Bernanke, Greenspan e Yellen unidos contra Trump. Ataque a Powell é tentativa “sem precedentes” de controlar Fed
Um conjunto de antigos presidentes do banco central e do Tesouro, que estiveram no cargo tanto em administrações republicanas como democratas, criticaram ataque a "Jay" Powell.
O novo ataque de Donald Trump contra o presidente da Reserva Federal (Fed) recebeu um coro de críticas, com 13 antigos líderes da instituição e do Tesouro americano que estiveram no cargo em administrações democratas e republicanas e que incluem nomes como Ben Bernanke, Alan Greenspan, ou Janet Yellen, a saírem em defesa de Jerome Powell.
“A investigação criminal contra o presidente do Reserva Federal, Jay Powell, é uma tentativa sem precedentes de usar ataques da promotoria para minar essa independência [da Fed]”, destaca a declaração conjunta assinada por antigos líderes do banco central dos EUA e publicada esta segunda-feira na plataforma Substack.
O comunicado foi divulgado após Jerome Powell ter informado que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode levar levar a um processo de destituição.
“A ameaça de acusações criminais é a consequência de a Reserva Federal estabelecer taxas de juro com base na nossa melhor avaliação do que serve o público, em vez de seguir as preferências do Presidente”, declarou Powell numa mensagem de vídeo.
“A independência da Reserva Federal e a perceção pública dessa independência são cruciais para o desempenho económico, incluindo o alcance das metas que o Congresso estabeleceu para o Reserva Federal: preços estáveis, pleno emprego e taxas de juros moderadas a longo prazo”, defende o comunicado.
Após mais esta tentativa — mais uma –por parte de Trump para controlar Powell, levando-o a baixar as taxas de juro, os responsáveis alertam para os riscos de uma política monetária sem independência, destacando que é assim que é “feita em mercados emergentes com instituições frágeis, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento das suas economias de forma mais ampla”.
“Isso não tem lugar nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, que está na base do nosso sucesso económico”, rematam.
Além de Yellen, Bernanke, Greenspan, também assinam a declaração Jared Bernstein, Jason Furman, Timothy F. Geithner, Glenn Hubbard, Jacob J. Lew, N. Gregory Mankiw, Henry M. Paulson, Kenneth Rogoff, Christina Romer e Robert E. Rubin.
Jerome Powell termina o mandato em maio e tem sido alvo de vários ataques por parte do presidente dos EUA, que não tem poupado críticas, nem insultos, numa tentativa de pressionar o presidente da Fed a acelerar a descida de juros. Tentativas que não têm resultado.
Governador do Banco de França junta-se a apoio
Também o governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, manifestou o seu apoio ao presidente da Reserva Federal, cuja independência tem estado a ser fortemente atacada pelo Presidente norte-americano.
“Em relação aos acontecimentos dos últimos dias, quero reiterar alto e bom som a minha total solidariedade e admiração por ‘Jay’ Powell, um modelo de integridade e compromisso com o interesse público”, declarou Villeroy de Galhau durante o seu discurso de Ano Novo.
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