Prejuízos das seguradoras serão partilhados “a nível global”

Apesar de a Kristin já ser a maior catástrofe de sempre, “não existe qualquer problema de capacidade financeira ou de tesouraria das seguradoras”, garante o presidente da associação dos seguradores.

Com as consequências da depressão Kristin já agravadas pelas chuvas da depressão Leonardo, José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, refere “indicações que nos chegam através das nossas Associadas é a de que as seguradoras estão a responder de forma muito eficaz, atento os condicionalismos que ainda subsistem e tendo em conta o elevadíssimo volume de participações que é necessário gerir”.

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José Galamba de Oliveira: “É expectável que o volume de indemnizações a pagar a cidadãos e empresas com contratos de seguro será o mais elevado de sempre no nosso país”.Hugo Amaral/ECO

Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade, já estimou em pelo menos 500 milhões de euros os prejuízos que o setor segurador vai sofrer. Galamba de Oliveira explicou esta quinta-feira a ECOseguros que a recolha de informação ainda está em curso, mas “é expectável que o volume de indemnizações a pagar a cidadãos e empresas com contratos de seguro será o mais elevado de sempre no nosso país”, acrescentando que “mostra bem a importância de haver seguro”.

Assim, estão muito ultrapassados os 226 milhões de euros que as seguradoras pagaram em indemnizações pelos incêndios de outubro de 2017, os 101 milhões pela tempestade Leslie em 2018, e os 100 milhões das inundações na Madeira em 2010, até agora as mais perdulárias em vidas e danos materiais na história do país.

Considerando as estimativas atuais, a depressão Kristin provocou, numa noite, danos financeiramente iguais a todo o ano de 2025 nos ramos multirriscos Habitação, Comercial e Industrial, cerca de 500 milhões de euros.

A verdade é que no final do ano de 2024 – e não será muito diferente em 2025 – as seguradoras tinham só em depósitos à ordem mais de 1.200 milhões de euros nos bancos portugueses e muito mais em investimentos de curto prazo rapidamente transformáveis em liquidez.

Riscos estão dispersos por seguradoras em todo o mundo

Não existe qualquer problema de capacidade financeira ou de tesouraria das seguradoras” garante José Galamba de Oliveira esta estabilidade de curto prazo, mas também no longo prazo não antecipa quaisquer problemas a este nível: “Os rácios de solvência das seguradoras são muito robustos, e assim devem continuar”, diz.

Esclarece ainda que as empresas de seguros que operam em Portugal “têm uma gestão muito prudente e, por conseguinte, resseguram estes e outros riscos junto dos operadores internacionais”.

Ressegurar é ceder parte dos riscos a grandes resseguradoras como a Swiss Re, a Munich Re ou a francesa SCOR, que conhecem profundamente os riscos em Portugal e têm relações com companhias em todo o mundo. Na sua forma mais simples, as seguradoras recebem uma parte de um prémio pago por um segurado português e asseguram uma parte proporcional dos prejuízos em caso de sinistro.

Numa segunda fase podem transferir esses riscos para outras seguradoras por todo o mundo, tornando possível – exemplo ilustrativo – que uma seguradora na outra ponta do mundo pague o telhado de uma casa na Marinha Grande. O contrário também acontece, seguradoras portuguesas aceitam tomar riscos situados em outras partes do mundo.

O presidente da APS reforça essa prudência. “O resseguro permite mutualizar as perdas resultantes destes eventos ao nível global”, e estima que “uma percentagem bastante significativa das perdas agora registadas possam vir a ser partilhadas com os resseguradores internacionais”.

Mas, uma vez mais, conclui que “esse valor só se conseguirá apurar uma vez feito o levantamento de todos os danos”.

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