Salário médio líquido acelera 9% para 1.298 euros. Veja as profissões com maiores aumentos
No terceiro trimestre, trabalhadores dependentes ganharam mais 104 euros limpos em média face há um ano. Gestores, diretores e políticos continuam a ser a classe mais bem paga.
O salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem subiu quase 9% no terceiro trimestre para 1.298 euros. São mais 104 euros no bolso, livre de impostos e contribuições face há um ano. A evolução dos ordenados volta assim a acelerar depois de terem abrandado no trimestre anterior, quando tinham crescido pouco mais de 7%.
Militares, técnicos e agricultores registaram os maiores aumentos mas gestores, diretores e políticos continuam a representar a classe mais bem paga. O ordenado médio líquido deste grupo profissional atingiu os 2.037 euros, distando agora 1.236 euros face aos ordenados mais baixos dos trabalhadores não qualificados, segundo os cálculos do ECO com base nos novos dados publicados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), juntamente com as estatísticas do emprego relativas ao período entre julho e setembro de 2025.
No terceiro trimestre do ano, o vencimento médio líquido aumentou 8,71% para 1.298 euros, em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o ordenado médio já limpo de impostos e contribuições sociais estava nos 1.194 euros. Trata-se de um aumento mais robusto, de 104 euros, face aos três meses anteriores, altura em que o impulso tinha sido de apenas 7,3% ou 86 euros.
Em termos reais, já descontando o impacto da inflação média dos últimos 12 meses registada em setembro, de 2,4%, o crescimento foi menor, mas ainda significativo: 8,5% ou 101,5 euros. Isto significa que 2,496 euros do aumento nominal de 104 euros foi “comido” pela subida dos preços. Subtraindo então o efeito do custo de vida, o ordenado médio líquido avançou para 1.295,5 euros.
O rendimento médio mensal líquido da população empregada por conta de outrem, já depois da retenção na fonte em sede de IRS e das contribuições sociais, tem estado a crescer consecutivamente. No ano passado, a folha salarial dos trabalhadores subiu 100 euros para 1.142 euros, correspondendo a um aumento de 9,6%, em relação ao vencimento médio de 1.042 euros de 2023. Foi a maior subida da década.
O arranque de 2025 manteve esta trajetória ascendente das remunerações, com o ordenado médio líquido a ultrapassar a fasquia dos 1.200 euros. Entre abril e junho, a valorização manteve-se positiva nos 7% e agora acelerou 8,71%. De destacar os maiores aumentos verificados nas Forças Armadas, nos técnicos de nível intermédio e nos agricultores.
No caso dos políticos, gestores e diretores, o ordenado médio líquido voltou a superar a fasquia dos 2.000 euros ao ter alcançado o patamar dos 2.037 euros. Esta evolução está diretamente relacionada com o fim do corte salarial de 5% no início do ano. A penalização sobre os titulares de cargos políticos e gestores públicos perdurava desde o período da troika e foi eliminada por proposta de PSD e CDS, aprovada no âmbito do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025).
Mas o fosso entre os ordenados mais elevados, dos representantes do poder legislativo, gestores e diretores, e os salários mais baixos, dos trabalhadores não qualificados recuou: de 1.267 para 1.236 euros em termos homólogos. No terceiro trimestre, os executivos ganhavam 2.037 euros e os trabalhadores pior remunerados recebiam 801 euros líquidos no final do mês. De salientar que este vencimento fica abaixo do salário mínimo, de 870 euros mensais brutos, porque se trata do valor já limpo, depois dos descontos de 11% para a Segurança Social, sendo que não há lugar a retenção na fonte em sede de IRS no caso da retribuição mínima mensal garantida.
Na variação em cadeia, do segundo para o terceiro trimestre de 2025, o aumento do salário médio líquido foi bastante mais ligeiro, de 2,69% ou 34 euros em comparação com o ordenado de 1.264 euros calculado pelo INE.
Maiores aumentos para militares, técnicos e agricultores
Analisando a variação das remunerações médias líquidas por grupos de profissões, o INE mostra que, no terceiro trimestre do ano, Forças Armadas, técnicos de nível intermédio e agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta foram as classes que registaram um maior aumento dos salários.
No topo do ranking, estão os militares que passaram a ganhar 1.990 euros, ou seja, mais 22,69% ou 368 euros face ao ordenado de há um ano, que estava nos 1.622 euros, um resultado influenciado por medidas de valorização da carreira militar como a atualização em 50 euros do suplemento de condição militar, que subiu de 300 para 350 euros mensais, no início do ano, ou pela equiparação da remuneração base dos postos de praças e sargentos das Forças Armadas e da GNR.
Em segundo lugar, surge o grupo dos técnicos de nível intermédio. A folha de vencimento destes profissionais saltou de 1.242 euros para 1.387 euros, um aumento de 145 euros, o que se traduz num crescimento homólogo de 11,67%.
A completar o pódio das maiores subidas no salário médio líquido estão os agricultores, que tiveram um incremento remuneratório de 9,32% ou de 83 euros, o que elevou o ordenado de 891 para 974 euros mensais líquidos.

Em sentido oposto, entre os grupos profissionais com aumentos salariais menos significativos, em termos homólogos, e que ficaram abaixo do aumento médio (8,71%), estão os trabalhadores da montagem, seguranças e vendedores e os profissionais das atividades científicas e intelectuais, onde se incluem médicos e professores.
Entre julho e setembro, o vencimento dos operadores de instalações e máquinas e dos trabalhadores da montagem atingiu os 1.108 euros, uma subida de 6,23% ou de 65 euros face ao ordenado do mesmo período do ano passado, de 1.043 euros.
Na lista das menores variações, seguem-se os trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores, cujo ordenado médio líquido deu um salto de 6,86% ou 63 euros, evoluindo de 919 euros para 982 euros.
Os especialistas das atividades intelectuais e científicas completam o grupo de profissões com incrementos remuneratórios mais modestos: beneficiaram de um aumento de 7,58% ou de 125 euros, o que elevou o ordenado médio líquido desta classe profissional de 1.648 para 1.773 euros.
Gestores, políticos e trabalhadores da montagem com perda salarial na variação em cadeia
Já na comparação entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025, os gestores, diretores, políticos e trabalhadores da montagem sofreram uma redução no rendimento mensal líquido.
No caso dos gestores, diretores e políticos, verificou-se um recuo salarial de 1,12% ou de 23 euros, o que fez o ordenado cair de 2.060 para 2.037 euros, entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. Em relação aos trabalhadores da montagem, os salários encolheram 0,45% ou cinco euros, passando de 1.113 para 1.108 euros.
De salientar ainda o aumento bastante comedido que se verificou nos rendimentos mensais líquidos dos técnicos de nível intermédio, que beneficiaram de uma subida em cadeia de apenas 1,39% ou de 19 euros. A folha de vencimento passou assim de 1.368 para 1.387 euros.
Também os seguranças e vendedores tiveram um aumento bastante incipiente, com uma valorização de 1,97% ou de 19 euros, na comparação entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025. A remuneração destes trabalhadores subiu, desta forma, de 963 para 982 euros.

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