Adeus ‘penny stock’? Há cada vez mais analistas a porem BCP a valer um euro

BCP tem colecionado avaliações que colocam a ação na casa do euro, fasquia com a qual deixa de ser 'penny stock'. Banco liderado por Miguel Maya deverá apresentar lucros de mil milhões de euros.

Ainda só passou meio mês desde o início do ano, mas o BCP BCP 0,29% volta a estar em destaque na bolsa de Lisboa. A ação tem colecionado nos últimos dias várias avaliações de analistas que a colocam na barreira de um euro ou mais. Ou seja, dez anos e uma trajetória atribulada depois, o banco liderado por Miguel Maya prepara-se para dizer adeus à condição de ‘penny stock’, uma das duas (a par da construtora Teixeira Duarte) que ainda moram no PSI.

Para atingir esse patamar o título ainda tem de valorizar cerca de 10 cêntimos por ação, ou seja, mais de 10% — fechou a sessão desta quarta-feira nos 0,9036 euros. Mas é isso que já preveem BNP Paribas (1,03 euros), JBCapital Markets (1,00 euros) e Alantra Equities (1,04 euros), que na última semana melhoraram as perspetivas para um título que vem de um rally impressionante que dura desde o final de 2022. Em setembro daquele ano a instituição estava a cotar nos 12 cêntimos. Esse valor multiplicou por sete vezes desde então.

A que se deve o facto de o bom momento estar a perdurar?

Champions após caminho das pedras

O BCP atravessou o caminho das pedras na década passada, marcada por uma ajuda do Estado, pela entrada dos chineses da Fosun no seu capital e por muitos problemas com crédito malparado. Mas o trabalho de casa foi feito a tempo de o banco poder beneficiar da subida das taxas de juro desde 2022 e que catapultaram os resultados do setor para níveis recorde.

Pelo meio houve tropeções, como aconteceu na Polónia, relacionado com o tema dos empréstimos da casa em francos suíços, num caso que obrigou o Bank Millennium a gastar muito dinheiro para resolver milhares de disputas legais com as famílias polacas. O problema está a ser ultrapassado e é na recuperação do negócio polaco que o BCP deposita uma boa parte da esperança para crescer nos próximos três anos, e durante os quais prevê entregar mais de 3.000 milhões de euros aos acionistas. Ou aquilo que Miguel Maya já chamou de atingir a Liga dos Campeões.

O presidente da Comissão Executiva e vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Comercial Português (Millennium bcp), Miguel Maya, durante a apresentação dos resultados dos primeiros 9 meses de 2024 da instituição bancária na sede em Oeiras, 30 de outubro de 2024. TIAGO PETINGA/LUSATIAGO PETINGA/LUSA

Otimismo, mas com cautela

João Queiroz, head of trading do Banco Carregosa, prefere falar em “combinação virtuosa” entre reestruturação, rentabilidade e ambiente económico favorável que está a sustentar a valorização expressiva das ações do BCP nos últimos três anos.

No ano passado o título praticamente duplicou de valor, com o banco a apresentar atualmente um valor de mercado de 13 mil milhões de euros, sendo a terceira cotada mais valiosa do PSI – à frente de Galp e Jerónimo Martins e atrás da EDP e EDP Renováveis.

Mas em 2026 “a repetição dos desempenhos e dos ganhos tão expressivos dependerá menos do ‘re-rating’ do mercado e mais da capacidade de sustentar um ROE elevado num contexto de normalização de margens e acrescida concorrência”, avisa João Queiroz, para depois rematar: “O potencial existe, apesar de se manter a prémio relativamente à média do consenso do mercado, mas o ritmo tenderá a ser mais moderado e dependente da disciplina operacional”.

João Cruz, analista de mercados da XTB, também assume cautela. “A continuidade do bom desempenho vai depender muito do enquadramento macroeconómico e do ciclo de taxas: se houver uma descida da taxa de juro por parte do BCE, a margem financeira tenderá a ficar mais pressionada – o que tende a ser um ‘travão’ natural para o setor”, explica.

Se conseguir compensar essa pressão com crescimento de volumes, receitas de comissões, controlo de custos e um custo de risco reduzido, pode manter uma trajetória favorável”, destaca João Cruz.

Mil milhões de lucro?

Miguel Maya apresenta as contas de 2025 no próximo dia 25 de fevereiro. Os analistas estão a prever que os lucros tenham atingindo os mil milhões de euros, em linha com as projeções que apresentou no plano estratégico. Se tal acontecer, 750 milhões poderão parar às mãos dos acionistas: 500 milhões sob a forma de dividendos e outros 250 milhões por via do programa de recompras de ações.

Em contramão com o setor, o banco tem conseguido resistir à descida das taxas de juro: até setembro apresentou uma subida de 9% do lucro, para 775,9 milhões.

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