Quem ganha e quem perde num país de quinta geração

Já se conhecem detalhes da estratégia nacional para o 5G, o plano que inaugura uma nova etapa no lançamento das redes de comunicações do futuro. A fase zero teve vencedores, mas também vencidos.

O Governo levantou finalmente o véu sobre o 5G que quer ter em Portugal. Apresentou um ambicioso plano a cinco anos, que vai exigir fortes investimentos das operadoras portuguesas, com o objetivo de que, em 2025, 90% da população tenha acesso a serviços de banda larga móvel com velocidades iguais ou superiores às dos atuais pacotes de fibra.

Mas a quinta geração de rede de comunicações não chega só daqui a cinco anos. Já no final de 2020, o Executivo quer ter não uma, mas duas cidades com cobertura 5G, duplicando a meta da Comissão Europeia. Ainda não se sabe quais serão essas cidades (palpites: Coimbra no interior; e Matosinhos ou Lisboa no litoral).

Há vencedores e vencidos com esta resolução do Conselho de Ministros para o 5G. Entre os primeiros está a Anacom. O regulador tem sido muito criticado pelas operadoras, servindo de bode expiatório quando o tema é o atraso no processo. E sempre que João Cadete de Matos, o presidente, acena com a bandeira do roaming nacional, a críticas sobem logo de tom.

Ora, o ministro Pedro Nuno Santos reconheceu esta sexta-feira a necessidade de se “caminhar para um roaming nacional que permita aproveitar toda a infraestrutura” do território. Com todas as letras. Isto depois de criticar o “desperdício” da “triplicação” de antenas “umas ao lado das outras”. Fica, por isso, claro: o Governo e a Anacom estão mais alinhados do que se possa pensar, apesar de, tantas vezes, o setor alegar o contrário.

Outro vencedor é o próprio Governo. Sob “suspeita” de querer usar as operadoras como cash cow no 5G, o Executivo afastou totalmente essa hipótese ao anunciar que 100% das receitas do leilão vão ser canalizadas para um novo Fundo para a Transição Digital, que investirá na digitalização da economia. Ficará sob a chancela do ministério liderado por Siza Vieira.

Entre os vencidos está a Huawei. O Governo pondera restrições à fabricante chinesa, tendo em conta que Portugal vai acompanhar as recomendações de Bruxelas. O Conselho de Ministros admite mesmo “forçar” as operadoras a terem de contar com vários fornecedores, mitigando “riscos” para a segurança das redes.

Por fim, e por tudo isso, também as operadoras saem politicamente derrotadas desta fase zero do processo. Além disso, com um calendário 5G bem claro e definido, está na hora de acabarem com o “passa culpas” dos atrasos e de assumirem a responsabilidade que se ergue no horizonte. No cardápio, investimentos milionários e muito, muito trabalho pela frente.

Mas nunca esquecer que o 5G é uma oportunidade em toda a linha. Para o país, para os consumidores e mesmo para as operadoras e seus acionistas. Vira-se agora uma nova página neste dossiê, com a possível publicação dos cadernos de encargos do leilão pela Anacom. E tudo aponta que isso aconteça já na próxima segunda-feira.

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