Preço dos ovos quase duplica em três anos, com retalhistas a “esmagarem as margens”
Com 50 focos de gripe das aves em Portugal desde o início do ano, o preço dos ovos já subiu 32%. Subida deriva de vários fatores: gripe aviária, aumento dos custos de produção e consumo, diz a Anapo.
O preço dos ovos quase duplicou em apenas três anos. O preço de meia dúzia de ovos subiu 87% entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, passando de 1,14 euros para 2,12 euros, traduzindo a forte procura e a escassez de oferta a nível mundial, devido à persistência de casos de gripe aviária em vários países. O preço este ano disparou quase 32%.
A associação que representa as empresas de distribuição diz ao ECO que os “retalhistas têm procurado mitigar esses efeitos com estratégias que passam pelo esmagamento das margens“. A Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos (Anapo) acredita que as empresas de distribuição “estão a diminuir as margens”, mas que o” aumento do preço passa também para o consumidor”.
Segundo dados da Deco enviados ao ECO, só entre 01 de janeiro e 10 de dezembro deste ano, o valor de meia dúzia de ovos aumentou de 1,61 euros para 2,12 euros, o que representa um aumento de quase 32%.
A subida deste ano está relacionada com o mais recente surto de gripe aviária, numa altura em que a a Comissão Europeia atualizou as zonas de proteção e vigilância contra a gripe das aves de alta patogenicidade (GAAP) devido ao aparecimento de 74 novos casos em explorações avícolas dos Estados-membros. Na segunda semana de dezembro, Portugal contabilizou mais dois novos casos de gripe aviária em Lisboa e Aveiro, registando, desde o início do ano, 50 focos de infeção.
A subida no preço dos ovos deriva de vários fatores: o aumento dos custos de produção nos últimos anos, principalmente com a alimentação que aumentou muito o valor, a gripe das aves e o aumento do consumo.
O líder da Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos (Anapo) explica ao ECO que a subida no preço dos ovos deriva de vários fatores, nomeadamente o “aumento dos custos de produção nos últimos anos, com especial incidência na alimentação”, “a gripe das aves” e o “aumento do consumo”.
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) corrobora a ideia de Paulo Mota e afirma ao ECO que “o preço dos ovos tem vindo a aumentar por razões externas ao retalho“, nomeadamente “os vários episódios de gripe das aves, alterações legislativas que afetaram a produção e o aumento do consumo, não apenas sazonal, mas de forma mais continuada”.
Perante este contexto, a APED garante que os “retalhistas têm procurado ser ainda mais eficientes para mitigar estes efeitos da volatilidade do mercado e que passam por várias estratégias que passam seguramente por um esmagamento das margens relativamente a estes produtos”, apesar de destacar que cada “retalhista tem a sua estratégia e a APED não interfere nas estratégias comerciais dos seus associados”.
Os retalhistas têm procurado ser ainda mais eficientes para mitigar estes efeitos da volatilidade do mercado e que passam por várias estratégias que passam seguramente por um esmagamento das margens relativamente a estes produto.
De acordo com a primeira estimativa das “Contas Económicas da Agricultura – 2025” do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção de ovos deverá este ano aumentar em volume (+7,1%) e, expressivamente, em preço (+24,4%). “A nível mundial, e com impacto no mercado nacional, continua a existir uma forte procura de ovos e uma escassez de oferta, o que tem mantido os preços em níveis que incentivam o aumento da produção. A escassez de oferta resulta da persistência de casos de gripe aviária em vários países, particularmente em Espanha”, resume o gabinete de estatística.
O presidente da Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos adianta que uma eventual subida de preços nos ovos no próximo ano “depende da evolução da gripe aviária”. “Se o número de casos começar a aumentar na Europa e no mundo é possível assistirmos a um acréscimo nos preços devido à escassez”, prevê Paulo Mota.
Apesar da gripe aviária e da procura elevada por ovos no período natalício e de Ano Novo, a associação que representa as empresas de distribuição prevê que “não haja qualquer rutura de stocks“.
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