Erro de casting

  • Mónica Marques
  • 1 Agosto 2020

As ideias peregrinas do seu Ministério têm sido ao nível da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Benfica durante os anos oitenta. Agora já estarão além disso, creio.

A maioria das pessoas tem andado a cozinhar mais por estes dias e a beber mais também, por supuesto. Andamos horrorizados e até aceitamos esta esquisitice toda que é o novo normal, mas uma ministra da Cultura não se tocar com as dificuldades que as pessoas da sua área estão a passar é de uma falta de cultura que, só por si, embaraça.

Tenho por costume dificuldade na crítica a outras mulheres. Com a idade ganha-se juízo e percebe-se que a arrogância, o espírito wanna be, os maneirismos e pose, são quase sempre fruto de anos de crochet e melancolia feminina que herdámos da nossa história.

E bem sei que Graça Fonseca não manda nada ali, a não ser nos seus assessores e talvez no chauffeur, e que o facto de alguma vez ter sido ministra da Cultura só deixará recordação em familiares e seu círculo de assessores, tão poucas as estrelas no céu do Palácio da Ajuda.

As ideias peregrinas do seu Ministério têm sido ao nível da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Benfica durante os anos oitenta. Agora já estarão além disso, creio.

Primeiro o TV-Fest, (ver aqui aquele emoji de boca aberta), em abril foi aquilo de a Cultura ir ocupar as ruas, em junho o “Não Brinques Com o Fogo”, em julho os programas Eco-Artísticos e, agora, isto dos drinks ao fim de tarde, para fugir à pergunta mais pertinente de todas e festejar com a beautiful people a compra de obras de Arte Contemporânea, para a coleção do Estado.

Ora ‘Vamo lá ver, — acho um bocado querido este tique de linguagem de Graça Fonseca — qual a pertinência de esfregar de forma displicente na cara das pessoas, que estão numa situação aflitiva, que acabou de gastar uma pipa de massa na compra de 65 obras de arte? E como se escusa a responder às perguntas sérias dos jornalistas sobre as esmolas à classe, a que todos temos assistido? Porque só está ali para inaugurar e só fala de um assunto à vez? Porque está com sede? Porque só fala do que quer? Porque tem mais o que fazer? Está enganada, ocupa um cargo público, deve explicações e procura de soluções sobre tudo e para tudo na pasta que detém.

Era tão bom que as pessoas soubessem que não precisamos de quem não percebe isto, tal como não precisamos de proteína animal. Precisamos muito é de líderes sensíveis, de bom senso e com alguma ética que tenham tido, uma vez que seja, vida fora dos aquários partidários. Alguém com uma vida real que saiba e goste, de quando em vez, de ir procurar ao dicionário o significado de algumas palavras. Humildade.

  • Mónica Marques

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