No Dia Mundial da Poupança, ministros e reguladores invadiram as escolas com PowerPoints para ensinar os jovens a poupar, mas a literacia financeira não ficou para o exame final.
Sexta-feira, 31 de outubro. Dia Mundial da Poupança e dia das bruxas. Por todo o país, a chuva batia nas janelas das salas de aula enquanto ministros e reguladores financeiros voltavam aos bancos da escola — desta vez, do outro lado da secretária. Joaquim Miranda Sarmento, Gabriel Bernardino e Álvaro Santos Pereira foram alguns dos que trocaram os gabinetes de Lisboa pelas salas onde foram alunos, armados de PowerPoints sobre inflação, juros compostos e a tal literacia financeira que Portugal teima em não aprender. A missão? Ensinar centenas de jovens a poupar e investir num país onde 85% dos adolescentes até atingem o nível básico de conhecimento financeiro, mas apenas 7% são “craques” na matéria — bem abaixo dos 11% da média da OCDE.
Ao longo de quase cinco horas de três aulas assistidas pelo ECO, entre piadas que não colaram, luzes que falharam e citações duvidosas de Einstein, três das figuras mais poderosas do sistema financeiro nacional descobriram que voltar à escola é mais difícil do que gerir um Orçamento de Estado.
A iniciativa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro“, promovida pelo Ministério da Educação em parceria com o Banco de Portugal, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), pretendeu marcar o arranque de uma colaboração estruturada entre escolas, universidades e reguladores para levar a literacia financeira às salas de aula.
Num país que ocupa os lugares mais baixos da tabela europeia nesta matéria, e onde a nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania continua a ser criticada por ser “demasiado superficial” e dispersa em temas, esta sexta-feira foi um teste à capacidade de quem manda nas finanças públicas para comunicar com quem ainda está a aprender a gerir a mesada.
Miranda Sarmento entre o Benfica, Einstein e um erro de 2%
No auditório da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, cerca de 200 alunos do 11.º ano aguardavam às 8h30 pelo antigo aluno que por ali passou entre 1990 e 1996, do 7.º ao 12.º ano. Joaquim Miranda Sarmento chegou acompanhado do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que seguiu depois para norte onde foi dar uma aula em Cinfães, e da diretora da escola, Rosária Alves, que no final da sessão lhe ofereceu o certificado de notas do seu tempo de aluno, que a diretora garantiu que não o deixaria envergonhado.
“É uma emoção voltar à escola”, confessou o ministro das Finanças à chegada, não disfarçando o à-vontade de quem já deu aulas no ISEG durante muitos anos antes de assumir a pasta das contas públicas.
A aula arrancou com uma explicação sobre o valor temporal do dinheiro, conceito que Miranda Sarmento decidiu ilustrar com uma história pessoal, recordando como aos 13 anos se fez sócio do Benfica. “O meu pai não se opôs, mas disse-me que teria de ser eu a pagar as quotas. E assim foi.” O ministro lembrou que, como parte da mesada ia diretamente para as quotas do clube da Luz, por vezes teve de abdicar de ir ao cinema com os amigos. “O dinheiro não esticava”, resumiu, para explicar o conceito de custo de oportunidade — a escolha entre o Benfica e o cinema, entre poupar e gastar.
O risco nem sempre é algo negativo. Na realidade, não é algo positivo nem negativo. É apenas uma medida que mede a distância face à média, que em matemática chamamos de desvio padrão.
Mas a graciosidade do ministro-professor teve altos e baixos. Pelo meio da aula, tentou soltar algumas piadas para captar a atenção dos jovens, mas sem grande sucesso. E quando chegou a hora de falar de produtos financeiros, Miranda Sarmento entrou em modo “vendedor institucional”, promovendo os Certificados de Aforro como o “investimento mais seguro” do mercado. Contudo, mostrou pouco conhecimento sobre o valor atual da remuneração destes títulos de dívida pública. “Os Certificados de Aforro pagam 1% ou pouco mais de 1%”, afirmou, quando na realidade a taxa de juro base destes produtos está há três meses consecutivos acima dos 2%. Um lapso que não passou despercebido aos alunos mais atentos.
