Presidente do Amadora-Sintra apresenta demissão após morte de grávida e bebé. Ministra da Saúde aceita
O presidente do conselho de administração do Hospital Amadora-Sintra pôs o lugar à disposição e a ministra da Saúde aceitou a demissão perante um "falha de informação que é considerada grave".
O presidente do Conselho de administração do Hospital Amadora-Sintra demitiu-se e a ministra de Saúde aceitou o pedido, depois da informação pouco rigorosa transmitida no caso da grávida que morreu na sexta-feira no Hospital Amadora Sintra e da bebé que acabou por morrer no dia seguinte.
No domingo, o presidente do conselho de administração da ULS Amadora-Sintra informou a ministra da Saúde que “uma parte da informação que lhe tinha sido dada era incompleta” e que de facto a “grávida tinha efetivamente tido consultas de vigilância nos cuidados de saúde primários daquela mesma ULS”.
No Parlamento, no âmbito da discussão da proposta do Orçamento do Estado para 2026, a ministra da Saúde declarou na sexta-feira que a mulher “não teve acompanhamento até à data em que entrou” no hospital. Informação que é agora desmentida pela administração da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra.
Depois de o hospital ter reconhecido que grávida que morreu estava a ser acompanhada e que a informação transmitida à ministra era incompleta, o presidente do Conselho de Administração “pôs o seu lugar à disposição”, perante um “falha de informação que é considerada grave”, disse esta segunda-feira Ana Paula Martins, no final de uma visita às instalações da Sword Health, no Porto.
Em comunicado, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra avançou que, “devido à inexistência de um sistema de informação clínica plenamente integrado, que permita a partilha automática de dados e registos médicos entre os diferentes serviços e unidades […], apenas no final da tarde de domingo foi possível verificar que a utente se encontrava em acompanhamento nos cuidados de saúde primários da ULSASI desde julho de 2025, na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Agualva”.
De acordo com o comunicado da administração hospitalar, a mulher natural da Guiné-Bissau fez duas consultas de vigilância de gravidez (14 de julho e 14 de agosto) e outras duas consultas de obstetrícia no Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, nos dias 17 de setembro e 29 de outubro, dois dias antes de perder a vida.
O presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, Carlos Sá, afirma ter colocado o lugar à disposição de Ana Paula Martins por estar “ciente do imperativo de transparência, responsabilidade e dever público”.
“Os elementos factuais transmitidos a sua excelência a senhora ministra da Saúde, posteriormente reproduzidos na audição parlamentar, corresponderam integralmente às informações de que o presidente do conselho de administração dispunha no momento da sua comunicação”, lê-se num novo comunicado enviado esta segunda-feira.
No comunicado lê-se ainda que “informações adicionais vieram a ser conhecidas apenas em momento posterior não tendo, por conseguinte, sido do conhecimento do presidente do conselho de administração à data da comunicação inicial, nem podendo, portanto, ter sido transmitidas à tutela”.
“O presidente do conselho reafirma o seu entendimento de que a responsabilidade política e pública é pessoal, indelegável e insuscetível de diluição”.
Na semana passada, o líder do PS desafiou Luís Montenegro a demitir a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por considerar que a “ministra não tem condições” para continuar no cargo e que “perdeu a autoridade política”.
José Luís Carneiro afirmou ainda que que o Presidente da República tornou “mais evidente que o Governo falhou na sua política de saúde” e “mostra-se incapaz de responder às necessidades” do setor.
(Notícia atualizada com mais informações)
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