)
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