Kristin: Líder do PS ataca “insensibilidade e impreparação” do Governo

José Luís Carneiro critica atraso na declaração de calamidade e na ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, e falhas na “coordenação política ministerial” e na comunicação de crise.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) considerou que “o Governo mostrou, uma vez mais, insensibilidade e impreparação para antever e gerir atempadamente” uma crise, tal como diz já ter acontecido no apagão energético e nos incêndios do verão passado.

José Luís Carneiro notou que o IPMA “informou a tempo e horas” sobre as características da depressão Kristin e onde podia ser mais severa, mas a Autoridade da Proteção Civil só decretou o nível máximo do estado de prontidão especial “a menos de 12 horas da passagem da frente mais ativa desta depressão, o que foi tarde e em cima da hora para se preparar a resposta reforçada ao nível do dispositivo”.

Outra crítica do líder socialista, verbalizada numa conferência de imprensa na sede nacional do partido, após reunir-se com 32 autarcas socialistas dos distritos mais afetados, prende-se com o facto de não ter havido reunião da Comissão Nacional de Proteção Civil “nem antes, nem durante nem depois” da passagem da depressão.

A sensação com que se fica é que o Governo mostrou, uma vez mais, insensibilidade e impreparação para antever e gerir atempadamente esta crise. Aconteceu no apagão, nos incêndios e agora.

José Luís Carneiro

Secretário-geral do PS

Por outro lado, “como aconteceu noutros momentos críticos, não houve a coordenação política ministerial prevista no sistema de Proteção Civil, o que teria permitido, por exemplo, a devida articulação e até ativação do plano de cooperação reforçada entre o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Defesa Nacional, que permitiria ativar meios de comunicação e meios para garantir a segurança, nomeadamente na circulação rodoviária entre os diferentes concelhos, não expondo as pessoas aos riscos”.

Embora sublinhando que ainda “não é esta a hora para pedir responsabilidades”, Carneiro, que foi precisamente ministro da Administração Interna no último Governo liderado por António Costa — e até se disponibilizou para “com a [sua] experiência ajudar o Governo” –, denunciou ainda que “a declaração da situação de calamidade foi tardia” e que “tem faltado comunicação de crise”.

“Não se percebe, aliás, porque não foi acionado o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil a 28 de janeiro e implementados os pressupostos da organização e da gestão operacional previstas nesse plano de emergência, que é aquele que permite responder com todos os meios públicos e privados, sob comando direto do primeiro-ministro ou da ministra da Administração Interna, para salvaguardar e proteger as pessoas e o seu património”, acrescentou.

Depois de na quinta-feira ter estado em Leiria com o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, na reunião desta manhã com os autarcas socialistas da região Centro, José Luís Carneiro diz ter ouvido as preocupações de quem está no terreno, assim como relatos de “populações isoladas e em grande sofrimento”, e percebido mesmo “como a vida normal de muitas famílias está afetada em muitas dimensões vitais, pondo mesmo em causa a sua subsistência”.

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