Ministro da Educação defende que inteligência artificial não pode ser ignorada
Fernando Alexandre considera inevitável o uso da inteligência artificial nas escolas, enquanto professores do Ensino Superior contestam a tecnologia e assinam um manifesto contra a adoção de IA.
O ministro da Educação defendeu esta segunda-feira no Sobral de Monte Agraço, Mafra, que o uso da inteligência artificial (IA) “é uma realidade que não pode ser ignorada”, apelando à adaptação nas escolas para maximizar os benefícios e minimizar os riscos.
“É uma realidade que não pode ser ignorada e por isso o que temos de fazer é, com essa mudança tecnológica, termos a capacidade de, seja com a formação dos professores, seja na alteração dos métodos de ensino, seja na alteração dos próprios currículos aproveitarmos as oportunidades que essa mudança nos traz”, disse Fernando Alexandre aos jornalistas.
Para o governante, “com as estratégias adequadas, esses riscos podem ser minimizados e os benefícios podem ser maximizados”. À margem de visitas às escolas de Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, o ministro da Educação admitiu que se deve “tornar a inteligência artificial num instrumento complementar que permite aumentar as capacidades dos nossos alunos”.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) publicou esta segunda-feira o Digital Education Outlook 2026, que considera que a inteligência artificial tem potencial para mudar, para melhor, a educação e, por isso, quer mais “ferramentas para fins educativos”, apesar de admitir que há riscos.
Professores contra o uso de IA alertam para a transformação dos estudantes em “cretinos digitais”
Dezenas de professores de instituições de ensino superior de todo do país assinaram nos últimos dias um manifesto contra o uso da inteligência artificial generativa (IA), alertando para a transformação dos estudantes em “cretinos digitais”
“Promover a humanização do ensino superior e banir o uso da inteligência artificial generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem” é o objetivo do texto assinado por 28 professores, que apontam os estudantes como “as grandes vítimas do mundo digital”.
Ao utilizarem IA, “veem os seus métodos de trabalho e estudo ser permanentemente soterrados por grandes modelos de linguagem e chatbots que operam enquanto fábricas de produção de lugares-comuns, banalidades, arquiteturas tecnológicas promotoras de fraude e plágio em série”, defendem. Resultado: Os alunos são transformados em “cretinos digitais”, alerta o “Manifesto contra o uso da “inteligência” artificial generativa”.
“A saúde mental dos estudantes bate no fundo, os níveis de ansiedade sobem aos píncaros e, convertidos em cretinos digitais, demonstram muito pouca curiosidade intelectual ou entusiasmo pela enorme e desafiante aventura do conhecimento”, contam professores de universidades e institutos politécnicos.
Por outro lado, reconhecem que a situação dos docentes “não é melhor”. Também são atingidos pelo “dilúvio digital”, sendo-lhes cada vez mais difícil “identificar com rigor práticas académicas fraudulentas”.
O manifesto critica a postura da maioria das instituições que, “com receio de perder o comboio do progresso”, adotou uma política “suicidária de portas abertas”, limitando-se a “regurgitar vagas declarações de intenções, orientações, regulamentos, despachos, circulares, a promover conferências, workshops e a criar grupos de trabalho de eficácia tendencialmente nula”.
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