Não faltaram citações ao longo da apresentação. “Nada é certo, exceto a morte e os impostos”, atirou, citando Benjamin Franklin, um dos pais fundadores dos EUA, para mostrar que a qualquer ganho financeiro tem de ser descontado o peso dos impostos. Mais à frente, para explicar os juros compostos — uma das matérias que os inquéritos de literacia financeira mostram que a maioria dos portugueses não compreende –, o ministro puxou por Albert Einstein, indicando que o cientista alemão terá dito um dia que “a oitava maravilha do mundo são os juros compostos”. Apesar de esta frase ser-lhe recorrentemente atribuída, a verdade é que a sua origem permanece um mistério. Num dia dedicado à literacia, a ironia não poderia ser maior.
E quando um aluno questionou o ministro sobre o investimento em criptoativos, Miranda Sarmento foi direto ao assunto. “Continuo a olhar para as criptomoedas como uma bolha”, disse, aconselhando cautela a quem pretenda aplicar algum dinheiro neste universo. Caso alguém decida mesmo investir, que não ponha “mais do que 1% ou 2%” do dinheiro que tem, alertou.
Além dos riscos das criptomoedas, o governante alertou os alunos para as burlas e esquemas fraudulentos que proliferam na internet. “Eu próprio já denunciei à Polícia Judiciária o uso da minha imagem nestas burlas, mas é difícil perceber a sua origem”, revelou, sublinhando um problema que tem aumentado exponencialmente nos últimos tempos.
O tema do risco marcou grande parte da aula do ministro das Finanças. “O risco nem sempre é algo negativo. Na realidade, não é algo positivo nem negativo. É apenas uma medida que mede a distância face à média, que em matemática chamamos de desvio padrão”, explicou, tentando desmistificar o conceito. E apelou à diversificação: “Quanto mais diversificarmos, menor é o risco.” Contudo, deixou um aviso aos jovens que se mostraram atentos ao seu discurso: “Cuidado com o risco. Assumam algum, mas não demasiado.”
Nos últimos minutos de aula, Miranda Sarmento partilhou com os alunos que foi a primeira pessoa da sua família a ir para a faculdade aos 18 anos, depois de o seu pai o ter feito também, mas mais tarde, “aos 25 ou 26 anos”, para mostrar que os tempos em Portugal têm evoluído num sentido positivo. E terminou com uma crítica ao sistema de rankings escolares. “Os rankings das escolas são completamente irrelevantes porque, desde logo, são enviesados pela seleção de alunos”, afirmou, sublinhando que “o caminho é feito por vocês”.
Antes de dar por encerrada a sua aula, Miranda Sarmento desejou um bom ano letivo a todos, lembrando-os de estudarem, mas sem se esquecerem de se divertirem, atirando para a audiência mais uma citação, desta vez de um grande nome da música nacional: “Chega a onde tu quiseres, mas goza bem a tua rota”, de Jorge Palma. A turma aplaudiu. A diretora entregou o certificado de notas e o ministro voltou a ser ministro.
Gabriel Bernardino entre os Pink Floyd e os influencers das burlas
Mais para norte, na Escola Básica e Secundária Fernão do Pó, no Bombarral, Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, enfrentava um auditório bem mais numeroso. Cerca de 400 alunos do 10.º, 11.º e 12.º anos compunham a audiência à qual o líder do regulador dos seguros deu uma aula que acabaria por durar quase duas horas.
Natural da aldeia de Baraçais, na freguesia de Roliça, Gabriel Bernardino regressou à escola onde estudou para partilhar memórias pessoais e conceitos financeiros, num misto de nostalgia e pedagogia.
Logo de início, decidiu usar os próprios erros para ilustrar a importância da poupança e do investimento de longo prazo. Lembrou que a primeira vez que poupou dinheiro foi para comprar um dos livros da série “Os Cinco”, de Enid Blyton. Mais tarde, aos 15 anos, a história repetiu-se, mas desta vez com um álbum dos Pink Floyd. “Parti o porquinho mealheiro para [o] comprar”, contou, arrancando risos da plateia.
