EDP prevê mais lucro, maior dividendo e 12 mil milhões de investimento até 2028
A EDP vai investir 12 mil milhões até 2028, menos que o previsto anteriormente. Ao mesmo tempo, conta subir o dividendo e os lucros, sendo que a EDPR deverá mesmo duplicá-los.
- EDP apresenta novo plano de negócios para 2026-2028, prevendo investir 12 mil milhões de euros e alcançar lucros de 1,3 mil milhões em 2028, com a EDP Renováveis a duplicar resultados apoiada na expansão nos Estados Unidos.
- A elétrica destina 7,5 mil milhões às renováveis, com 95% do investimento em mercados de rating A e forte foco no solar, eólica e armazenamento, enquanto reforça as redes na Península Ibérica e prevê reduzir dívida para 15 mil milhões até 2028.
- O grupo antecipa dividendos a crescer 5% para 21 cêntimos por ação e um portefólio mais resiliente, sustentado por contratos de longo prazo e ganhos estáveis em mercados regulados, após um ano de lucros em queda nas duas cotadas.
A EDP prevê um investimento bruto de cerca de 12 mil milhões de euros entre 2026 e 2028, informa a elétrica, em dia de apresentação do plano de negócios para este período. Em 2028, a elétrica espera lucrar 1,3 mil milhões de euros, e vê mesmo a subsidiária EDP Renováveis a duplicar os respetivos resultados em três anos, apoiada no crescimento nos Estados Unidos. Pelo caminho, o dividendo da casa-mãe cresce 5%, para os 21 cêntimos por ação.
A informação foi partilhada através de um documento, publicado na página da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Só através da subsidiária de energias limpas, a EDP Renováveis, a cotada pretende investir cerca de 7,5 mil milhões entre 2026 e 2028, com “retornos mais elevados” em solar, eólica e sistemas de armazenamento de energia.
Em termos geográficos, a maioria — 95% — destes investimentos incidirá sobretudo em mercados de rating A. Nesta categoria inserem-se os Estados Unidos e a Europa, que arrecadaram 80% do bolo de investimento. A aposta nas renováveis nos Estados Unidos sai mesmo reforçada: o peso deste território na carteira de investimento passará de 50% para 60%.
Já olhando às tecnologias, a EDPR prevê a instalação de 5 gigawatts de nova capacidade renovável no período, reforçando o peso da energia solar e do armazenamento nos Estados Unidos.
A estratégia passa por fechar contratos de longo prazo (através de Contratos de Aquisição de Energia ou Contratos por Diferenças) com contrapartes como grandes empresas tecnológicas e operadores de centros de dados, assim como utilities norte-americanas, já que estas “enfrentam um forte crescimento da procura de eletricidade”.
Além das renováveis, que perfazem mais de metade dos investimentos previstos, a EDP pretende reforçar no segmento das redes elétricas. Tem planeado desembolsar 3,6 mil milhões de euros neste âmbito, dos quais dois terços na Península Ibérica. Vai também reforçar o portefólio de produção flexível de eletricidade (flexgen) e clientes na Península
Ibérica, informa.
O investimento agora anunciado é inferior ao do anterior plano estratégico, que previa 25 mil milhões de euros para o período entre 2023-2026. Contudo, essa meta foi cortada por mais de uma vez: em 2024, a EDP anunciou uma “desaceleração do investimento” até 2026, colocando como objetivo para o horizonte entre 2024 e 2026 um investimento bruto de 17 mil milhões de euros; no início deste ano, voltou a moderar o ritmo do investimento até 2026, propondo um teto de 4,4 mil milhões de euros anuais nos volumes de investimento, 22% abaixo daquilo que estimava em maio do ano anterior.
De forma a “libertar capital para investimento nos principais mercados de crescimento”, a EDP tem como objetivo obter um encaixe financeiro de 5 mil milhões de euros com transações de rotação de ativos, o correspondente a ganhos médios de 0,2 mil milhões de euros ao ano, complementados por mil milhões de euros em alienações durante o período.
Lucros até 2028 sobem. EDPR duplica
No novo plano estratégico, a EDP coloca a fasquia para o resultado líquido nos 1,2 mil milhões de euros em 2025 e entre os 1,2–1,3 mil milhões em 2026. Já em 2028, prevê atingir os 1,3 mil milhões de euros, 8% acima da estimativa para 2025, “melhorando o perfil de qualidade dos resultados com menor peso de ganhos de rotação de ativos e maior peso de mercados regulados e com rating A”.
Contudo, estas previsões são semelhantes àquelas avançadas pelo CEO em julho deste ano, quando o mesmo admitia que o lucro recorrente (ou seja sem efeitos extraordinários) se colocaria no intervalo entre 1,2 mil milhões e 1,3 mil milhões ainda em 2025.
No que toca o EBITDA, a estimativa de 4,9 mil milhões de euros em 2025 é reiterada. A partir de 2026, a previsão é que este se cifre entre 4,9 e 5 mil milhões em 2026, e atinja os 5,2 mil milhões de euros em 2028, 5% acima da estimativa para 2025. O crescimento deverá suportado pela expansão nas renováveis e redes.
Olhando para a subsidiária de energias limpas, “o resultado líquido deverá duplicar”, lê-se na documentação. Deverá passar de 300 milhões no conjunto de 2025 para 600 milhões em 2028. A meta do EBITDA para 2025 não mexe, fixando-se nos 1,9 mil milhões em 2025, para depois aumentar para 2,1 a 2,2 mil milhões em 2026 e, finalmente, 2,2 mil milhões em 2028, 15% acima da estimativa para 2025. Esta evolução tem em conta o “forte crescimento” nos EUA, que sustentará quase 70% do EBITDA em 2028.
Estas previsões são avançadas um dia após a apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano para cada uma destas cotadas, cujo lucro diminuiu. A EDP registou uma quebra de 12% no lucro, para os 952 milhões de euros, enquanto a EDPR derrapou, mostrando uma quebra de 49% para os 107 milhões até setembro.
Dividendo também cresce
Em paralelo com o aumento no lucro, a cotada pretende entregar mais remuneração aos acionistas. A EDP aponta “um aumento do dividendo mínimo” para 21 cêntimos por ação, uma subida que deverá decorrer até 2028, e que representa um aumento de 5% face a 2025. Neste sentido, a empresa afirma estar a garantir “retornos atrativos” para os acionistas.
No caso da EDP Renováveis, o previsto é um programa de dividendo em ações (scrip dividend) “estável”, com payout entre 30 a 50% nos anos até 2028.
Dívida líquida reduz
A cotada espera uma redução de mil milhões de euros na dívida líquida, de 16 mil milhões de euros em 2025 e 2026 para 15 mil milhões de euros em 2028. A quebra decorre de um “investimento disciplinado e geração robusta de cash flow”. Assim, a empresa espera manter uma classificação de rating de crédito BBB, “mantendo um portefólio resiliente e de baixo risco”.
No anterior plano estratégico, apresentado em 2023, a EDP previa uma subida na dívida de 13 mil milhões para 17 mil milhões de euros até 2026.
A EDP Renováveis contribuirá para esta trajetória. A subsidiária deverá diminuir a sua dívida em 1,5 mil milhões, passando de 8 mil milhões em 2025 para 6,5 mil milhões em 2028.
(Notícia atualizada às 11h28 para clarificar, no título curto, a tendência de decréscimo no investimento)
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