Sindicato da PSP realiza plenário no aeroporto em dia de maior “impacto” nos voos em Lisboa

  • Lusa e ECO
  • 4 Novembro 2025

Associação Sindical dos Profissionais da Polícia contesta "falta de condições" e "sobrecarga de trabalho" dos agentes. Plenário provocou filas significativas nas partidas do aeroporto de Lisboa.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) está a realizar esta terça-feira de manhã um plenário no aeroporto de Lisboa para denunciar “a falta de condições” dos polícias, que estão “totalmente exaustos e desmotivados”.

Além do plenário que se realiza, entre as 07:00 e as 11:00 na Esquadra de Controlo e Fronteira, dirigentes da ASPP vão também distribuir no exterior do aeroporto informação aos passageiros sobre a atual situação que se vive no controlo de passageiros nas fronteiras aeroportuárias, uma competência que a PSP herdou há dois anos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Este plenário acontece no dia em que há um maior número de voos de e para fora do espaço Schengen (espaço europeu de livre circulação de pessoas e mercadorias) o que poderá originar mais constrangimentos, uma vez que o novo Sistema de Entrada/Saída (EES) tem causado problemas, principalmente nos aeroportos de Lisboa e Faro.

Ao que o ECO apurou, a ação de protesto provocou filas significativas no controlo de fronteiras nas partidas do aeroporto Humberto Delgado, que chegavam até perto da saída do duty free. Nas chegadas a situação foi mais regular.

Consideramos que a terça-feira seria o dia ideal, porque temos de ter algum impacto e dar alguma dimensão para que, de uma vez por todas, quer o Governo, quer a opinião pública, perceba qual é o estado real em que se encontra o serviço nos aeroportos e a dificuldade que estamos a ter, porque parece que ninguém nos quer ouvir.

Paulo Santos

Presidente da ASPP

Consideramos que a terça-feira seria o dia ideal, porque temos de ter algum impacto e dar alguma dimensão para que, de uma vez por todas, quer o Governo, quer a opinião pública, perceba qual é o estado real em que se encontra o serviço nos aeroportos e a dificuldade que estamos a ter, porque parece que ninguém nos quer ouvir”, disse à Lusa o presidente da ASPP.

Para Paulo Santos, é importante realizar, não só o plenário para ouvir os polícias, mas também estar no exterior do aeroporto, na parte das chegadas, para distribuir “algumas informações aos cidadãos no sentido de explicar a razão pela qual os atrasos muitas vezes ocorrem”.

O presidente do maior sindicato da Polícia de Segurança Pública salientou que não consegue perceber quais os motivos que levaram o Governo a criar uma Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) “numa PSP que está totalmente desfalcada do ponto de vista de efetivos”.

“Constantemente estamos a ver os comandos do país a perder capacidade nas esquadras para dar cumprimento à missão na UNEF”, denunciou, frisando que os polícias que estão a trabalhar nos aeroportos, principalmente em Lisboa, estão “totalmente exaustos e desmotivados com esta situação”. Segundo Paulo Santos, a ASPP tem recebido várias denúncias de polícias em “exaustão, ‘burnout’ e desmotivação”.

Estamos a ver os nossos colegas com sobrecarga de trabalho, mas também com a ideia que é muitas vezes passada para o exterior de que os atrasos e as dificuldades e os constrangimentos que existem nos aeroportos serão responsabilidade dos polícias, e isso nós não admitimos”, disse.

O que está na base destes atrasos, afirmou, “não decorre daquilo que é o serviço policial em si, mas sim a falta de meios e capacidade até estrutural do aeroporto“, salientou. Paulo Santos defendeu que, além de um aumento do efetivo policial, é também necessário criar condições de trabalho tecnológicas e do próprio espaço, mas principalmente deixar de tratar os polícias “como polícia ‘low cost'”, considerando que devem ser “valorizados e compensados” com a atribuição de um suplemento aeroportuário, como acontecia com os ex-inspetores do SEF.

Pedro Nuno Santos diz que Montijo podia estar a funcionar em 2026

O Executivo criou, por despacho, uma equipa especial permanente para gerir os fluxos de passageiros no controlo de fronteiras dos aeroportos de Lisboa e Faro, para responder aos “constrangimentos significativos” na gestão das filas de passageiros nas áreas de partidas e chegadas.

O antigo ministro das infraestruturas, Pedro Nuno Santos, afirma numa publicação no Instagram esta terça-feira que o principal problema está na incapacidade para tomar decisões sobre um problema estrutural.

O problema principal do aeroporto não é a falta de ‘task forces’ (já houve muitas no passado) nem de polícia (embora possa ajudar a despachar as chegadas de fora da UE). O problema fundamental é termos um aeroporto a rebentar pelas costuras, há muitos anos”, afirma o também ex-secretário-geral do PS.

Não há remendos que resolvam um problema estrutural. Em 2022 fui amplamente criticado e tive um despacho revogado [por determinação do primeiro-ministro António Costa]. Mas se não tivesse sido revogado, já no próximo ano podíamos estar a abrir o aeroporto do Montijo.

Pedro Nuno Santos

Antigo ministro das Infraestruturas

“Não há remendos que resolvam um problema estrutural. Em 2022 fui amplamente criticado e tive um despacho revogado [por determinação do primeiro-ministro António Costa]. Mas se não tivesse sido revogado, já no próximo ano podíamos estar a abrir o aeroporto do Montijo. Ou seja, em quatro anos (a contar a partir do verão de 2022) poderíamos ter uma nova pista no Montijo e estaríamos em condições de poder aliviar o Humberto Delgado”, diz Pedro Nuno Santos. “O investimento no Montijo seria reduzido, porque seria sempre uma solução temporária”, até o aeroporto de Alcochete estar concluído, acrescenta.

O ex-líder socialista deixa também críticas ao atual Governo. “Montenegro e Pinto Luz, mais preocupados em fazer oposição ao governo socialista que com o futuro do país, ajudaram a bloquear a solução. Mas não foram os únicos. Assim, se todos os prazos correrem bem (o que duvido), teremos novo aeroporto em Alcochete apenas em…2037. E caos, até lá“.

(Notícia atualizada às 11h20)

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