“Se parecer demasiado bom para ser verdade, é muito possível que seja demasiado bom para ser verdade”, afirmou Gabriel Bernardino, apelando aos alunos para que “não cedam à tentação” de seguir plataformas promovidas por quem “polui as redes sociais”.
Mas foi ao relatar um episódio da vida adulta que Gabriel Bernardino tocou num ponto sensível para qualquer investidor: a tentação de desistir cedo demais. “O primeiro ordenado que recebi como monitor na faculdade foram 50 contos (cerca de 250 euros) e decidi meter parte desse dinheiro a capitalizar num produto. Passados dois anos, decidi levantar esse dinheiro como resultado de vários problemas no mercado. Se tivesse mantido esse dinheiro aplicado, teria muito mais dinheiro uns anos depois.” A lição estava dada: o tempo é o melhor amigo dos investidores, e a impaciência o grande inimigo.
Ao longo da apresentação, Gabriel Bernardino procurou explicar conceitos como inflação, perfil de risco e diversificação. “A inflação corrói as nossas poupanças se ficarem num sítio que não cresça”, alertou, sublinhando que “quanto mais velhos somos, mais conservadores nos tornamos”. E insistiu na diversificação: “Quanto mais se diversifica, maior é a probabilidade de ter um bom retorno.”
Sobre a oferta de produtos financeiros, foi pragmático: “Existem produtos para todos os gostos e feitios” — uma afirmação que, convenhamos, peca por otimista num país onde os PPR raramente batem a inflação e os depósitos a prazo remuneram cada vez menos.
Porém, o tema que mais animação gerou foi o das burlas e fraudes financeiras. Gabriel Bernardino não poupou nas palavras para alertar os jovens sobre os perigos dos influencers que ostentam vidas de luxo nas redes sociais. “Se parecer demasiado bom para ser verdade, é muito possível que seja demasiado bom para ser verdade”, afirmou, deixando o apelo para que “não cedam à tentação” de seguir plataformas promovidas por quem “polui as redes sociais”. Numa geração que consome informação financeira pelo Instagram e pelo TikTok, o aviso soou certeiro.
O presidente da ASF deixou ainda três mensagens essenciais: “Poupar é um compromisso com o futuro”, “poupar é uma escolha” e “devem tratar a poupança como um gasto normal”, recomendando que os jovens comecem a repartir o orçamento pela poupança — “paguem-se a vocês primeiro”, atirou –, ou seja, destinando, logo à partida, uma fatia à poupança para só depois pagar as contas.
E ainda fez uma crítica subtil aos hábitos dos portugueses. “Em Portugal, temos até bons níveis de poupança, mas não temos bons níveis de investimento. As pessoas preferem deixar o dinheiro parado em depósitos em vez de investirem.” É um retrato fiel de um país onde mais de 50% do património financeiro das famílias está enterrado em depósitos que mal remuneram acima da inflação.
Antes de encerrar a aula, Gabriel Bernardino deixou três regras de ouro para os jovens se tornarem bons investidores de longo prazo: ter um objetivo muito claro, ser paciente e ser consistente na estratégia adotada.
Mas nem tudo correu conforme o planeado na aula do líder da ASF. Durante a sessão, a luz do auditório falhou. Não uma, mas duas vezes. Gabriel Bernardino lidou com a situação com humor, mas a ironia era evidente: num dia em que se falava de planeamento e previsão, até a infraestrutura da escola (ou as bruxas, não fosse também dia de Halloween) decidiu pregar uma partida.
Álvaro Santos Pereira voltou à “escola especial” e levou três conselhos para a vida
Em Coimbra, pelas 11h30, na Escola Secundária Avelar Brotero, a aula teve um tom diferente. Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal há menos de um mês, regressou à “escola especial” onde frequentou o 10.º e o 11.º anos para estudar Economia.
