Greves quase duplicam em novembro face há um ano

Deram entrada 115 pré-avisos de greve em novembro, o que corresponde a um salto homólogo de 89%. Ainda assim, total de 2025 está a caminho de ficar abaixo das greves registadas em 2024.

O número de pré-avisos de greve entregues em novembro quase duplicou face ao registado no mesmo mês de 2024, mostram os dados divulgados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). O penúltimo mês de 2025 ficou marcado por uma discussão acesa em torno das mudanças à lei do trabalho que o Governo quer levar a cabo, o que motivou, nomeadamente, uma greve no Estado convocada pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap).

De acordo com as estatísticas divulgadas, em novembro, foram entregues 115 pré-avisos de greve, mais 11% do que em outubro e mais 89% do que há um ano.

Destas paralisações, apenas dez foram alvo de serviços mínimos, sendo que em cinco casos tal foi fixado por acordo entre as partes, em quatro foi publicado um despacho do Governo nesse sentido e houve ainda um processo que acabou por ser enviado ao Conselho Económico e Social.

Quanto aos setores afetados por estas paralisações, a DGERT indica que 31% dos avisos prévios de greve disseram respeito aos transportes e armazenagem, tendo sido esta a atividade com mais protestos deste tipo anunciados.

Em destaque estiveram ainda o setor das atividades de saúde humana e apoio social (13% dos pré-avisos), e as indústrias transformadoras (11%), mostram os dados agora divulgados.

Importa lembrar que o mês de novembro de 2025 ficou marcado por uma discussão intensa em torno da reforma da lei do trabalho em curso, especialmente depois da UGT e da CGTP terem anunciado uma greve geral contra as mudanças que o Governo que levar a cabo.

Essa greve geral viria a acontecer apenas em dezembro, mas já em novembro a reforma laboral gerou paralisações. Por exemplo, a Fesinap convocou uma greve no final desse mês, que abrangeu os trabalhadores de todas as carreiras da Administração Pública, sejam gerais ou especiais.

A adesão foi de cerca de 60%, com especial incidência nas escolas, de acordo com os representantes dos trabalhadores.

775 pré-avisos em 11 meses

Com os 115 pré-avisos de greve que deram entrada em novembro, 2025 já conta com 775 anúncios de paralisação. Em comparação com o total registado nos primeiros 11 meses de 2024 (869), registou-se uma quebra de cerca de 11%.

Assim, apesar do referido aumento homólogo verificado em novembro, e da elevada contestação em torno da lei do trabalho, 2025 está a caminho de verificar menos greves do que o registado em 2024.

Há dois anos, o total de pré-avisos tinha ficado pouco abaixo dos 1.100. Ou seja, só se em dezembro tiverem entrado mais de 324 avisos prévios de paralisação, 2025 superará 2024 na contestação social.

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