Novos créditos à habitação sentem primeira subida dos juros em sete meses

A taxa de juro média nos novos créditos à habitação aumentou para 2,853% em novembro. Foi a primeira subida desde abril e pode marcar o fim do ciclo de baixas contínuas nas prestações.

A prestação da casa ficou ligeiramente menos pesada em novembro para quem já tem crédito à habitação, mas quem assinou contrato nos últimos meses começou a sentir uma inversão da tendência de alívio.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), “a taxa de juro implícita no crédito à habitação desceu para 3,133%, valor inferior em 4,7 pontos base face ao registado no mês anterior, acumulando uma redução de 152,4 pontos base desde o máximo atingido em janeiro de 2024 (4,657%)”, lê-se num comunicado publicado esta quinta-feira.

Ao mesmo tempo, nos contratos mais recentes houve uma pequena subida, a primeira desde a primavera. “Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu pela primeira vez desde abril de 2025, de 2,850% em outubro para 2,853% em novembro.” Esta variação é muito curta em termos absolutos, mas é relevante como sinal de que a fase de descida dos juros para novos contratos poderá estar a perder força.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu pela primeira vez desde abril de 2025, tendo-se fixado em 2,853%, (mais 0,3 pontos base face à taxa observada no mês precedente.

Instituto Nacional de Estatística

O recuo da taxa implícita média da totalidade dos contratos confirma o movimento de alívio face aos máximos registados durante o ciclo de subida agressiva das taxas diretoras. Na prática, isto significa que a generalidade dos contratos em curso, sobretudo indexados à taxa Euribor, já beneficiou de uma descida significativa do custo do dinheiro ao longo de 2024 e 2025.

Para o principal destino de financiamento, “aquisição de habitação, o mais relevante no conjunto do crédito à habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos desceu para 3,133% (-4,6 p.b. face a outubro)”, refere o INE. Ou seja, a fotografia global continua a ser de alívio, mesmo que o movimento esteja a ser mais lento e já com alguns sinais de estabilização ou ligeira inversão nos contratos mais recentes.

Mas é na ponta mais recente do mercado que surge a mudança de sinal. O INE explica que, “nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu pela primeira vez desde abril de 2025, tendo-se fixado em 2,853%, (mais 0,3 pontos base face à taxa observada no mês precedente), verificando-se uma diminuição acumulada de 152,7 pontos base desde o máximo atingido em outubro de 2023.”

Para quem está a contratar crédito agora, isto traduz-se num custo médio ainda bastante abaixo dos picos de 2023, mas já sem a mesma trajetória de descida contínua. A subida de 2,850% para 2,853% em novembro é residual em termos de prestação, mas funciona como um indicador: os novos contratos estão sensíveis à evolução recente das taxas de mercado e à expectativa sobre a política monetária.

Nos contratos destinados à aquisição de habitação, o comportamento é semelhante. “Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, a taxa de juro subiu 0,3 pontos base comparativamente com o mês anterior, para 2,853%.”

Prestação média estabiliza e juros já pesam menos de metade

Do lado das prestações, o INE mostra que a fatura mensal estabilizou, com um ligeiro alívio relativamente ao ano passado. “Considerando a totalidade dos contratos, o valor médio da prestação mensal fixou-se em 394 euros, valor igual ao verificado no mês anterior e inferior em 9 euros (-2,2%) ao de novembro de 2024.”

Dentro destes 394 euros, a fatia destinada a juros já é minoritária, refletindo o efeito da descida das taxas e da amortização gradual do capital. “Do valor da prestação, 193 euros (49,0%) correspondem a pagamento de juros e 201 euros (51,0%) a capital amortizado. Pelo terceiro mês consecutivo, a componente juros tem um peso inferior a 50%.” Ou seja, em média, as famílias estão a canalizar ligeiramente mais da prestação para reduzir dívida do que para pagar juros ao banco, um sinal de menor pressão financeira face aos meses em que as taxas estavam mais elevadas.

Em novembro de 2025, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 490 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 74.670 euros.

Instituto Nacional de Estatística

Nos contratos mais recentes, o valor da prestação é substancialmente mais alto, em linha com o aumento dos montantes financiados. “Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação aumentou 2 euros, fixando-se em 668 euros (subida de 5,7% face ao mesmo mês do ano anterior).” Esta subida homóloga de 5,7% indica que, para quem entrou no mercado da habitação no último ano, o esforço mensal tende a ser maior, mesmo num contexto de taxas já mais baixas do que no pico.

A par da evolução dos juros e prestações, os dados do INE revelam ainda que o stock médio de dívida por contrato continuou a subir em novembro. “Em novembro de 2025, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 490 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 74.670 euros.”

Nos contratos mais recentes, os valores são muito superiores, refletindo preços da habitação mais altos e montantes financiados mais robustos. “Para os contratos celebrados nos últimos 3 meses, o montante médio em dívida foi 166.661 euros, mais 1.068 euros que em outubro.”

Esta diferença entre o capital em dívida médio do conjunto dos contratos e dos contratos recentes ajuda a explicar porque é que a prestação média dos novos créditos (668 euros) é muito superior à prestação média global (394 euros), mesmo com taxas de juro mais baixas na ponta recente.

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