Porto de Leixões tem plano “transformador” de mil milhões até 2035. Novo terminal é “jóia da coroa”

Ministro das Infraestruturas defende que plano para expandir o Porto de Leixões, que inclui construção de novo terminal de contentores, vai dotar a infraestrutura de "condições competitivas".

O plano estratégico do Porto de Leixões para os próximos 10 anos vai implicar um investimento superior a mil milhões de euros até 2035, que prevê um alargamento da infraestrutura até aos limites do espaçs do porto e que vai incluir a construção do novo terminal de contentores, a “jóia” da coroa deste projeto. Para Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e da Habitação, este é um plano “transformador” que vai dotar o porto de condições para competir com todos os portos galegos e nacionais. Próxima expansão, depois de 2035, poderá estender-se para o mar.

O plano estratégico do plano estratégico 2025-2035 prevê um investimento de 1.020 milhões de euros, um plano que o ministro das Infraestruturas e da Habitação considera “transformador” e que vai garantir que a infraestrutura é “capaz de estar à altura dos 14 milhões de pessoas que este hinterland serve”.

O plano vai dotar este porto das condições competitivas para poder competir com todos os portos galegos e nacionais“, acrescentou o ministro na apresentação, que decorre esta terça-feira no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos. O governante acrescentou que o plano se enquadra no âmbito do plano Portos 5+ e vai permitir conceder condições para “focar-se na missão de ser o melhor porto”.

“Estamos a falar de um investimento de mais de mil milhões de euros, que contempla muitos investimentos, novas marinas, novos terminais, novo equipamentos de acesso marítimo, novas acessibilidades marítimas”, sintetizou o ministro das Infraestruturas.

João Pedro Neves, presidente da APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo), destacou as dificuldades sentidas pela infraestrutura nas últimas décadas, com o porto a funcionar muito acima das suas capacidades.

“O terminal de contentores tem capacidade operacional – dispomos de 590 mil TEU (Twenty-footEquivalentUnit, unidade equivalente a 20 pés), o Porto de Leixões movimenta hoje 700 mil TEU, sem que muitos deem por isso. Precisamos inverter esta situação, é preciso pôr os números no local certo”, detalhou. “Estamos a trabalhar quase dentro de uma cabine telefónica“.

“O plano estratégico nasce de uma vontade de continuar a projetar o porto para as próximas gerações”, acrescentou João Pedro Neves, notando que “hoje o porto de leixões é um meio logístico estratégico”.

Sobre o futuro, o responsável destaca que a economia vai crescer e também o porto. “Depois desta ampliação não temos mais por onde crescer dentro do espaço do porto. O próximo plano vai ter de continuar a crescer, vai ter de ir para o mar“.

O plano estratégico do Porto de Leixões tem quatro pilares estratégicos: competitividade e infraestrutura; transformação digital & inovação; ambiente e descarbonização; porto-cidade & qualidade de vida.

Desde logo está prevista a construção de um novo terminal de contentores, a ampliação do terminal multiusos, prolongamento do molhe, mais digitalizações e acessibilidades marítimas, ligação do terminal cruzeiros a Matosinhos Sul e o novo porto de recreio, uma vez que a marina atual vai ter de ser relocalizada.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou que a perda da refinaria de Matosinhos “é usada para criar uma nova oportunidade, que é este novo terminal, que é a jóia da coroa”. “Vai ser um catalisador de crescimento“, reforçou.

Numa resposta às críticas da autarca de Matosinhos, que adiantou que vai dar parecer desfavorável ao projeto, o governante reconheceu que este projeto “tem externalidades”, mas Leixões “não é só o Porto de Leixões, é o porto do norte“.

“Temos um plano que é ambicioso, é resiliente”, sintetizou, acrescentando que “vamos cumprir este plano, a tempo e horas.

Em termos de execução, entre 2025 e 2028 avançam projetos críticos, focados no molhe de proteção, bacia de rotação, cais, terminais, terraplenos, intermodalidade ferroviária. Nos três anos seguintes, entre 2029-2031, avançam investimentos focados na consolidação energética: Subestação AT, renováveis, OPS, combustíveis verdes. Por fim, entre 2032-2035, avança a expansão logística e o reforço multimodal.

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