Trabalhadores nas Lages escapam a ‘shutdown’ americano

  • ECO
  • 8 Novembro 2025

Governo regional dos Açores antecipam empréstimo para garantir salários de trabalhadores portugueses nas Lages, afetados pelo 'shutdown' mais longo da história nos EUA.

A paralisação orçamental mais longa da história do Governo dos Estados Unidos está a ter repercussões além-fronteiras, com milhares de trabalhadores locais em bases militares norte-americanas na Europa sem receber salário há quase seis semanas. Ainda assim, no caso de Portugal, os cerca de 360 trabalhadores portugueses da Base das Lajes com salários em atraso vão poder recorrer a um adiantamento a partir de segunda-feira, segundo anunciou o Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).

De acordo com a agência Associated Press (AP), milhares de funcionários civis que prestam serviços em bases dos EUA em países europeus viram os seus rendimentos interrompidos desde o início do ‘shutdown’. Em alguns casos, os governos anfitriões decidiram antecipar os pagamentos, esperando ser reembolsados por Washington quando a situação se resolver. E um desses casos é o do Governo regional dos Açores.

O executivo açoriano publicou no Jornal Oficial a portaria que regulamenta a concessão de um apoio financeiro de caráter social, temporário e reembolsável, correspondente ao adiantamento das remunerações em atraso dos trabalhadores afetos às Forças dos Estados Unidos da América nos Açores (USFORAZORES), nas Lajes, na ilha Terceira.

Portugal e os Estados Unidos têm um Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação que permite aos norte-americanos usufruírem de facilidades militares na Base das Lajes, onde trabalha um efetivo civil português.

Também na Alemanha, o Ministério das Finanças confirmou ter assumido o pagamento de cerca de 11 mil trabalhadores civis em bases norte-americanas, incluindo na base aérea de Ramstein, centro estratégico das operações dos Estados Unidos no Médio Oriente e em África.

Já em Itália, segundo o coordenador sindical Angelo Zaccaria, mais de 4.600 italianos trabalham em cinco bases norte-americanas, sendo que destes cerca de 2.000, sobretudo em Aviano e Vicenza, não receberam vencimento de outubro.

O período de paralisação orçamental, conhecido como ‘shutdown’, iniciou-se há quase seis semanas e resulta do impasse político nos Estados Unidos relativamente à aprovação do federal, que levou à suspensão de pagamentos e atividades não essenciais do Governo norte-americano.

De acordo com as estimativas do Gabinete de Orçamento do Congresso, aproximadamente 750.000 funcionários federais considerados não essenciais foram temporariamente suspensos devido à paralisação. Por sua vez, pouco mais de 1,5 milhões de funcionários, incluindo polícias e controladores de tráfego aéreo, continuam a trabalhar, embora não recebam os seus salários até que a paralisação administrativa seja resolvida.

Os democratas continuam a recusar-se a aprovar o orçamento dos republicanos no Senado, a menos que estes aceitem negociar uma extensão dos subsídios do programa de saúde Obamacare.

Os republicanos afirmam que não se sentarão para negociar a menos que os democratas aprovem, primeiro, o orçamento federal, de maneira a acabar com a paralisação do governo federal.

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