EUA vão “iniciar ataques terrestres” contra cartéis de droga. “Não preciso do direito internacional”, diz Trump
"A minha própria moralidade, a minha própria mente, é a única coisa que me pode parar. Não preciso do direito internacional, disse o presidente norte-americano.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que, após os bombardeamentos contra embarcações marítimas nas Caraíbas e no Pacífico, os Estados Unidos vão realizar “ataques terrestres” contra os cartéis de droga, sem especificar o local exato.
“Vamos iniciar ataques terrestres contra os cartéis. Os cartéis controlam o México. É muito, muito triste ver e observar o que aconteceu neste país”, disse o dirigente norte-americano, na quinta-feira, em entrevista à Fox News.
Donald Trump exortou o México no domingo a “recuperar o controlo”, após meses de pressão sobre o vizinho do sul em questões relacionadas com a luta contra o narcotráfico e a balança comercial.

O Presidente norte-americano afirmou ter exortado a homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, a permitir que Washington enviasse forças dos EUA para combater os cartéis de droga que operam no México, uma proposta que a governante já tinha rejeitado no passado, disse Trump.
No sábado, as forças norte-americanas capturaram o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e esposa, Cilia Flores, acusados pela justiça dos EUA de narcoterrorismo e importação de “toneladas de cocaína”.
“O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem”, reagiu Claudia Sheinbaum, após o sequestro de Maduro.
Os Estados Unidos destacaram, desde o verão, um dispositivo militar para as águas das Caraíbas e bombardearam embarcações provenientes da Venezuela em nome da luta contra o narcotráfico. Operações cuja legalidade é questionada por especialistas, organizações não-governamentais e responsáveis das Nações Unidas.
Até agora, o Governo norte-americano não apresentou provas de que essas embarcações transportavam efetivamente drogas.
No final de dezembro, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma zona de desembarque usada por barcos acusados de participar no narcotráfico na Venezuela.
Trump considera a “própria moralidade” como o único limite para o seu poder
Entretanto, Donald Trump veio também defender que a sua “própria moralidade” é o único limite ao seu poder enquanto Presidente norte-americano, descartando assim o direito internacional como pretexto para atacar outros países.
O republicano tem sido alvo de críticas desde a operação militar na Venezuela que resultou na captura do Presidente do país latino-americano, Nicolás Maduro, e em cerca de uma centena de mortes, segundo as autoridades de Caracas.
Questionado em entrevista ao jornal The New York Times se havia limites para o seu poder para além dos Estados Unidos, Trump respondeu: “Sim, há uma coisa, a minha própria moralidade, a minha própria mente. Essa é a única coisa que me pode parar”. “Não preciso do direito internacional”, acrescentou.
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"Gronelândia? A propriedade dá algo que não se consegue com um arrendamento ou um tratado. A propriedade é muito importante.”
Quando pressionado sobre se o seu Governo deveria respeitar o direito internacional, Trump respondeu que já o faz, mas deixou claro que decidirá quando é que tais restrições se aplicarão aos Estados Unidos. O chefe de Estado norte-americano questionou ainda a definição de direito internacional.
Durante a entrevista, Trump mencionou o sucesso do seu ataque ao programa nuclear iraniano, a rapidez com que destruiu a imagem pública do Governo venezuelano e os seus planos em relação à Gronelândia.
Sobre este último ponto, recusou responder se prefere adquirir este território autónomo à Dinamarca ou preservar a NATO.
Quanto à necessidade de possuir a ilha, Trump analisou que “é o que se precisa psicologicamente para ter sucesso”, uma vez que “a propriedade dá-lhe algo que não se consegue com um arrendamento ou um tratado”. “A propriedade é muito importante”, insistiu.
Para o governante, a importância da soberania e das fronteiras nacionais é menor do que o papel dos Estados Unidos como protetor do Ocidente.
Trump afastou ainda a ideia de que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, pudessem usar uma lógica semelhante à sua em detrimento dos Estados Unidos.
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