Semapa vende Secil à espanhola Cementos Molins por 1.400 milhões de euros

Holding da família Queiroz Pereira aliena 100% da Secil a produtora espanhola de agregados, cimento e betão. Fecho da operação previsto até março de 2026. Ações disparam para máximos de 2018.

A Semapa SEM 0,67% assinou esta sexta-feira um acordo vinculativo relativo à venda à espanhola Cementos Molins da totalidade do capital social que detém na Secil, que emprega 2.900 trabalhadores.

O valor da transação acordado representa um Enterprise Value de 1.400 milhões de euros, adianta o grupo em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Na mesma nota, a holding da família Queiroz Pereira refere que “o fecho desta operação está previsto ocorrer no primeiro trimestre de 2026, estando sujeito às condições habituais para este tipo de operações”.

Esta operação representa um movimento estratégico para o grupo, permitindo fortalecer a nossa capacidade de investimento, dentro da estratégia delineada de diversificação do portefólio.

Ricardo Pires

CEO da Semapa

“A Secil faz parte da génese da Semapa e terá sempre um lugar especial na nossa história. Quero expressar o meu reconhecimento à equipa da Secil pelo percurso notável de transformação, crescimento e criação de valor nos últimos anos”, refere Ricardo Pires, CEO da Semapa.

Esta operação, acrescenta, representa um “movimento estratégico” para a Semapa, permitindo “fortalecer a capacidade de investimento dentro da estratégia delineada de diversificação do portefólio”. O gestor descreve os novos donos como “um grupo cimenteiro relevante, com presença global, e também detido por uma família com uma visão de longo prazo, o que garante o desenvolvimento futuro da empresa”.

Este mega negócio avança seis meses após a Cementos Molins estabelecer-se em Portugal através da aquisição da empresa portuguesa Concremat, localizada no concelho de Pinhal Novo, no distrito de Setúbal, que tem dois centros de produção, emprega 110 pessoas e fatura 52 milhões de euros.

Nessa altura, em junho, Marcos Cela, CEO da Molins, salientou que “Portugal é um mercado importante no sul da Europa” e que a Concremat trazia consigo “um histórico sólido, capacidades industriais consolidadas e uma cultura empresarial perfeitamente alinhada” com o grupo do país vizinho.

A Secil traz uma presença internacional sólida e uma cultura forte, enraizada na sua herança industrial familiar, com valores que partilhamos convictamente.

Marcos Cela

CEO da Molins

Esta sexta-feira, citado em comunicado, Marcos Cela fala num “marco importante na estratégia da Molins”, notando que a Secil “traz uma presença internacional sólida e uma cultura forte, enraizada na sua herança industrial familiar”.

“A combinação das nossas forças vai permitir-nos crescer com um perfil mais diversificado e resiliente, reforçando ao mesmo tempo o nosso compromisso com a sustentabilidade. Juntos, iremos expandir a nossa oferta de soluções circulares e de baixo carbono, de elevado valor, para os nossos clientes, criando novas oportunidades para as nossas pessoas.

Lucros da Secil amorteceram quebra no papel

Fundada em 1930, a Secil é uma das principais empresas portuguesas do setor cimenteiro, com um total de oito fábricas, incluindo três em Portugal (Outão, Maceiras e Pataias) e uma capacidade anual de produção de 10 milhões de toneladas de cimento.

Entre janeiro e setembro, os lucros da Secil ascenderam a 52,3 milhões de euros, 30,7% acima do registo no mesmo período do ano passado, ajudando a amortecer a quebra nos lucros da holding provocada pelo negócio da pasta e papel (Navigator).

Nos primeiros nove meses do ano, o volume de negócios da Secil aumentou 7,2% em termos homólogos, para 564,1 milhões de euros. O EBITDA totalizou 140,4 milhões após uma subida de 18,4%, com a respetiva margem a fixar-se nos 24,9%, 2,4 pontos percentuais acima do ano anterior.

Nas contas mais recentes da Semapa, a Secil surgiu igualmente em evidência no capítulo do investimento em ativos fixos por causa dos quase 50 milhões de euros investidos pela produtora de cimentos e outros materiais de construção na fábrica da Maceira (ProFuture), visando aumentar a eficiência energética nas operações de cimento em Portugal.

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