Nexperia. Setor eletrónico pede lay-off simplificado para evitar “crise industrial mais profunda”

Associação pede reativação ou dinamização do regime de lay-off simplificado de forma urgente e imediata nos setores mais expostos à escassez de semicondutores e componentes eletrónicos.

Depois de a fábrica da Bosch de Braga ter anunciado que vai avançar para lay-off na próxima semana devido à escassez de semicondutores, a associação que representa o setor elétrico e eletrónico, a ANIMEE, escreveu ao Governo a alertar para a gravidade da situação, que ameaça “a estabilidade de setores estratégicos para a economia nacional”.

O setor pede a reativação do regime de lay-off simplificado “de forma urgente e imediata”, para os setores mais expostos à escassez de chips, para impedir uma crise na indústria “mais profunda” e proteger empregos.

“A rapidez e a proporcionalidade de uma resposta pública coordenada serão determinantes para evitar uma crise industrial mais profunda, que poderão comprometer o emprego, as exportações, o investimento e o futuro competitivo da economia portuguesa”, avisa a ANIMEE – Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico, numa exposição que entregou esta sexta-feira à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ao Ministro da Economia e da Coesão Territorial.

“Como é do conhecimento público, a nova disrupção global nas cadeias de abastecimento já está a afetar severamente algumas das nossas associadas — sendo a Bosch em Braga, nesta primeira fase, uma das mais afetadas — comprometendo o normal funcionamento das operações industriais, com impactos diretos nas exportações, no emprego qualificado e na sustentabilidade de empresas integradas em cadeias de valor europeias altamente competitivas”, admite a associação, que aponta que “outras associadas encontram-se em monitorização contínua da situação, avaliando diariamente os riscos operacionais“.

A associação explica, em comunicado, que expressou a suaprofunda preocupação com a atual situação de disrupção na cadeia de abastecimento global de semicondutores, geradas por esta crise com a empresa chinesa Nexperia”. Uma situação criada por “uma decisão de natureza eminentemente política, com origem num contexto geopolítico cada vez mais volátil”.

“É uma manifestação clara de como a geopolítica está a reconfigurar o acesso a tecnologias críticas, com impactos diretos na indústria automóvel — o primeiro setor a ressentir-se — e efeitos de arrastamento sobre os fornecedores Tier 1, Tier 2 e subsequentes. Quando um OEM é forçado a parar, toda a cadeia a montante entra em suspensão, comprometendo a estabilidade de setores estratégicos para a economia nacional”, atira a associação. Perante estas dificuldades, a ANIMEE diz que “a resposta não pode ser meramente técnica”.

“Exige-se uma abordagem política e estratégica, que envolva o Estado português, a Comissão Europeia, sob pena, da ausência de uma resposta pública atempada e coordenada gerar perturbações em cadeia em segmentos produtivos que são pilares das exportações nacionais e do equilíbrio da balança comercial”, atira.

A associação explica que as empresas têm procurado recorrer ao lay-off clássico, para evitar “medidas drásticas”, mas queixa-se que é um mecanismo “mais moroso, burocrático e estruturalmente desadequado à natureza conjuntural e externa desta crise”, pelo que pede ao Governo a “reativação ou dinamização do regime de lay-off simplificado de forma urgente e imediata, direcionado aos setores mais expostos à escassez de semicondutores e componentes eletrónicos”.

Defende que “esta medida permitiria conferir às empresas um instrumento de flexibilidade e resiliência ajustado à situação presente, mitigando impactos imediatos no emprego e na produção”.

“Adicionalmente, a ANIMEE manifestou que considera fundamental que este mecanismo de lay-off simplificado seja integrado no conjunto de medidas atualmente em discussão com os parceiros sociais e incluído no Anteprojeto de Reforma da Legislação Laboral “Trabalho XXI”, como instrumento permanente de resposta ágil a choques conjunturais externos, sempre enquadrada numa definição prévia de critérios objetivos de elegibilidade e na identificação de mecanismos de monitorização que assegurem uma implementação responsável e transparente desta medida”, remata.

Questionada sobre se há mais empresas a recorrer ao lay-off devido à crise da Nexperia, Aurélio Caldeira, diretor-geral da ANIMEE, esclarece ao ECO que até agora, “formalmente, somente a Bosch fez a submissão do processo de lay-off clássico”, mas há “outras associadas de industrial automóvel que estão a ajustar diariamente as suas operações por forma a reagir a esta crise da Nexperia”.

A “situação neste momento é crítica, pelo que se este bloqueio continuar a existir durante mais alguns dias, estas empresas terão que começar a suspender as suas operações“.

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