BRANDS' ECOSEGUROS Inovação e Adaptação nos Seguros

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  • 13 Abril 2026

Serão os seguros uma atividade pouco dinâmica e aversa a grandes mudanças? Julgo que não. Pelo contrário, vejo o setor segurador como um terreno fértil para a adaptação e a inovação.

Se o que está em causa é proteger os riscos que, a cada momento, a sociedade enfrenta, faz sentido que as seguradoras se ajustem às mudanças sociais, económicas, tecnológicas e legais, que moldam esses mesmos riscos. Mal seria se não o fizessem. Não só estariam a ignorar novos riscos que poderiam não conseguir suportar, como perderiam oportunidades de responder às necessidades de proteção de pessoas e empresas. Num mercado competitivo como o dos seguros, quem ignora essas oportunidades, corre o risco de ser ultrapassado pela concorrência. Há, portanto, bons incentivos para estar aberto à mudança e à inovação. Vamos centrar-nos no aspeto de responder às necessidades do mercado.

Ricardo Azevedo, Diretor da Innovarisk

A história oferece-nos inúmeros exemplos. Em bom rigor, a evolução dos produtos, no sentido de alargar o espectro de coberturas, muitas vezes não surge de novos riscos, mas de necessidades já existentes que o mercado anda não conseguia atender. O acumular de experiência dentro das seguradoras, que permite compreender melhor os riscos, ou o surgimento de seguradoras especializadas, com know-how específico, tem sido crucial para desbloquear a situação. Antes de existirem seguros de arte, por exemplo, os colecionadores já sentiam a necessidade de proteger as suas obras. Muitas vezes, a apólice de seguro até existia, mas carecia das características, dos detalhes e das coberturas específicas que, perante um infortúnio, permitiriam ao colecionador minimizar o potencial de perda. Só quando surgiram seguradoras capazes de oferecer coberturas inovadoras de forma tecnicamente sustentável é que essas soluções se tornaram disponíveis.

Há também casos em que novos riscos efetivamente emergem. Se, no passado, o empresário se preocupava principalmente com incêndios e roubos nas suas instalações, a evolução tecnológica e a crescente digitalização trouxeram à tona novos perigos, como a criminalidade informática ou a perda de dados pessoais de terceiros. O risco físico deixava de ser o centro das atenções, dando lugar a uma crescente preocupação com aquilo que é imaterial. O risco cibernético exigiu, assim, novas soluções: as apólices cyber. Mesmo estas, relativamente recentes no mercado quando em comparação com outro tipo de seguros, são constantemente testadas pela rapidez das mudanças na sociedade. Regulamentação mais rigorosa sobre proteção de dados pessoais? Coberturas mais robustas para situações de perda de dados. Novas formas de crime informático, como transferências fraudulentas ou ataques a fornecedores críticos? Novas coberturas para acomodar esses riscos.

Poderíamos pensar em muitos outros exemplos. Em síntese, a história da inovação em seguros mostra que poucos riscos são completamente impenetráveis. Cada nova solução nasce de uma avaliação atenta de tendências, regulamentação e sustentabilidade, transformando incerteza em segurança. A adaptação contínua mantém o setor atual e relevante, confirmando que, mesmo frente a desafios inéditos, o seguro continua a ser um aliado estratégico e um impulsionador da inovação.

Texto por Ricardo Azevedo, Diretor da Innovarisk

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