Perante cerca de 120 alunos dos cursos de Economia e Ciências e Tecnologia do 11.º e 12.º anos, Santos Pereira começou por fazer uma retrospetiva do seu percurso: os primeiros 15 anos em Viseu, a mudança para a “cidade dos estudantes”, a licenciatura em Economia na Universidade de Coimbra — onde teve o ministro Fernando Alexandre como colega de turma –, o mestrado em Inglaterra, o doutoramento no Canadá, a carreira académica no estrangeiro, os livros sobre a crise portuguesa, os dois anos como ministro no Governo de Passos Coelho e mais de uma década na OCDE. “Tenho a certeza absoluta que o meu percurso não teria sido o mesmo se não tivesse passado pela Brotero”, sublinhou, num momento de clara emoção.
A aula arrancou com uma pergunta lançada aos alunos: sabem o que é o Banco de Portugal e em que difere de outros bancos? “Não estejam com vergonha”, incentivou. A resposta não tardou. “Eu acho que é o banco que rege os outros bancos em Portugal e que está responsável pela economia do país”, respondeu um estudante. Santos Pereira completou: “É o chamado banco central. O Banco de Portugal é fundamental para um país, para a condução da política monetária.”
Penso que as taxas de juro devem permanecer neste nível, a não ser que haja um grande choque. E acho isso por uma simples razão: para a política monetária poder ter margem de atuar no caso de um novo grande choque.
A interação com os alunos foi constante, não estivesse o governador como peixe na água em função dos mais de 10 anos que lecionou em várias universidades no estrangeiro. Quando numa pergunta retórica questionou porque é que as pessoas poupam, o governador deu a resposta de rompante. “Em primeiro lugar, por precaução”, destacando que em muitos países não existe proteção social, sistemas de pensões e serviços de saúde como em Portugal.
Ao longo da apresentação, falou sobre estratégias de poupança, perfis de risco, produtos financeiros — dos “mais conservadores” depósitos à ordem aos criptoativos de “alto risco” — e explicou conceitos como inflação e poder de compra, antes de abordar o papel do Banco Central Europeu (BCE).
Foi precisamente ao falar das taxas de juro que Santos Pereira aproveitou para partilhar a sua opinião sobre a decisão recente da instituição liderada por Christine Lagarde. “Se o BCE aumentar as taxas de juro, é bom ou mau para a inflação?”, perguntou. “Acho que é bom, porque reduz o recurso ao crédito e depois há menos procura”, respondeu um aluno. “Muito bem, estou a ver que estão bastante informados aqui sobre boas decisões económicas”, elogiou o governador, que depois revelou a sua posição pessoal. “Penso que as taxas de juro devem permanecer neste nível, a não ser que haja um grande choque. E acho isso por uma simples razão: para a política monetária poder ter margem de atuar no caso de um novo grande choque.”
Antes de abrir a aula para perguntas, Santos Pereira deixou três conselhos:
- “É fundamental para o vosso futuro que tentem perceber algumas noções de literacia financeira. Tenham curiosidade de perceber o que é que é, por exemplo, quando os vossos pais compram uma casa ou um carro.”
- “Ganhem o hábito de poupar nem que seja um bocadinho na vossa vida.”
- “Não se esqueçam de valorizar os vossos professores. Vão ser das pessoas mais importantes que vão ter em toda a vossa vida. E nunca deixem a escola de lado, mesmo que tenham momentos difíceis na vossa vida. Não abandonem os estudos. No mínimo, devem fazer uma licenciatura.”
Os últimos 20 minutos foram reservados para perguntas. Os alunos não pouparam o governador, questionando sobre o impacto de uma taxa de inflação abaixo dos 2%, os efeitos das taxas de juro elevadas, as funções do governador e até temas fora da sua área, como o combate às pensões baixas. “Apostar na formalização dos trabalhadores”, defendeu Santos Pereira.
Para o futuro, o governador garantiu que o Banco de Portugal vai intensificar a aposta na literacia financeira. “Vamos começar a ter uma presença muito grande nas redes sociais — já temos, mas vamos ter mais — e também nos meios de comunicação social. Temos já uma rubrica semanal na Antena 1, e vamos ter também na RTP. Vamos ter outras iniciativas bastante grandes dentro de pouco tempo para ajudarmos a aumentar a literacia financeira do país”, detalhou. E prometeu: “Ao nível das escolas, teremos muito gosto de continuar a estar presentes.”
