Os Desafios Económicos de 2026

Três riscos a nível internacional e o desafio de manter o ímpeto reformista em Portugal.

O ano de 2026 encerra um conjunto significativo de desafios, com fortes oportunidades, mas também com riscos não negligenciáveis.

Do ponto de vista internacional os riscos são bem conhecidos no seu geral e saliento três:

Primeiro, o evoluir do conflito na Ucrânia e as perspetivas de paz. A incerteza sobre a guerra e as condições em que uma paz poderá ser, eventualmente, alcançada, permanece elevada. Por um lado, o fim do conflito, além de toda a questão humanitária, permitiria um alívio nas pressões económicas e orçamentais que se têm sentido na Europa. Por outro lado, condições de paz que representem uma derrota da Ucrânia (que com extraordinário heroísmo foi capaz de resistir à invasão e provocar perdas muito pesadas a um invasor maior e, supostamente, mais forte), colocarão pressão e incerteza nos países vizinhos da Rússia.

Segundo, outros choques geopolíticos que neste momento existem ou que são pelo menos um potencial de risco. Novos choques ou o agravar dos existentes colocarão novas pressões negativas na economia internacional.

Terceiro, a incerteza económica, desde o comportamento das principais economias europeias, à evolução da relação comercial entre os EUA e a China e aos riscos no setor financeiro.

Do ponto de vista nacional, a economia portuguesa tem demonstrado uma enorme resiliência e capacidade de crescimento, de geração de emprego e de aumentos salariais. Em 2024, Portugal foi o país da OCDE em que o rendimento médio líquido mais cresceu, fruto da combinação do aumento do emprego e dos salários, bem como da redução de IRS ocorrida em junho. Este ano, até outubro, além de nova redução do IRS (novamente num montante de 500 milhões de euros, a que se soma a redução do IRS no OE2025 num montante de 400 milhões de euros), o emprego crescia acima dos 3% (num contexto de desemprego abaixo dos 6%) e as remunerações acima dos 7%. Considerando que a inflação se aproximou dos 2%, isso significa que em 2024 e 2025 os trabalhadores tiveram, em cada ano, um aumento dos seus rendimentos reais acima dos 6%.

O desempenho da economia portuguesa foi recentemente reconhecido também pela prestigiada revista The Economist que, após a análise de um conjunto de indicadores, coloca Portugal como a economia do ano em 2025. Não se trata só de um título, trata-se do resultado efetivo do extraordinário trabalho que as famílias e as empresas portuguesas têm feito nos últimos anos e também da trajetória de consolidação orçamental e de redução da dívida pública que está a ser seguida por este Executivo.

Em 2026, o principal desafio será continuar a agenda transformadora e reformista que o Governo iniciou em abril de 2024, a que se soma o fim da execução do PRR.

A economia portuguesa tem baixos níveis de produtividade e competitividade, e precisa de crescer acima do que tem sido a sua performance nos últimos anos. Para isso há três áreas fundamentais: Capital Humano; Burocracia e custos de contexto; e Reforma laboral

Joaquim Miranda Sarmento

Ministro de Estado e das Finanças

A economia portuguesa tem baixos níveis de produtividade e competitividade, e precisa de crescer acima do que tem sido a sua performance nos últimos anos.

Para isso há três áreas fundamentais (Tier 1): Capital Humano (precisamos de mão de obra para todos os setores da economia; atrair e reter jovens e atrair quadros altamente qualificados); Burocracia e custos de contexto (é fundamental reduzir a burocracia, o tempo e custo dos licenciamentos e autorizações e a simplificação de tudo o que impacta na atividade das empresas e na vida das pessoas); Reforma laboral (simplificar e trazer as regras laborais para as novas realidades económicas, nomeadamente com a aceleração tecnológica e o pós pandemia).

Depois, num patamar abaixo (Tier 2), mas também muito relevante temos: Sistema Fiscal (simplificação, reforma do contencioso tributário e redução das taxas de imposto no IRS e IRC); Banco de Fomento (capitalização, atração de Investimento Direto Estrangeiro, escala); Ciência e Inovação (ligação cada vez mais forte entre o Ensino Superior e as empresas, tornando conhecimento em inovação e criação de valor).

Isto num contexto de equilíbrio orçamental, com superavits entre 2024 e 2026, e redução da dívida pública (que continua a ser um dos pontos mais frágeis do nosso país). A Reforma das Finanças Públicas que estamos a desenvolver permitirá melhor gestão e uma maior eficiência da despesa pública. Refira-se que, se excluirmos os efeitos temporários na despesa (empréstimos PRR, suplemento pensões e decisões judiciais), o superavit entre 2024 e 2026 ronda 1% do PIB, em cada ano, e a despesa corrente primária estabilizou nos 36.5% do PIB.

Que 2026 possa continuar a ser um ano de afirmação da capacidade económica de Portugal e que a transformação do nosso país possa ser acelerada. É nos momentos de prosperidade e relativa tranquilidade que é preciso ter coragem para tomar reformas e medidas, que podem ser difíceis e desagradar a alguns, mas que são fundamentais para o nosso futuro coletivo.

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