COP faz-se nas negociações mas também “cá fora”

Num balanço da COP, o otimismo recai sobre a ação que foi desenvolvida ao lado das salas de negociações durante o evento e dos esforços que se esperam ao longo do ano.

A COP30 deixa sentimentos mistos: se, por um lado, reúne alguma descrença em torno do acordo final que foi possível firmar, por outro, reacende a esperança na ação que se desenvolveu ao lado das salas de negociações e que vai continuar ao longo do ano, para lá da cimeira.

No entender de Pedro Azeitona, diretor de Qualidade e Ambiente do Vila Galé, o que as cimeiras do clima trazem “é a diferença entre aquilo que é a ambição de medidas e situações que são decididas nas COP, e aquilo que depois será a implementação e os resultados práticos que retiraremos das mesmas“, afirmou no painel COP Debrief, no âmbito do ESG Forum, no auditório da PLMJ, esta terça-feira.

Ao seu lado, Luís Rocharte, chairman do Comité de Sustentabilidade da Mota-Engil, destaca que existem “duas realidades” na COP. Uma delas é a das negociações, onde estão presentes governantes e representantes da administração pública, onde há “dificuldade” em negociar e “há muita coisa que não está a ser resolvida”.

“Temos tido uma dificuldade muito grande em estar à altura do que é que são as responsabilidades”, acusa. “E a outra [realidade], é a feira à volta, onde, na verdade, as nossas esperanças podem desaguar”, indica, referindo-se às sessões paralelas. O chairman do Comité de sustentabilidade da Mota-Engil é perentório: “Acredito mais na capacidade da economia, das empresas, de tomarem as suas decisões, que evidentemente têm que acompanhar o que se passa nestes processos“.

Acredito mais na capacidade da economia, das empresas, de tomarem as suas decisões, que evidentemente têm que acompanhar o que se passa nestes processos.

Luís Rocharte

Chairman do Comité de Sustentabilidade da Mota-Engil

Destaca como exemplo a aposta na transição que está a ser feita na China e também em alguns estados dos EUA, apesar deste país se ter retirado do acordo de Paris. “Se temos que resolver um problema – e já vamos em 30 reuniões e estamos longe de encontrar solução –, provavelmente há aqui qualquer coisa que é preciso transformar”, acredita.

Pedro Azeitona destaca também essa ação “extra” COP. “Todos os stakeholders que estão à nossa volta, as empresas, os investidores, a própria sociedade civil, as cidades são muito importantes“, reforça, ao mesmo tempo que apela a uma “transição justa”, não só para as pessoas, mas também entre geografias.

“Temos que perceber que a União Europeia se calhar já está alguns passos à frente de outras sociedades em subdesenvolvimento, mas se calhar o esforço ainda continua a ser muito nosso e a sobrecarregar-nos muito a nós [europeus]”, afirma.

Todos os stakeholders que estão à nossa volta, as empresas, os investidores, a própria sociedade civil, as cidades são muito importantes.

Pedro Azeitona

Diretor de Qualidade e Ambiente do Vila Galé

Por seu lado, Alexandra Azevedo, da Quercus, concede que da parte das associações de defesa do ambiente, “em todas as COP, quase invariavelmente, os resultados têm sido insuficientes”. Este ano, toma como principal derrota a não inclusão de um roteiro para o fim do uso dos combustíveis fósseis no acordo.

Em todas as COP, quase invariavelmente, os resultados têm sido insuficientes.

Alexandra Azevedo

Presidente da Quercus

Contudo, à semelhança dos restantes oradores do painel, destaca a participação cívica, desde o evento paralelo da Cúpula dos Povos até à marcha global pela justiça climática, que teve uma adesão muito acima dos 30 mil previstos: terá incluído 70 mil pessoas. Numa ótica otimista, afirma que se tem visto um “trabalho em contínuo” e de grande abrangência de atores.

Sobre estarem previstos eventos fora da COP para dar continuidade ao esforço de elaborar um roteiro para o abandono dos combustíveis fósseis, como uma conferência na Colômbia e um esforço por parte da Presidência brasileira da COP para trabalhar no tema, a presidente da Quercus divide-se, mas vê esperança: “De certo modo esvazia um pouco [a COP], mas por outro lado é a forma dos países que querem dar mais passos darem um sinal aos outros, e portanto isto acaba por, de alguma forma, criar sempre aqui alguma influência“, conclui.

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