Antes de encerrar a aula, já passava das 12h30, Santos Pereira insistiu no conselho: “Devem fazer um curso universitário ou profissional. Estudem o mais que possam, que isso vai dar-vos muito mais rendimento, uma vida muito mais confortável e um futuro muito melhor.” E, em jeito de brincadeira, disse esperar que “daqui a uns anos se candidatem para trabalhar no Banco de Portugal”.
A reação dos alunos foi positiva. “Saí daqui mais informado do que estava antes, até mesmo com as perguntas que os colegas fizeram. Gostava que se repetisse”, afirmou José Peixoto, de 17 anos, aluno do 12.º ano, que lamentou que a literacia financeira continue a ser um tema tratado “fora do âmbito de aula”. “Deveria ser mais aprofundado aquilo que nos prepara para a vida para além da escola”, apelou.
Já Maria Rita e Francisca Fonseca, também do 12.º ano, mas do curso de Economia, consideraram que o tema dos investimentos “podia ser um bocadinho melhor explorado”. “Porque é algo que quanto mais cedo começarmos a fazer, melhor”, frisaram as alunas, que pretendem estudar Gestão na universidade.
A literacia que continua a faltar
A iniciativa do Dia Mundial da Poupança marca o arranque de uma estratégia que pretende tornar a literacia financeira uma componente obrigatória do currículo escolar, mas as críticas não faltam. Portugal desceu 11 pontos na literacia financeira dos jovens de 15 anos entre 2018 e 2022, caindo do 7.º para o 9.º lugar no ranking internacional da OCDE.
Enquanto países como a Finlândia, a Dinamarca e a Estónia lideram a tabela graças a programas estruturados e disciplinas autónomas, por cá a literacia financeira compete por atenção com outras sete dimensões da cidadania — e acaba diluída.
Os números são reveladores: 85% dos jovens portugueses atingem o nível básico de literacia financeira, mas apenas 7% são “top performers”, abaixo dos 11% da média da OCDE. Pior ainda, 86% dos jovens portugueses consideram que gerem bem o seu dinheiro — a percentagem mais alta da OCDE. Esta “desconexão entre confiança e competência real”, como alertam os especialistas, resulta numa geração de adultos sobreconfiantes mas mal preparados.
A proposta do Ministério da Educação para a nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania torna a literacia financeira obrigatória em todos os anos de escolaridade, do Pré-escolar ao Ensino Secundário. Mas a dispersão temática, a ausência de obrigatoriedade real e a falta de formação específica dos professores continuam a ser apontadas como falhas estruturais.
A solução, dizem os críticos, não passa por mais uma estratégia no papel, mas por olhar para o que funciona nos países com melhores índices de literacia financeira e adaptá-lo à realidade portuguesa. Na Finlândia, a educação financeira é parte integrante do currículo de matemática e ciências sociais, com objetivos claros e avaliação específica.
Na Dinamarca, os alunos praticam gestão de cartões de débito e planeamento de poupanças por plataformas digitais que simulam operações bancárias reais. Na Estónia, líder do ranking PISA 2022 em literacia financeira, a disciplina é obrigatória, com professores especificamente formados e materiais desenvolvidos em parceria com instituições financeiras.
As aulas sobre poupança e literacia financeira promovidas na sexta-feira no âmbito da iniciativa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro”, que levaram 21 ministros, reguladores e membros das suas equipas a escolas de norte a sul do país e das ilhas, mostraram que a vontade política existe e que até os responsáveis máximos pelas finanças públicas estão dispostos a descer do pedestal para falar com os jovens. Mas também mostraram que uma aula por ano, por muito bem-intencionada que seja, não chega para mudar os níveis de literacia de um país inteiro. “Deveria ser mais aprofundado aquilo que nos prepara para a vida para além da escola”, como referiu José Peixoto, aluno da Escola Secundária Avelar Brotero.
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A poupança foi à escola em dia de Halloween e deixou o medo no recreio
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